segunda-feira, 6 de julho de 2026

Olívia

[Paisagem Cruzada 05/25] Ainda sobre Idanha-a-Nova saliento o facto de eu próprio ter relações familiares com aquele aglomerado. A minha avó materna, Olívia da Conceição Carriço, ali nasceu no ano de 1905. Esta exposição é um relato de paisagens cruzadas que poderiam ser mais extensivas. Por limitações de área expositiva, aqui apenas se  levanta o véu de um arquivo fotográfico pessoal que cobre todo o espaço português em mais de 2.500.000 de fotografias colhidas desde 1982 até ao presente.

 

Idanha-a-Nova, 2026
Olívia da Conceição Carriço, Vila do Conde, 1997

 

domingo, 5 de julho de 2026

Idanha-a-Nova

[Paisagem Cruzada 04/25] Alargando este conceito topológico de mapeamento fotográfico, é proposto um outro conjunto de imagens, o terceiro e último, de Idanha-a-Nova. Foi desta vila que partiu um conjunto de trabalhadores que vieram a prestar serviço nas obras da barragem de Picote, na década de 1950. Por diferentes motivos não ficaram albergados nas instalações da Hidroeléctrica do Douro, a empresa que edificou a barragem, construindo um conjunto de habitações precárias junto às arribas do rio, também designado bairro dos sacos de papel.

 

Idanha-a-Nova, 2026




 

sábado, 4 de julho de 2026

Duas unidades

[Paisagem Cruzada 03/25] Este projeto expositivo é composto por duas unidades fundamentais. Um plano vertical e um plano horizontal. O plano vertical, nas paredes, subdivide-se em três unidades-base: Há um conjunto de quatro painéis, cada um deles com 30 fotografias, que estruturam a exposição e desenham a sua razão. São apontamentos fotográficos de mapeamento do espaço em redor de Picote. É a própria aldeia; Barrocal do Douro, que nasce em meados do século passado no decurso da construção de uma barragem no rio Douro; o denominado Bairro da Idanha, de que hoje só restam ruínas e Miranda do Douro, a cidade que, de algum modo, polariza esta região vasta. Além destas quatro unidades que descrevem o território há ainda um conjunto de apontamentos de paisagens próximas, desde Barca d’Alva até ao miradouro da Penha das Torres, perto de Paradela, a norte de Miranda do Douro. No decurso deste levantamento foi percorrida e registada esta paisagem em que diferentes lugares estabelecem entre si relações espácio-temporais.

 

 

Exposição Paisagem Cruzada. Antiga Escola Primária de Picote. Miranda do Douro, 2026

 

sexta-feira, 3 de julho de 2026

Douro Internacional

[Paisagem Cruzada 02/25] Paisagem cruzada é uma exposição que tem como base o mapeamento fotográfico do território marcado pela presença do Douro Internacional. São mostrados mosaicos compostos por fotografias feitas nos últimos dois anos e acompanham o trabalho da arquiteta Cláudia Melo, que se encontra a desenvolver uma tese de doutoramento que engloba o património cultural e natural do Douro Internacional.

 

Rio Douro, Picote, Miranda do Douro, 2026


 

quinta-feira, 2 de julho de 2026

Encontros da Primavera, 2026

[Paisagem Cruzada 01/25] No dia 4 de junho do corrente ano, 2026, inaugurei uma exposição em Picote, no edifício da pequena escola primária da aldeia. A exposição enquadrava-se na programação dos Encontros da Primavera e esta foi a XXI edição. Estes Encontros visam uma reflexão em torno dos temas Arte e Antropologia e as múltiplas derivações que daí decorrem. Há uma ligação umbilical ao conceito de Natureza. Picote localiza-se próximo do rio Douro, do seu canhão fluvial que aqui faz fronteira com Espanha. Miranda do Douro é a sede de concelho e a cidade mais próxima. Estas publicações, aqui na Cidade Infinita, decorrem desta experiência expositiva e da necessidade sentida de clarificar alguns conceitos relacionados com a Arte, a Natureza, a criatividade e a nossa forma de relação com estas realidades. Aproximações ao entendimento da vida.

 

Rio Douro. Barrocal do Douro, prox. Picote, Miranda do Douro, 2026


quarta-feira, 25 de junho de 2025

Vislumbrar

[velocidade_utopia-9/9] Mais do que uma férrea disciplina metodológica, em que de fontes bibliográficas construímos o discurso, este texto foi esboçado em cadernos de escrita na madrugada. Palavras se erguem de um conjunto de referências indeterminadas, de leituras fragmentadas e indisciplinadas, de música, pedaços de filmes, conversas esparsas em quotidiano imprevisível. Qualquer tempo, qualquer lugar. Toda a terra antes das cidades. Frases que afloram à superfície de um conjunto de mais de 150.000 fotografias feitas no ano passado, 2024, à procura das, então, 159 cidades portuguesas (são atualmente 160). São fotografias recentes que integram um arquivo mais vasto, que, de um território reduzido, o espaço hoje Portugal, reflete um planeta inteiro. Imagens e palavras de pensamento. Peças de um imenso puzzle, fugidio e célere, de que estaremos longe de vislumbrar uma imagem coerente.

Barreiro, 2024

 

terça-feira, 24 de junho de 2025

Rua do passado

 [velocidade_utopia-8/9] Neste vórtice, com o vento forte no rosto, olhamos para trás. Apenas tentamos, agora, entender o presente, ao observarmos a rua do passado. Na história geológica e biológica do planeta que habitamos, que outra invenção haverá que nos permita um momento de tranquilidade, interromper a aceleração do presente? Retomo o caminho, deixando para trás uma clareira, um abrigo esporádico. Pela frente, uma viagem interminável. Iniciada há quatro mil milhões de anos, com as mais simples moléculas orgânicas, quando teve início o mais complexo fenómeno conhecido no Universo: a vida. Uma viagem concreta que se ergue da terra, de uma imensa curiosidade pelo conhecimento do labirinto que habitamos. Não é necessário procurar longe de casa, em geografias distantes, a velocidade da utopia.

Santarém, 2024