quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Santuário do Senhor da Boa Morte

[pst 494] Implantado numa elevação sobranceira ao Tejo, um pouco a norte de Vila Franca de Xira, o santuário do senhor da Boa Morte, continua a ser um local de romaria. Já o era pelo menos desde o século XVII, no entanto a ocupação do lugar remonta a um passado muito mais recuado. É provável que a sua fundação se tenha dado durante a época romana para mais tarde, em tempos medievais, o lugar ser reocupado. As sepulturas antropomórficas, escavadas na rocha em fiadas paralelas são deste período.

Santuário do Senhor da Boa Morte. Vila Franca de Xira.  29 Jul. 96


 

terça-feira, 11 de agosto de 2026

Tholos do Monge

[pst 493] A serra de Sintra, pela sua posição e altitude, exerceu desde tempos remotos um poderoso fascínio sobre os habitantes da região. A sua penedia granítica e descarnada terá motivado a designação de Serra da Lua, encontrada em textos de autores antigos. Num dos seus pontos mais altos, situa-se um monumento funerário, o Tholos do Monge, cujos materiais aí descobertos em trabalhos arqueológicos remetem a utilização daquele espaço para o período Calcolítico.

 

Tholos do Monge — Serra de Sintra. Sintra. 20 Jan. 97

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Castro de Leceia

[pst 492] José Leite de Vasconcelos refere nas Religiões da Lusitânia que "Effectivamente a cumeada de Liceia, defendida por penedos naturaes e por um parapeito, situada junto de um rio, e com agoa potavel em abundancia, tem, pela descrição de Carlos Ribeiro, o aspecto exterior de um castro. Alem d' isso, — facto caracteristico d' esta especie de monumentos —, ha ao pé um outeiro, chamado Castello, e não faltão por aqueles sítios lendas populares, como o prova o logar da Moira, tambem situado perto". O interesse do local é reconhecido desde o século XIX. Escavações entretanto realizadas puseram a descoberto os alicerces de um sistema defensivo formado por torres e muros construídos com grandes blocos de calcário.

Castro de Leceia, Barcarena. Oeiras. 28 Jul. 90


 

domingo, 9 de agosto de 2026

Barreira

[pst 491] À semelhança de Negrais, também os afloramentos rochosos deverão ter motivado a sacralização do lugar por parte de comunidades pré-históricas. Houve quem defendesse a tese de o sítio definir um cromeleque, no entanto não são claramente visíveis alinhamentos intencionais destes rochedos, tal como acontece em monumentos megalíticos do Alentejo. É assinalável o intenso carácter telúrico transmitido por estes emergentes e enormes penedos arredondados.

Barreira — Odrinhas. Sintra. 17 Jan. 97




 

sábado, 8 de agosto de 2026

Serra da Arrábida

[pst 490] "O mais precioso resto de uma mata mediterrânea primitiva existe na encosta da serra da Arrábida, no recôncavo de uma baía de águas serenas como num mar interior, em exposição meridional tão perfeita que o relevo intercepta as influências do oeste e do norte, com os seus ventos húmidos e frescos. A temperatura média de Inverno é notavelmente elevada (13o a 15o), constituindo assim uma ilha de clima mediterrâneo quente que só no Algarve tem paralelo". (Orlando Ribeiro, Geografia de Portugal).

Serra da Arrábida, S. Lourenço de Azeitão. Setúbal.  2 Fev. 92


 

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Pedra Furada

[pst 489] Entre Pero Pinheiro e a aldeia de Negrais há um conjunto singular de rochedos recortados denominados lapiás. Foram desentranhados de uma bancada calcária muito erodida dando origem a afloramentos pétreos com formas pouco vulgares. Instalou-se ali um povoamento em tempos Pré-históricos; escavações puseram a descoberto uma quantidade considerável de artefactos constituídos por materiais líticos, cerâmicos e em osso. Ainda hoje a toponímia e lendas locais revelam o carácter mágico do lugar.

Pedra Furada — Montelavar. Sintra. Abr. 91

 

terça-feira, 4 de agosto de 2026

Intuição e precisão

[Paisagem Cruzada 25/25] Não tenho a linguagem precisa das ciências. Aquilo sobre o que escrevo não deixa de ser uma leitura intuitiva da minha relação com o mundo, com o caminhar, com o observar, com a produção de artefactos de comunicação, com o arquivo de informação, como as fotografias, com as reflexões livres que misturam empirismo com leituras de obras de natureza muito diversa. A vida, tida individualmente, não deixa de ser uma experiência, um exercício e um jogo de enorme complexidade. Neste movimento vital há que apurar um sentido crítico sobre o falso, sobre a charlatanice, sobre a evidente e estéril mentira, sobre os poderes oportunistas. No fundo, engrenar na lógica da vida, nessa vertigem que destrói, que apaga, o que é estéril. Sentir o vento na cara, pressentir tempestades, ser racionalmente corajoso, sabendo que há outras possibilidades.

 

Caderno Súmula, Exposição Paisagem Cruzada, Picote, Miranda do Douro, 2026