sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Bragança

[Linha do Tua 95] O aglomerado urbano de Bragança desenvolveu-se entre os rios Sabor e Fervença – mais próximo deste último, que serpenteia num vale cavado a sul do lugar. A cidade teve a sua génese em torno de dois núcleos distintos, distantes entre si cerca de 700 metros. O mais baixo localiza-se onde atualmente se encontra a sé catedral; no mais elevado, a 700 metros de altitude, localiza-se a cidadela, coroada pelo castelo e pela sua imponente torre de menagem. Os dois polos primitivos da cidade como que representam duas condições: a da paz, na terra baixa, e a da guerra, no morro elevado. Esta dicotomia esteve presente ao longo de séculos de desenvolvimento urbano. O local também deve ter tido uma ocupação castreja, anterior à presença dos Romanos neste extremo da Península Ibérica. Quando estes se fixaram nestas terras batizaram-nas como Juliogriga, em homenagem ao imperador Augusto e ao seu tio, Júlio César. O Império Romano desagregou-se e, muito mais tarde, nas batalhas entre cristãos e Mouros, a cidade foi destruída, passando para o controlo dos cristãos num momento em que o seu território integrava os domínios do mosteiro beneditino de Castro de Avelãs. Em 1130, a cidade foi adquirida, por troca, por D. Fernão Mendes de Bragança, cunhado de D. Afonso Henriques. Nesse mesmo século, em 1187, D. Sancho I concedeu-lhe carta de foral. A partir desse momento, com altos e baixos pontuados por períodos de guerra, a cidade não parou de crescer. As muralhas foram sendo construídas e reconstruidas em perímetros cada vez mais abrangentes, até que se passou para um período de paz, entre os séculos xiv e xv, em que floresceu o comércio, acompanhado pelo alargamento da malha urbana fora do reduto muralhado. Mais tarde, nos dois séculos seguintes, a indústria da seda deu um novo impulso ao desenvolvimento urbano. Apenas na década de 1770 a cidade passou a ser sede de diocese, por transferência com Miranda do Douro, onde, por aí se ter mantido a sede do bispado, se encontra uma sé mais antiga e imponente do que a principal igreja de Bragança. No século xix, o crescimento foi mais lento, mas a chegada do comboio foi determinante para o início de uma nova expansão da malha urbana. Foram criadas novas artérias, e a cidade desenvolveu-se na direção do terminal ferroviário de forma contida e planeada ao longo de várias décadas. Entre meados das décadas de 1970 e 1980 assistiu-se ao desenvolvimento descontrolado de bairros periféricos, alguns de génese clandestina. Atualmente, o desenvolvimento urbano é mais disciplinado, mas, como acontece um pouco por todo o país, a urgência de construir para alimentar a procura desenfreada do mercado, que revela uma grande complexidade nos seus desígnios, é raramente acompanhada por um desenho de arquitetura qualificado.





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