segunda-feira, 27 de julho de 2026

Método e pensamento

[Paisagem Cruzada 19/25] Estas são notas soltas para o pensamento da vida. É o desenvolvimento de ferramentas metodológicas em vários níveis de operatividade. Uma constelação de gestos desde o ato de caminhar, da recolha fotográfica, do arquivo de imagens, da produção de artefactos de comunicação, até à sistematização de ideias, no desprendimento de um mundo clássico que não pode deixar de ser olhado criticamente. E estamos numa fase sensível da história da Terra. Pela primeira vez na história da vida há uma espécie que está a provocar uma extinção em massa. As cinco grandes extinções que encontramos no registo fóssil, foram provocadas por eventos geológicos e climáticos, entre meteoritos e vulcões. Agora, com uma crescente celeridade, estamos, Homo sapiens, a mudar o clima. A resposta lenta deste mesmo clima tende a acelerar e parece ser uma evidência que o processo é irreversível. Talvez a humanidade um dia se tenha que juntar como um todo. Abolir fronteiras, alterar paradigmas culturais, locais, regionais, nacionais, e apontar para uma nova urbanidade. O regresso ao passado é manifestamente impossível, a não ser pela via da catástrofe.

Duas Igrejas, Miranda do Douro, 2024

 

domingo, 26 de julho de 2026

História única

[Paisagem Cruzada 18/25] A história do planeta que habitamos é só uma. Tudo quanto existe foi aqui gerado, desde a formação, por acreção, de um corpo incandescente que encontrou uma órbita em torno de uma estrela. Essa órbita está a uma distância exata para que se encontre água no estado líquido.

Rio Douro, São João das Arribas, Aldeia Nova, Miranda do Douro, 2024

 

sábado, 25 de julho de 2026

A criatividade da Natureza

[Paisagem Cruzada 17/25] Interessa-me a arte do ponto de vista da biologia. Não reproduziremos, de forma mais complexa, a criatividade da própria Natureza? Não segue a arte os princípios lógicos da vida? Na Terra, um corpo celeste em que tudo tem uma origem comum e está interligado, há algo que esteja fora da lógica da vida?

 

Poiares, prox., Freixo de Espada à Cinta, 2024

Santo Andrés, prox., Cércio, Miranda do Douro, 2024

 

sexta-feira, 24 de julho de 2026

Não há propósito

[Paisagem Cruzada 16/25] Na natureza, qualquer espécie não evolui com um propósito que não seja a sobrevivência, a reprodução, a adaptação permanente a um mundo dinâmico, que constantemente se transforma, a ritmos mais ou menos acelerados. Nada permanece.

 

Vale da ribeira do Mosteiro, Poiares, Freixo de Espada à Cinta, 2024

 

quinta-feira, 23 de julho de 2026

Dureza e evolução

[Paisagem Cruzada 15/25] Os tempos antigos, que nos são revelados pela arqueologia, são fascinantes, falam-nos de uma luta contínua pela sobrevivência, de momentos de extrema dureza e de um processo evolutivo descontínuo e sempre imprevisível.

 

Miranda do Douro, 2024

 

quarta-feira, 22 de julho de 2026

Realidade híbrida

[Paisagem Cruzada 14/25] A realidade não é algo fixo mas um mundo em transformação contínua. A maior evidência disto é a história do nosso planeta. De um um corpo celeste incandescente e inadequado à vida, foi evoluindo ao longo de milhares de milhões de anos até se tornar um habitat de vida, primeiro de bactérias e organismos unicelulares para formas mais complexas, plantas e animais. O que hoje fazemos condiciona o futuro breve.

Poiares, prox., Freixo de Espada à Cinta, 2024


terça-feira, 21 de julho de 2026

Vida e informação

[Paisagem Cruzada 13/25] Desde as suas formas mais básicas, elementares, a vida interpreta o entorno, transforma sinais, informação, em linguagem. Há quem defina a arte como algo inútil, sem qualquer funcionalidade. De algum modo a arte mimetiza processo biológicos básicos de ensaio adaptação a uma realidade em movimento. Neste sentido, a arte é profundamente útil. Como a ciência, a arte especula sobre novas interpretações da realidade. Os processos criativos são muito semelhantes na arte e na ciência. Partem da intuição que, no cérebro, no corpo de cientistas e artistas, conectam novas possibilidades de sentido da realidade. Mesmo as metodologias, sendo na ciência um conjunto de preceitos fixados, tendem a aproximar-se. Mesmo na arte, de forma menos sistemática, há uma sucessiva sobreposição de camadas que confluem numa obra. Há processos evolutivos na vida dos artistas e dos cientistas, como acontecem em qualquer ponto do planeta onde haja vida, estejamos, humanidade, presentes ou não.

 

Monóptero de São Gonçalo, Penas Róias, Mogadouro, 2024

 

Penas Róias, prox., Mogadouro, 2024