domingo, 30 de agosto de 2026

Alhandra

[pst 512] As grandes instalações industriais situadas à beira rio são as estruturas que mais marcam a paisagem das margens. Estranhos, poderosos e poluentes, são os recentes habitantes de betão e ferro das áreas mais desenvolvidas de Portugal.

 

Fabrica de Cimentos Tejo — Alhandra. Vila Franca de Xira.  18 Jan. 97


 

sábado, 29 de agosto de 2026

Póvoa de Santa Iria

[pst 511] Ao longo das margens do Tejo acontecem numerosas formas de ocupação dessa estreita faixa de terra próxima da água. Os pequenos povoados de pescadores revelam uma dimensão menos conhecida desta paisagem ribeirinha. Têm uma escala reduzida e hoje encontram-se escondidos por edifícios mais altos. Situadas entre o bairro e a linha de água há construções, feitas à base de madeira e detritos industriais, assentes sobre estacaria, onde geralmente são guardados equipamentos necessários à faina fluvial. É a partir daí, por um delicado embarcadouro, que é feito o acesso às embarcações.

 

Cais paliçado — Póvoa de Santa Iria. Vila Franca de Xira. 3 Set. 95


 

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Barroca

[pst 510]  

[...]

      E evoco, então, as crónicas navais:

Mouros, baixéis, heróis, tudo ressuscitado!

Luta Camões no Sul, salvando um livro a nado!

Singram soberbas naus que eu não verei jamais!

[...]

 

Cesário Verde, O sentimento dum ocidental — O Livro de Cesário Verde

 

Barroca, Amora. Seixal. 4 Set. 95


 

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Ponta dos Corvos

[pst 509] Os espaços residuais, decorrentes de actividades extintas ou alteradas pela evolução tecnológica, criam por vezes enormes vazios que tardam em ser reocupados por outro tipo de construções que "rentabilize" a sua superfície. Como a seca de bacalhau, na Ponta dos Corvos, em frente ao Seixal, permanece em abandono, enquanto uma vegetação rasteira toma progressivamente o sítio. Aqui, rodeados por uma urbanização maciça e sem ordem, encontramos um lugar em que somos levados a reflectir sobre os fazeres dos homens e a forma de como estes se relacionam com o seu espaço de habitar.

 

Seca do Bacalhau — Ponta dos Corvos. Seixal. 7 Abr. 90

 

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Trafaria

[pst 508]  

     En Lixboa sobre o mar

barcas novas mandei lavrar,

     ai mia senhor velida!

 

     En Lixboa sobre lo ler,

barcas novas mandei fazer,

     ai mia senhor velida

 

     [B]arcas novas mandei lavrar

e no mar as mandei deitar,

     ai mia senhor velida!

 

     [B]arcas novas mandei fazer

e no mar as mandei meter,

     ai mia senhor velida!

 

Joan Zorro, Cantigas de Amigo

 

Trafaria (prox.). Almada. 8 Set. 95


 

terça-feira, 25 de agosto de 2026

Sesimbra

[pst 507] Sesimbra desenvolvera-se no cume de um morro sobranceiro mas um pouco distante do mar. É aqui que entra D. Afonso Henriques, após a conquista do castelo aos Mouros. Talvez já existisse então o povoado ribeirinho habitado por pescadores. Mais tarde o antigo burgo entra em decadência e é progressivamente abandonado para a sua população passar a viver nas terras baixas, no seio de uma concha onde convergem numerosos ribeiros, que mais tarde viria dar origem a um mais importante porto de pesca e a um lugar turístico, anexo a Lisboa.

 

Sesimbra. 21 Jan. 97


 

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Almada

[pst 506] "Quis a sorte que assim fosse e o Tejo abrisse no calcário estremenho um estuário largo e majestoso, fundo e aconchegado, que, depois de magoar os montes, os transformasse em miradoiros de sonho. E de cada colina onde a gente se debruça é o pasmo sem limitações, que abrange o céu e a terra na mesma agradecida emoção. Sobre a toalha límpida do rio cai luz a jorros de uma lâmpada hialina, escondida no tecto azul do cenário; e o movimento ritmado das embarcações, o perfil recortado do casario e o enquadramento dos longes arredondam a beleza da tela, dando-lhe realidade. E, quer queira, quer não, o espírito fica rendido a uma bênção de cor, de grandeza e de harmonia". (Miguel Torga, Portugal).

 

Almada. 4 Set. 95