quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Ponta dos Corvos

[pst 509] Os espaços residuais, decorrentes de actividades extintas ou alteradas pela evolução tecnológica, criam por vezes enormes vazios que tardam em ser reocupados por outro tipo de construções que "rentabilize" a sua superfície. Como a seca de bacalhau, na Ponta dos Corvos, em frente ao Seixal, permanece em abandono, enquanto uma vegetação rasteira toma progressivamente o sítio. Aqui, rodeados por uma urbanização maciça e sem ordem, encontramos um lugar em que somos levados a reflectir sobre os fazeres dos homens e a forma de como estes se relacionam com o seu espaço de habitar.

 

Seca do Bacalhau — Ponta dos Corvos. Seixal. 7 Abr. 90

 

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Trafaria

[pst 508]  

     En Lixboa sobre o mar

barcas novas mandei lavrar,

     ai mia senhor velida!

 

     En Lixboa sobre lo ler,

barcas novas mandei fazer,

     ai mia senhor velida

 

     [B]arcas novas mandei lavrar

e no mar as mandei deitar,

     ai mia senhor velida!

 

     [B]arcas novas mandei fazer

e no mar as mandei meter,

     ai mia senhor velida!

 

Joan Zorro, Cantigas de Amigo

 

Trafaria (prox.). Almada. 8 Set. 95


 

terça-feira, 25 de agosto de 2026

Sesimbra

[pst 507] Sesimbra desenvolvera-se no cume de um morro sobranceiro mas um pouco distante do mar. É aqui que entra D. Afonso Henriques, após a conquista do castelo aos Mouros. Talvez já existisse então o povoado ribeirinho habitado por pescadores. Mais tarde o antigo burgo entra em decadência e é progressivamente abandonado para a sua população passar a viver nas terras baixas, no seio de uma concha onde convergem numerosos ribeiros, que mais tarde viria dar origem a um mais importante porto de pesca e a um lugar turístico, anexo a Lisboa.

 

Sesimbra. 21 Jan. 97


 

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Almada

[pst 506] "Quis a sorte que assim fosse e o Tejo abrisse no calcário estremenho um estuário largo e majestoso, fundo e aconchegado, que, depois de magoar os montes, os transformasse em miradoiros de sonho. E de cada colina onde a gente se debruça é o pasmo sem limitações, que abrange o céu e a terra na mesma agradecida emoção. Sobre a toalha límpida do rio cai luz a jorros de uma lâmpada hialina, escondida no tecto azul do cenário; e o movimento ritmado das embarcações, o perfil recortado do casario e o enquadramento dos longes arredondam a beleza da tela, dando-lhe realidade. E, quer queira, quer não, o espírito fica rendido a uma bênção de cor, de grandeza e de harmonia". (Miguel Torga, Portugal).

 

Almada. 4 Set. 95


 

domingo, 23 de agosto de 2026

Zona industrial de Setúbal

[pst 505] Todo o litoral localizado a este de Setúbal é fortemente industrializado, particularmente numa faixa de terra entre o rio Sado e o esteiro do Carvão. Ao percorrermos a estrada marginal encontramos, de um lado, as indústrias pesadas — os grandes estaleiros navais, fábricas de papel, tratamento de minério, entre outras; do outro, um lago imperturbável.

 

SAPEC — zona industrial de Setúbal. 21 Jan. 97


 

sábado, 22 de agosto de 2026

Aqueduto das Águas Livres

[pst 504] O aqueduto das Águas Livres é a maior e mais majestosa das obras do género construídas em Portugal. O processo que levou à sua construção é complexo e demorado. A primeira proposta de abastecimento de água à zona ocidental de Lisboa parte de Francisco de Holanda, ainda durante o reinado de D. Sebastião. Durante o reinado dos Filipes foram feitos importantes estudos. Só com D. João V, numa nova retoma do projecto, a obra é encetada no ano de 1731. No ano da sua conclusão, em 1748, o aqueduto atinge uma dimensão que excede os 58 km lineares, entre as nascentes do vale de Carenque e a Mãe de Água, situada no Rato, em Lisboa. A sua presença continua hoje a marcar, de forma impressiva e poderosa, os lugares do seu trajecto.

 

Aqueduto das Águas Livres, Caneças. Loures. 20 Jan. 97

 

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Montemor

[pst 503] Se quando percorremos alguns lugares mais desertos e inóspitos de Portugal nos sentimos de algum modo fascinados pela dimensão da sua solidão, não ficaremos, certamente, indiferentes à paisagem observada do cume de alguns cabeços nus na Área Metropolitana de Lisboa. Podemos aqui experimentar também uma estranha e ambígua noção de solidão. É um mundo diferente, uma malha urbanizada que alastra como uma mancha de óleo sem um fim perceptível. É o novo e perturbador território dos homens.

 

Montemor. Loures. 23 Jan. 97