sábado, 22 de agosto de 2026

Aqueduto das Águas Livres

[pst 504] O aqueduto das Águas Livres é a maior e mais majestosa das obras do género construídas em Portugal. O processo que levou à sua construção é complexo e demorado. A primeira proposta de abastecimento de água à zona ocidental de Lisboa parte de Francisco de Holanda, ainda durante o reinado de D. Sebastião. Durante o reinado dos Filipes foram feitos importantes estudos. Só com D. João V, numa nova retoma do projecto, a obra é encetada no ano de 1731. No ano da sua conclusão, em 1748, o aqueduto atinge uma dimensão que excede os 58 km lineares, entre as nascentes do vale de Carenque e a Mãe de Água, situada no Rato, em Lisboa. A sua presença continua hoje a marcar, de forma impressiva e poderosa, os lugares do seu trajecto.

 

Aqueduto das Águas Livres, Caneças. Loures. 20 Jan. 97

 

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Montemor

[pst 503] Se quando percorremos alguns lugares mais desertos e inóspitos de Portugal nos sentimos de algum modo fascinados pela dimensão da sua solidão, não ficaremos, certamente, indiferentes à paisagem observada do cume de alguns cabeços nus na Área Metropolitana de Lisboa. Podemos aqui experimentar também uma estranha e ambígua noção de solidão. É um mundo diferente, uma malha urbanizada que alastra como uma mancha de óleo sem um fim perceptível. É o novo e perturbador território dos homens.

 

Montemor. Loures. 23 Jan. 97



quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Laveiras

[pst 502] Não é apenas a construção de novos edifícios que contribui para a alteração da fisionomia dos espaços envolventes da cidade de Lisboa. A movimentação de terras, algumas de dimensão excessiva, nomeadamente para a edificação de grandes estruturas, alteram profundamente a topografia existente, contribuindo pouco a pouco para o desaparecimento de uma lógica primordial de entendimento da superfície da terra, baseado em montes e vales. Desenvolvem os homens novos padrões de leitura do espaço habitado.

 

Laveiras. Oeiras. 28 Jul. 90


 

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Falagueira

[pst 501] "As formas e espaços da chamada arquitectura dos clandestinos assumem hoje uma diversidade tal — poética, construtiva, funcional, plástica — que se torna urgente e interessante inventariar ou pelo menos listar as suas díspares modalidades, e tentar explica-las ou enquadra-las à luz de conceitos mais frescos e operacionais do que a simples polémica dos gostos renovados ou do espontaneísmo individualista e afirmativo, implícitos na criação arquitectural clandestina". (José Manuel Fernandes, Para uma introdução tipológica ao mundo clandestinoClandestinos em Portugal).

 

Moinho de vento, Falagueira. Amadora. Dez. 91


 

terça-feira, 18 de agosto de 2026

Agonia

 [pst 500] Até tempos recentes a implantação de edifícios obedecia a princípios relativamente claros, que se relacionava com a topografia do lugar ou com a preexistência de outras construções. Havia também uma rede viária que ajudava a conferir sentido às manchas urbanas. Hoje talvez seja cedo demais para compreendermos como nascem prédios de habitação de campos de cereais.

Edifícios de habitação — Agonia (prox.). Loures.  23 Jan. 97


 

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Serra de Carnaxide

[pst 499] Como acontece no resto da Estremadura, os moinhos de vento eram numerosos na região a norte de Lisboa. Na cumeeira da serra de Carnaxide, encontramos ainda as ruínas de alguns. Ocupam aqui um estranho vazio, que parece ter ficado esquecido de uma urbanização desenfreada que lhe chega perto.

 

Moinhos de vento — Serra de Carnaxide. Oeiras. 25 Jul. 90


 

domingo, 16 de agosto de 2026

Setenave

[pst 498] Como que para manter a escala e no respeito natural por uma horizontalidade sem limite do estuário do Sado, pequenos pinheiros mansos, árvores do clima mediterrâneo,  crescem lentamente, plantados em solo aterrado, roubado ao rio, em área de indústrias pesadas e poluentes.

 

Setenave — zona industrial de Setúbal. 21 Jan. 97