quinta-feira, 9 de junho de 2016

Santuário da Senhora dos Remédios

[pst 208] No local tinham existido outras capelas, uma das quais, de genuína feição renascentista, construída em 1568, foi demolida para a construção do Pátio dos Reis, integrado na escadaria monumental do santuário de Nossa Senhora dos Remédios.

Santuário da Senhora dos Remédios — Lamego. 19 de agosto de 1996

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Cidade atual

[viseu 11] Com a Democracia, a partir do 25 de Abril de 1974, a cidade acelera o seu desenvolvimento. Este crescimento não foi imediato, pois foram conturbados os anos seguintes à Revolução dos Cravos. Será com a adesão à Comunidade Económica Europeia, hoje União Europeia, em 1986, que todo um desenvolvimento com expressão territorial se começa a sentir de forma mais evidente. As arquiteturas também se vão internacionalizando cada vez mais, ao mesmo tempo que perdem um cunho de desenho local, vinculado a uma região específica. Não só na cidade vemos formas de desenho cuidado, mas no mundo rural surgem também alguns apontamentos de reinterpretações do que fora uma tradição secular de edificar. De qualquer forma as aldeias exibem problemas de desertificação parcial que não são sentidos de forma tão evidente na cidade.
Rua Poeta António José Pereira, Viseu. 2007


Viso, Viseu. 2015

terça-feira, 7 de junho de 2016

Desinvestimento progressivo

[pocinho-côa 6] Um desses “mundos”, umbilicalmente ligado ao Douro, é o rio Côa, que nasce na serra das Mesas. Nesta caminhada apenas percorremos o troço ferroviário estrelas as estações do Pocinho, atualmente estação terminal da Linha do Douro, e a estação do Côa, junto à foz daquele rio. Seguidamente visitámos o Museu do Côa, onde se encontra muito bem representada e exposta a interpretação da arte dos gravadores do vale ao longo de milhares de anos. Esta obra, o Museu, nasceu do fim da barragem. De então para cá houve um  desinvestimento progressivo, por parte do governo da República, na região, naquele extraordinário complexo cultural. Esta é a imagem, tantas vezes repetida, de tentativas de investimento pontuais no interior do país. Nunca houve, nunca foi tentada, uma política baseada no conhecimento da Terra, na interpretação do território, nas leituras do seu significado, nas relações topológicas entre lugares próximos ou distantes. Talvez esteja no entendimento da terra, dos seus valores, nos seus habitantes, uma das chaves mais sólidas e sustentáveis de um futuro benigno, respeitador de uma integração humana num espaço que não é nosso, mas de uma complexa rede de seres de outras espécies de que dependemos também. A história do Vale do Côa conta-nos, de forma viva, passos importantes da evolução humana, desde os primeiros traços, até à atualidade.
Réplica de gravuras rupestres. Museu do Côa. Vila Nova de Foz Côa. 2016

Museu do Côa. Vila Nova de Foz Côa. 2016

Museu do Côa. Vila Nova de Foz Côa. 2016

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Estação ferroviária do Côa

[pst 207] Os trabalhos levados a efeito para a abertura da linha do Douro têm início em 1873, em Ermesinde, próximo do Porto. A obra, uma das maiores levadas a efeito pelo ministério de Fontes Pereira de Melo, só termina em 1887, com a construção de parte da ligação à cidade espanhola de Salamanca. Incrementava-se assim o escoamento dos produto vinícolas da região, sendo progressivamente abandonado o barco rabelo. Hoje, um troço da linha já foi abandonado e o comboio continua a perder terreno a favor do transporte rodoviário.

Rio Douro — Estação ferroviária do Côa. Vila Nova de Foz Côa. 11 de abril de 1995

domingo, 5 de junho de 2016

Cidade xx

[viseu 10] A cidade xx, foi de crescimento lento, mas, de qualquer modo, significativamente mais célere do que a cidade histórica. A interioridade e a ruralidade estão ainda marcadas pelo período muito instável da Implantação da República e, depois, pela estabilidade oprimida do Estado Novo. Foi um século difícil com períodos prolongados de miséria muito acentuados, particularmente para um Portugal interior. Só na década de 60 é que se começa a vislumbrar a possibilidade de abandono deste círculo de pobreza, quer com a fuga para as grandes cidades, sobretudo Lisboa, mas principalmente com a saída do país, com a emigração, pois vivíamos numa economia demasiado fechada para permitir qualquer espécie de desenvolvimento.
Avenida Dr. António José de Almeida, Viseu. 2015

Rotunda Carlos Lopes, Viseu. 2015

Rua Dr. Azeredo Perdigão, Viseu. 2015

sábado, 4 de junho de 2016

Fronteira que liga

[pocinho-côa 5] O Douro é uma fronteira, um limite, mas também um canal que liga mundos distantes, que põe em relação lugares que, aparentemente, nada têm de comum entre si. Os afluentes que contribuem para o seu enorme caudal, se são outras linhas que estendem este mundo complexo e ramificado que sobe montanhas e percorre as terras frias. Estamos perante uma gigantesca concha que desde muito cedo acolheu distintas vagas civilizacionais.
Linha do Douro. Vila Nova de Foz Côa. 2016

Rio Douro. Vila Nova de Foz Côa. 2016
Rio Douro. Vila Nova de Foz Côa. 2016

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Rio Douro — Foz da ribeira do Mosteiro

[pst 206] Em 1933 o Instituto do Vinho do Porto encomenda a Domingos Alvão o registo fotográfico da paisagem duriense e das atividades vitivinícolas. "Durante anos, os fotógrafos da Casa Alvão (o próprio Domingos Alvão, Álvaro de Azevedo e outros) percorreram de lés a lés, o Douro vinhateiro, captando, em pormenor, todas as fases da vida do vinhedo, desde a preparação do terreno à plantação, da evolução e tratamento das vinhas até à vinificação. § Subiram às quintas de renome e a casais ermos, às vilas e cidades. Seguiram pelos caminhos dos serros até à floresta primitiva de zimbros, torgos, estevas, rosmaninhos, medronheiros e sobreiros. Acompanharam o comboio até Barca de Alva. Desceram ao rio, pelas rodeiras estreitas por onde chiavam os carros de bois. Assistiram à carregação das pipas de vinho nos rebelos e à aventura dos arrais e marinheiros pelo Douro fora até ao Porto". (Gaspar Martins Pereira — O Douro de Domingos Alvão). O Douro, entretanto, perdia alguma da magia registada. Permanecia imutável a dimensão cósmica do vale.

Rio Douro — Foz da ribeira do Mosteiro, Poiares. Freixo de Espada à Cinta. 25 de agosto de 1994