[Paisagem Cruzada 19/25] Estas são notas soltas para o pensamento da vida. É o desenvolvimento de ferramentas metodológicas em vários níveis de operatividade. Uma constelação de gestos desde o ato de caminhar, da recolha fotográfica, do arquivo de imagens, da produção de artefactos de comunicação, até à sistematização de ideias, no desprendimento de um mundo clássico que não pode deixar de ser olhado criticamente. E estamos numa fase sensível da história da Terra. Pela primeira vez na história da vida há uma espécie que está a provocar uma extinção em massa. As cinco grandes extinções que encontramos no registo fóssil, foram provocadas por eventos geológicos e climáticos, entre meteoritos e vulcões. Agora, com uma crescente celeridade, estamos, Homo sapiens, a mudar o clima. A resposta lenta deste mesmo clima tende a acelerar e parece ser uma evidência que o processo é irreversível. Talvez a humanidade um dia se tenha que juntar como um todo. Abolir fronteiras, alterar paradigmas culturais, locais, regionais, nacionais, e apontar para uma nova urbanidade. O regresso ao passado é manifestamente impossível, a não ser pela via da catástrofe.
Cidade Infinita
Fotografar um território vasto. Procurar em Portugal as raízes de uma identidade coletiva que se perde num tempo longo. Construir um arquivo fotográfico. Reinventar uma paisagem humana, uma ideia de arquitetura, uma cidade nova.
segunda-feira, 27 de julho de 2026
domingo, 26 de julho de 2026
História única
[Paisagem Cruzada 18/25] A história do planeta que habitamos é só uma. Tudo quanto existe foi aqui gerado, desde a formação, por acreção, de um corpo incandescente que encontrou uma órbita em torno de uma estrela. Essa órbita está a uma distância exata para que se encontre água no estado líquido.

Rio Douro, São João das Arribas, Aldeia Nova, Miranda do Douro, 2024
sábado, 25 de julho de 2026
A criatividade da Natureza
[Paisagem Cruzada 17/25] Interessa-me a arte do ponto de vista da biologia. Não reproduziremos, de forma mais complexa, a criatividade da própria Natureza? Não segue a arte os princípios lógicos da vida? Na Terra, um corpo celeste em que tudo tem uma origem comum e está interligado, há algo que esteja fora da lógica da vida?

Poiares, prox., Freixo de Espada à Cinta, 2024 
Santo Andrés, prox., Cércio, Miranda do Douro, 2024
sexta-feira, 24 de julho de 2026
Não há propósito
[Paisagem Cruzada 16/25] Na natureza, qualquer espécie não evolui com um propósito que não seja a sobrevivência, a reprodução, a adaptação permanente a um mundo dinâmico, que constantemente se transforma, a ritmos mais ou menos acelerados. Nada permanece.

Vale da ribeira do Mosteiro, Poiares, Freixo de Espada à Cinta, 2024
quinta-feira, 23 de julho de 2026
Dureza e evolução
[Paisagem Cruzada 15/25] Os tempos antigos, que nos são revelados pela arqueologia, são fascinantes, falam-nos de uma luta contínua pela sobrevivência, de momentos de extrema dureza e de um processo evolutivo descontínuo e sempre imprevisível.
quarta-feira, 22 de julho de 2026
Realidade híbrida
[Paisagem Cruzada 14/25] A realidade não é algo fixo mas um mundo em transformação contínua. A maior evidência disto é a história do nosso planeta. De um um corpo celeste incandescente e inadequado à vida, foi evoluindo ao longo de milhares de milhões de anos até se tornar um habitat de vida, primeiro de bactérias e organismos unicelulares para formas mais complexas, plantas e animais. O que hoje fazemos condiciona o futuro breve.
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| Poiares, prox., Freixo de Espada à Cinta, 2024 |
terça-feira, 21 de julho de 2026
Vida e informação
[Paisagem Cruzada 13/25] Desde as suas formas mais básicas, elementares, a vida interpreta o entorno, transforma sinais, informação, em linguagem. Há quem defina a arte como algo inútil, sem qualquer funcionalidade. De algum modo a arte mimetiza processo biológicos básicos de ensaio adaptação a uma realidade em movimento. Neste sentido, a arte é profundamente útil. Como a ciência, a arte especula sobre novas interpretações da realidade. Os processos criativos são muito semelhantes na arte e na ciência. Partem da intuição que, no cérebro, no corpo de cientistas e artistas, conectam novas possibilidades de sentido da realidade. Mesmo as metodologias, sendo na ciência um conjunto de preceitos fixados, tendem a aproximar-se. Mesmo na arte, de forma menos sistemática, há uma sucessiva sobreposição de camadas que confluem numa obra. Há processos evolutivos na vida dos artistas e dos cientistas, como acontecem em qualquer ponto do planeta onde haja vida, estejamos, humanidade, presentes ou não.




