segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Almada

[pst 506] "Quis a sorte que assim fosse e o Tejo abrisse no calcário estremenho um estuário largo e majestoso, fundo e aconchegado, que, depois de magoar os montes, os transformasse em miradoiros de sonho. E de cada colina onde a gente se debruça é o pasmo sem limitações, que abrange o céu e a terra na mesma agradecida emoção. Sobre a toalha límpida do rio cai luz a jorros de uma lâmpada hialina, escondida no tecto azul do cenário; e o movimento ritmado das embarcações, o perfil recortado do casario e o enquadramento dos longes arredondam a beleza da tela, dando-lhe realidade. E, quer queira, quer não, o espírito fica rendido a uma bênção de cor, de grandeza e de harmonia". (Miguel Torga, Portugal).

 

Almada. 4 Set. 95


 

domingo, 23 de agosto de 2026

Zona industrial de Setúbal

[pst 505] Todo o litoral localizado a este de Setúbal é fortemente industrializado, particularmente numa faixa de terra entre o rio Sado e o esteiro do Carvão. Ao percorrermos a estrada marginal encontramos, de um lado, as indústrias pesadas — os grandes estaleiros navais, fábricas de papel, tratamento de minério, entre outras; do outro, um lago imperturbável.

 

SAPEC — zona industrial de Setúbal. 21 Jan. 97


 

sábado, 22 de agosto de 2026

Aqueduto das Águas Livres

[pst 504] O aqueduto das Águas Livres é a maior e mais majestosa das obras do género construídas em Portugal. O processo que levou à sua construção é complexo e demorado. A primeira proposta de abastecimento de água à zona ocidental de Lisboa parte de Francisco de Holanda, ainda durante o reinado de D. Sebastião. Durante o reinado dos Filipes foram feitos importantes estudos. Só com D. João V, numa nova retoma do projecto, a obra é encetada no ano de 1731. No ano da sua conclusão, em 1748, o aqueduto atinge uma dimensão que excede os 58 km lineares, entre as nascentes do vale de Carenque e a Mãe de Água, situada no Rato, em Lisboa. A sua presença continua hoje a marcar, de forma impressiva e poderosa, os lugares do seu trajecto.

 

Aqueduto das Águas Livres, Caneças. Loures. 20 Jan. 97

 

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Montemor

[pst 503] Se quando percorremos alguns lugares mais desertos e inóspitos de Portugal nos sentimos de algum modo fascinados pela dimensão da sua solidão, não ficaremos, certamente, indiferentes à paisagem observada do cume de alguns cabeços nus na Área Metropolitana de Lisboa. Podemos aqui experimentar também uma estranha e ambígua noção de solidão. É um mundo diferente, uma malha urbanizada que alastra como uma mancha de óleo sem um fim perceptível. É o novo e perturbador território dos homens.

 

Montemor. Loures. 23 Jan. 97



quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Laveiras

[pst 502] Não é apenas a construção de novos edifícios que contribui para a alteração da fisionomia dos espaços envolventes da cidade de Lisboa. A movimentação de terras, algumas de dimensão excessiva, nomeadamente para a edificação de grandes estruturas, alteram profundamente a topografia existente, contribuindo pouco a pouco para o desaparecimento de uma lógica primordial de entendimento da superfície da terra, baseado em montes e vales. Desenvolvem os homens novos padrões de leitura do espaço habitado.

 

Laveiras. Oeiras. 28 Jul. 90


 

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Falagueira

[pst 501] "As formas e espaços da chamada arquitectura dos clandestinos assumem hoje uma diversidade tal — poética, construtiva, funcional, plástica — que se torna urgente e interessante inventariar ou pelo menos listar as suas díspares modalidades, e tentar explica-las ou enquadra-las à luz de conceitos mais frescos e operacionais do que a simples polémica dos gostos renovados ou do espontaneísmo individualista e afirmativo, implícitos na criação arquitectural clandestina". (José Manuel Fernandes, Para uma introdução tipológica ao mundo clandestinoClandestinos em Portugal).

 

Moinho de vento, Falagueira. Amadora. Dez. 91


 

terça-feira, 18 de agosto de 2026

Agonia

 [pst 500] Até tempos recentes a implantação de edifícios obedecia a princípios relativamente claros, que se relacionava com a topografia do lugar ou com a preexistência de outras construções. Havia também uma rede viária que ajudava a conferir sentido às manchas urbanas. Hoje talvez seja cedo demais para compreendermos como nascem prédios de habitação de campos de cereais.

Edifícios de habitação — Agonia (prox.). Loures.  23 Jan. 97