domingo, 22 de agosto de 2021

Agradecimentos

[Suzanne Daveau 32] Maria Fernanda Alegria, que nunca foi aluna de Suzanne Daveau mas é, talvez, quem melhor conhece a sua obra, bem como os contornos da sua personalidade, determinada e persistente. O seu acompanhamento em todas as fases da construção desta edição foi fundamental, sempre com enorme sensibilidade, atenção e rigor. 

João Ribeiro, neto de Orlando Ribeiro e herdeiro natural do saber destes dois grandes geógrafos. Sempre manifestou a mais inteira disponibilidade e entusiasmo para colaborar em todos os aspetos do desenvolvimento deste projeto expositivo e editorial. Foi quem tornou fácil o diálogo com o Centro de Estudos Geográficos.

João Abreu, coordenador e editor da Associação Museu da Paisagem, acompanhou este projeto desde o início e participou nas entrevistas que foram feitas por si e Madalena Vidigal a Suzanne Daveau, de onde foram extraídas as citações que se encontram neste volume.

Christine de Roo, que tem, junto de Suzanne Daveau, há vários anos, ajudado a organizar todo o seu espólio

Mário Vale, Diretor do Centro de Estudos Geográficos na altura em que houve um primeiro contacto no sentido da autorização de acesso ao espólio fotográfico de Suzanne Daveau e pedido de apoio e colaboração para a realização dos dois livros, este Atlas Suzanne Daveau e a reedição de O Ambiente Geográfico Natural.

José Luís Zêzere, antigo aluno de Suzanne Daveau, tendo-se especializado em geomorfologia, certamente por si influenciado. Atual Diretor do Centro de Estudos Geográficos e que, na sequência do seu antecessor, prontamente manifestou o seu apoio à iniciativa. 

Maria Inês Cordeiro, Diretora da Biblioteca Nacional, que acolheu a ideia da exposição desde o primeiro momento em que esta lhe foi apresentada. Esta forma de receber o trabalho de Suzanne Daveau é a continuidade do que já tinha acontecido, há dez anos, com as comemorações do centenário de Orlando Ribeiro, que decorreram em 2011. Uma parte do espólio de Suzanne Daveau já se encontra à guarda da Biblioteca Nacional de Portugal. 

José Manuel Simões, Presidente do IGOT, Instituto de Geografia e Ordenamento do Território, geógrafo e editor de vários trabalhos que se focam especificamente na fotografia e na sua relação com a geografia.

Este trabalho seria certamente muito diferente se não tivesse sido acompanhado em grande proximidade por Suzanne Daveau. Sempre nos deu, autores, toda a liberdade na seleção de imagens e em qualquer outro elemento desta breve síntese. O processo de legendagem das fotografias foi um exemplo do rigor que põe em todos os aspetos do seu trabalho. A maior influência que deixa nestas páginas é, no entanto, de outra natureza. Suzanne lamenta alguma perda de memória que vai sentido com o decurso do tempo. Quem a ouve sente-se pequeno pela memória infinita de quase cem anos de vida. Transmitiu-nos a sabedoria de cada fotografia que comentava, mostrando-nos sempre mais do que a imagem que tínhamos nas mãos. Que este objeto-livro, bem como a exposição que lhe deu origem, sejam fiéis, que revelem um pouco da complexidade do seu pensamento, da sua sensibilidade, do permanente encantamento pelas paisagens onde repousamos o nosso olhar.


Suzanne Daveau, Biblioteca Nacional de Portugal, Lisboa, 2021

Tena, Bafora, Burkina Faso, 1959. (fotografia de Suzanne Daveau)

sábado, 21 de agosto de 2021

Biografia

[Suzanne Daveau 31] Suzanne Daveau (Paris, França, 1925) iniciou o seu percurso profissional como professora do ensino secundário em França. Mais tarde lecionou nas universidades de Besançon, Dakar, Reims e Lisboa. Tendo uma visão geral da Geografia, como ciência do Homem na Terra, desenvolveu a sua investigação sobretudo em Geomorfologia e Climatologia, Geografia Histórica e Regional, História da Geografia e Cartografia. A partir de 1965, trabalhou em estreita colaboração com Orlando Ribeiro (1911-1997). As suas principais obras são: Les Régions Frontalières de la Montagne Jurassienne (tese de doutoramento, 1959), O Ambiente Geográfico Natural (1970, 5ª ed., 2019), La Zone Intertropicale Humide (com O. Ribeiro, 1973), Distribuição e Ritmo de Precipitação em Portugal (1977), Portugal, o Sabor da Terra (com J. Mattoso e D. Belo, 1998, 2ª ed., 2010) e Um Antigo Mapa Corográfico de Portugal (2010).

Região de Limoges, França, 1940. (fotografia de Suzanne Daveau)


 

sexta-feira, 20 de agosto de 2021

Regressar ao desenho

[Suzanne Daveau 30] O facto de Suzanne Daveau ter pousado a sua câmara fotográfica, no ano 2000, não significou que tivesse igualmente deixado de viajar. Não. Vai trocar a fotografia pelo traço lento do desenho sobre o papel branco. Em pausas de excursões organizadas, continua a procurar o entendimento das paisagens, da relação da dimensão geológica e do coberto vegetal, com o povoamento humano. É a visão de uma Geografia abrangente que nunca abandonou o seu pensamento.

Trarza, Rkiz, Mauritânia, 1960-61. (fotografia de Suzanne Daveau)

quinta-feira, 19 de agosto de 2021

Atlas

[Suzanne Daveau 29] Em sentido geográfico estrito, um atlas é um conjunto de mapas. O Atlas Suzanne Daveau é um conjunto de fotografias, é uma representação do seu universo geográfico, das suas viagens pelo mundo. Não se trata de uma geografia sentimental da autora, pois as fotografias não foram selecionadas por si, apenas com o seu acompanhamento. Este atlas é um mapeamento fotográfico de um conjunto de lugares e da forma como estes são povoados. Este atlas é o rosto de uma mulher, o olhar-espelho que permanece depois da sua passagem, é o saber condensado na memória de um século, a sabedoria, a força misteriosa que ainda hoje emana da sua voz. É como se Suzanne Daveau transportasse toda a determinação humana no movimento das longas caminhadas do mais remoto passado, desde que os primeiros hominídeos abandonaram um território confinado e avançaram sobre paisagens desconhecidas, na procura de lugares para habitar. Foi este planeta Terra que nos moldou como espécie ao longo de centenas de milhares de anos. Se somos capazes das maiores atrocidades contra tudo, contra nós próprios, somos também movidos por uma curiosidade sem limites, o desejo de conhecimento da realidade em que crescemos, ou daquela que, à noite, observamos num céu denso de pontos luminosos. Procuramos uma verdade palpável que não é aquela apertada por religiões ou ideologias, nem é um modo simplista de interpretar ciência como tecnologia. O atlas de Suzanne Daveau não tem limites, não são os mapas que desenhou ao longo de toda a sua vida, não são estas fotografias, é um atlas do conhecimento do espaço e do tempo. Com frontalidade e sensibilidade, sem subterfúgios, Suzanne Daveau transporta-nos, em silêncio, por “toda” a terra de um planeta fascinante.

Nouadibou, Mauritânia, 1958. (fotografia de Suzanne Daveau)

 

quarta-feira, 18 de agosto de 2021

Campo de visão

[Suzanne Daveau 28] Estas fotografias são um movimento no tempo, mas não é um tempo linear. É um tempo humano, complexo, de viagens contínuas interrompidas, da impossibilidade de parar, do desejo de conhecimento, de abarcar o mundo e a sociedade. Ao voltarmos a um passado já tão remoto, transformamos a sua linearidade numa abstração. Na atualidade, com a aceleração do tempo histórico, com a vertigem introduzida pelas tecnologias digitais, por um consumo imparável de energia, pelas alterações climáticas, este passado de um século parece ficar, subitamente, inacessível. Mas permanece nestas fotografias, neste olhar sobrevivente. Há um planeta que, aparentemente, se está a transformar com uma celeridade antes não observada. Se dessa linha de tempo de 4,65 mil milhões de anos excluirmos as grandes convulsões, as extinções em massa, que transformaram de forma acentuada a vida, nunca no passado o clima terá aquecido de uma forma tão célere. O clima na Terra nunca foi estável, mas as alterações climáticas foram sempre graduais, dando o necessário tempo de adaptação a espécies biológicas, fossem elas vegetais ou animais. Estas fotografias de um século trazem-nos a memória do gelo.

Foi neste tempo mais frio, onde a velocidade era mais branda, que o campo de visão de Suzanne Daveau foi moldado, vasto e abrangente. Por oposição, hoje os olhares são mais curtos, sucintos, treinados para observar pequenas distâncias.

Importa reactivar esta relação com mundo, este conhecimento amplo e profundo, num mundo global, para a leitura dos lugares de proximidade. Na procura de recuperar um sentimento de pertença e reconstruir um sentido de responsabilidade em cuidar, de quem “carrega o mundo às costas”. É neste paradoxo entre localidade e globalidade que nos cruzamos com Suzanne Daveau e aprendemos o segredo do tempo.

 

Delphes, Grécia, 1956. (fotografia de Suzanne Daveau)

Nova Iorque, Estados Unidos da América, 1965. (fotografia de Suzanne Daveau)

 

segunda-feira, 16 de agosto de 2021

Tempo

[Suzanne Daveau 27] Já foi anteriormente referido Léon Robert. São da sua autoria as imagens com que encerramos esta visita ao universo fotográfico da sua neta Suzanne Daveau. De algum modo estas fotografias fazem um enquadramento do ambiente em que cresceu Suzanne, em que a sua mãe, Denise Robert, teve um papel preponderante, quer como alguém que vai passar o saber técnico da fotografia à sua filha, quer como uma mulher de grande sensibilidade para a visualidade, para o artístico, bem como pelo desejo de viagem e de conhecimento de diferentes paisagens, particularmente os Alpes, as montanhas, espaço de distanciamento a um mundo quotidiano.

Alpes, França, 1904. (Fotografia de Léon Robert, avô de Suzanne Daveau)


domingo, 15 de agosto de 2021

Natureza

[Suzanne Daveau 26] Talvez fosse óbvio começar a apresentação do trabalho fotográfico de Suzanne Daveau pelo tema da natureza, da geografia física, que tem na sua obra uma especial relevância. Ao ternos iniciado esta exposição pela ruralidade assumimos que havia um olhar e uma sensibilidade especial para a relação que, em qualquer ponto do planeta, estabelecemos, humanos, com o espaço promovendo a sua transformação. Seguiu-se o foco sobre a própria humanidade. Daí avançamos para as cidades, a mais complexa construção humana. Agora regressamos à natureza para uma reflexão entre este porto de partida. É aqui que olhamos para trás, para as pegadas do nosso caminhar, para o cuidado a ter para não destruirmos algo que, talvez, seja o sustento da nossa própria sobrevivência como espécie.

Dolomites, Áustria/Itália, 1953. (fotografia de Suzanne Daveau)