sábado, 25 de julho de 2026

A criatividade da Natureza

[Paisagem Cruzada 17/25] Interessa-me a arte do ponto de vista da biologia. Não reproduziremos, de forma mais complexa, a criatividade da própria Natureza? Não segue a arte os princípios lógicos da vida? Na Terra, um corpo celeste em que tudo tem uma origem comum e está interligado, há algo que esteja fora da lógica da vida?

 

Poiares, prox., Freixo de Espada à Cinta, 2024

Santo Andrés, prox., Cércio, Miranda do Douro, 2024

 

sexta-feira, 24 de julho de 2026

Não há propósito

[Paisagem Cruzada 16/25] Na natureza, qualquer espécie não evolui com um propósito que não seja a sobrevivência, a reprodução, a adaptação permanente a um mundo dinâmico, que constantemente se transforma, a ritmos mais ou menos acelerados. Nada permanece.

 

Vale da ribeira do Mosteiro, Poiares, Freixo de Espada à Cinta, 2024

 

quinta-feira, 23 de julho de 2026

Dureza e evolução

[Paisagem Cruzada 15/25] Os tempos antigos, que nos são revelados pela arqueologia, são fascinantes, falam-nos de uma luta contínua pela sobrevivência, de momentos de extrema dureza e de um processo evolutivo descontínuo e sempre imprevisível.

 

Miranda do Douro, 2024

 

quarta-feira, 22 de julho de 2026

Realidade híbrida

[Paisagem Cruzada 14/25] A realidade não é algo fixo mas um mundo em transformação contínua. A maior evidência disto é a história do nosso planeta. De um um corpo celeste incandescente e inadequado à vida, foi evoluindo ao longo de milhares de milhões de anos até se tornar um habitat de vida, primeiro de bactérias e organismos unicelulares para formas mais complexas, plantas e animais. O que hoje fazemos condiciona o futuro breve.

Poiares, prox., Freixo de Espada à Cinta, 2024


terça-feira, 21 de julho de 2026

Vida e informação

[Paisagem Cruzada 13/25] Desde as suas formas mais básicas, elementares, a vida interpreta o entorno, transforma sinais, informação, em linguagem. Há quem defina a arte como algo inútil, sem qualquer funcionalidade. De algum modo a arte mimetiza processo biológicos básicos de ensaio adaptação a uma realidade em movimento. Neste sentido, a arte é profundamente útil. Como a ciência, a arte especula sobre novas interpretações da realidade. Os processos criativos são muito semelhantes na arte e na ciência. Partem da intuição que, no cérebro, no corpo de cientistas e artistas, conectam novas possibilidades de sentido da realidade. Mesmo as metodologias, sendo na ciência um conjunto de preceitos fixados, tendem a aproximar-se. Mesmo na arte, de forma menos sistemática, há uma sucessiva sobreposição de camadas que confluem numa obra. Há processos evolutivos na vida dos artistas e dos cientistas, como acontecem em qualquer ponto do planeta onde haja vida, estejamos, humanidade, presentes ou não.

 

Monóptero de São Gonçalo, Penas Róias, Mogadouro, 2024

 

Penas Róias, prox., Mogadouro, 2024

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Evidências incontornáveis

[Paisagem Cruzada 12/25] Estamos longe de conhecer tudo, mas já há uma série de evidências incontornáveis e sem contradições que nos falam da formação da Terra e da sua transformação ao longo de milhões de anos. Há evidências sobre a origem microscópica da vida, a sua evolução, ou sobre a origem das espécies e a forma como se foram desdobrando noutras espécies ao longo de milhares ou milhões de anos. Nunca vamos saber tudo, ou ter a certeza absoluta sobre a verdade de um determinado facto. Há dados que estão consolidados, que passaram de teorias a factos, como o campo gravítico da Terra, a deriva dos continentes, o evolucionismo. Saibamos distinguir as narrativas humanas, a sedutora literatura de mitos fundacionais da vida e de nós próprios, de uma realidade que, por vezes é tão estranha e, seguramente, muito mais rica do que qualquer narrativa humana escrita no passado.

 

Miradouro da Fraga Amarela, Picote, Miranda do Douro, 2025

 

domingo, 19 de julho de 2026

Explicar fenómenos

[Paisagem Cruzada 11/25] Admiro a história humana que nos trouxe ao presente, mas não vejo qualquer misticismo ou transcendência na Natureza. Entendo a religião como um fenómeno de relação com o desconhecido, que teve um papel fundamental no passado, ao longo de alguns milhares de anos. Atualmente não é necessária a religião para explicar o que quer que seja do mundo natural, apesar de muito ser ainda pouco conhecido. No entanto, as religiões, que são narrativas humanas, não deixam de traduzir um retrato de nós próprios à procura do conhecimento da realidade. A religião procura dar sentido a algo que não tem sentido, que é a vida. Tudo o que existe na Terra deve-se a fenómenos que são explicados pela ciência. E o que hoje nos escapa, assim tenhamos tempo, será conhecido no futuro.

 

Ermitério Os Santos, Picote, Miranda do Douro, 2024