sexta-feira, 31 de julho de 2026

Raridade

[Paisagem Cruzada 23/25] A vida é uma manifestação de ordem contra a entropia. Talvez por isso a vida deva ser rara no Universo. Ainda não conhecemos vida fora do nosso planeta. A Próxima Centauri é a estrela mais próxima do sistema solar. Fica a 4,2 anos-luz do nosso Sol. Tudo, no Universo, é demasiado distante, e a nossa Terra é demasiado única para que não a tratemos com o máximo cuidado.

 

Monsaraz, prox., Reguengos de Monsaraz, 2006

 

quinta-feira, 30 de julho de 2026

Modelos lógicos

[Paisagem Cruzada 22/25] Numa cidade do conhecimento talvez seja mais fácil perceber a lógica da vida. Desenvolver modelos sociais que não assentem na superioridade moral de uns grupos sobre os outros, nem numa crença irracional na ideia de mérito e de virtude, ou que uma economia próspera trará riqueza para toda a gente. A construção de uma cidade ideal é uma ilusão. Os conflitos, a divergência, são fundamentais. A vida é também fundada em relações, no diálogo que, não raras vezes, assume a face de confronto, de guerra. Aprimoramos sistemas defensivos, imunitários, que são construções notáveis da própria vida. Não vamos acreditar em paraísos que nunca vão ser encontrados. A vida é uma viagem, é, para cada um de nós, o habitar um hiato de tempo e espaço no Universo, é sermos o elo de ligação entre o passado e o presente. Nesta linha que nos cabe, convertemos matéria em energia e vice-versa. E assim desenhamos utopias que nos dão alento para não desistir. Talvez seja esta, e uma enorme curiosidade pelo conhecimento, o mais distintivo traço Homo sapiens.

 

Barrocal do Douro, Picote, Miranda do Douro, 2026

 

quarta-feira, 29 de julho de 2026

Sistemas de conhecimento

[Paisagem Cruzada 21/25] Promover diferentes sistemas de conhecimento. Não sou professor, embora já tenha passado pelo ensino. Apontaria alguns princípios metodológicos para uma transformação da maior parte dos atuais modelos de ensino-aprendizagem. Promover o caminhar e o contacto com a Natureza (próxima dos locais de habitar de cada população). Promover as manualidades e o uso do corpo, da expressão corporal, na qual incluiria o teatro, a dança e o desporto. Estimular a escrita manual e o desenho. Não negar nenhuma das ferramentas eletrónicas atuais, mas usá-las com moderação, sobretudo pelos mais jovens. Não perder o contacto com o mundo analógico. Como linha programática, fundar as aprendizagens na evidência e na capacidade que a arte tem para nos mostrar o sublime, mesmo quando os conceitos são mais complexos. Sensibilizar os estudantes de qualquer idade para o lento processo evolutivo que nos conduziu ao presente. A biologia é um fascinante labirinto que se ergue das ciências fundamentais (a Física e a Química), com o apoio da linguagem matemática. Em última instância, tudo o que existe no Universo pode ser traduzido em expressões numéricas. Para fazermos qualquer coisa, não precisamos de ter dentro de nós a mais erudita biblioteca. Fazer é não temer.

 

Barrocal do Douro, prox., Picote, Miranda do Douro, 2026

 

terça-feira, 28 de julho de 2026

Que lugar?

[Paisagem Cruzada 20/25] Não creio que as religiões nos afastem de um beco sem saída, do vórtice em que estamos mergulhados. O pensamento de uma transcendência pode ter um significado individual e ser pontualmente benéfico para quem o exercita. Não creio que para um grupo alargado de pessoas uma ideia de religião seja fértil, ou nos conduza, globalmente, a um lugar melhor.

 

Paradela, prox., Miranda do Douro, 2024

 

segunda-feira, 27 de julho de 2026

Método e pensamento

[Paisagem Cruzada 19/25] Estas são notas soltas para o pensamento da vida. É o desenvolvimento de ferramentas metodológicas em vários níveis de operatividade. Uma constelação de gestos desde o ato de caminhar, da recolha fotográfica, do arquivo de imagens, da produção de artefactos de comunicação, até à sistematização de ideias, no desprendimento de um mundo clássico que não pode deixar de ser olhado criticamente. E estamos numa fase sensível da história da Terra. Pela primeira vez na história da vida há uma espécie que está a provocar uma extinção em massa. As cinco grandes extinções que encontramos no registo fóssil, foram provocadas por eventos geológicos e climáticos, entre meteoritos e vulcões. Agora, com uma crescente celeridade, estamos, Homo sapiens, a mudar o clima. A resposta lenta deste mesmo clima tende a acelerar e parece ser uma evidência que o processo é irreversível. Talvez a humanidade um dia se tenha que juntar como um todo. Abolir fronteiras, alterar paradigmas culturais, locais, regionais, nacionais, e apontar para uma nova urbanidade. O regresso ao passado é manifestamente impossível, a não ser pela via da catástrofe.

Duas Igrejas, Miranda do Douro, 2024

 

domingo, 26 de julho de 2026

História única

[Paisagem Cruzada 18/25] A história do planeta que habitamos é só uma. Tudo quanto existe foi aqui gerado, desde a formação, por acreção, de um corpo incandescente que encontrou uma órbita em torno de uma estrela. Essa órbita está a uma distância exata para que se encontre água no estado líquido.

Rio Douro, São João das Arribas, Aldeia Nova, Miranda do Douro, 2024

 

sábado, 25 de julho de 2026

A criatividade da Natureza

[Paisagem Cruzada 17/25] Interessa-me a arte do ponto de vista da biologia. Não reproduziremos, de forma mais complexa, a criatividade da própria Natureza? Não segue a arte os princípios lógicos da vida? Na Terra, um corpo celeste em que tudo tem uma origem comum e está interligado, há algo que esteja fora da lógica da vida?

 

Poiares, prox., Freixo de Espada à Cinta, 2024

Santo Andrés, prox., Cércio, Miranda do Douro, 2024

 

sexta-feira, 24 de julho de 2026

Não há propósito

[Paisagem Cruzada 16/25] Na natureza, qualquer espécie não evolui com um propósito que não seja a sobrevivência, a reprodução, a adaptação permanente a um mundo dinâmico, que constantemente se transforma, a ritmos mais ou menos acelerados. Nada permanece.

 

Vale da ribeira do Mosteiro, Poiares, Freixo de Espada à Cinta, 2024

 

quinta-feira, 23 de julho de 2026

Dureza e evolução

[Paisagem Cruzada 15/25] Os tempos antigos, que nos são revelados pela arqueologia, são fascinantes, falam-nos de uma luta contínua pela sobrevivência, de momentos de extrema dureza e de um processo evolutivo descontínuo e sempre imprevisível.

 

Miranda do Douro, 2024

 

quarta-feira, 22 de julho de 2026

Realidade híbrida

[Paisagem Cruzada 14/25] A realidade não é algo fixo mas um mundo em transformação contínua. A maior evidência disto é a história do nosso planeta. De um um corpo celeste incandescente e inadequado à vida, foi evoluindo ao longo de milhares de milhões de anos até se tornar um habitat de vida, primeiro de bactérias e organismos unicelulares para formas mais complexas, plantas e animais. O que hoje fazemos condiciona o futuro breve.

Poiares, prox., Freixo de Espada à Cinta, 2024


terça-feira, 21 de julho de 2026

Vida e informação

[Paisagem Cruzada 13/25] Desde as suas formas mais básicas, elementares, a vida interpreta o entorno, transforma sinais, informação, em linguagem. Há quem defina a arte como algo inútil, sem qualquer funcionalidade. De algum modo a arte mimetiza processo biológicos básicos de ensaio adaptação a uma realidade em movimento. Neste sentido, a arte é profundamente útil. Como a ciência, a arte especula sobre novas interpretações da realidade. Os processos criativos são muito semelhantes na arte e na ciência. Partem da intuição que, no cérebro, no corpo de cientistas e artistas, conectam novas possibilidades de sentido da realidade. Mesmo as metodologias, sendo na ciência um conjunto de preceitos fixados, tendem a aproximar-se. Mesmo na arte, de forma menos sistemática, há uma sucessiva sobreposição de camadas que confluem numa obra. Há processos evolutivos na vida dos artistas e dos cientistas, como acontecem em qualquer ponto do planeta onde haja vida, estejamos, humanidade, presentes ou não.

 

Monóptero de São Gonçalo, Penas Róias, Mogadouro, 2024

 

Penas Róias, prox., Mogadouro, 2024

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Evidências incontornáveis

[Paisagem Cruzada 12/25] Estamos longe de conhecer tudo, mas já há uma série de evidências incontornáveis e sem contradições que nos falam da formação da Terra e da sua transformação ao longo de milhões de anos. Há evidências sobre a origem microscópica da vida, a sua evolução, ou sobre a origem das espécies e a forma como se foram desdobrando noutras espécies ao longo de milhares ou milhões de anos. Nunca vamos saber tudo, ou ter a certeza absoluta sobre a verdade de um determinado facto. Há dados que estão consolidados, que passaram de teorias a factos, como o campo gravítico da Terra, a deriva dos continentes, o evolucionismo. Saibamos distinguir as narrativas humanas, a sedutora literatura de mitos fundacionais da vida e de nós próprios, de uma realidade que, por vezes é tão estranha e, seguramente, muito mais rica do que qualquer narrativa humana escrita no passado.

 

Miradouro da Fraga Amarela, Picote, Miranda do Douro, 2025

 

domingo, 19 de julho de 2026

Explicar fenómenos

[Paisagem Cruzada 11/25] Admiro a história humana que nos trouxe ao presente, mas não vejo qualquer misticismo ou transcendência na Natureza. Entendo a religião como um fenómeno de relação com o desconhecido, que teve um papel fundamental no passado, ao longo de alguns milhares de anos. Atualmente não é necessária a religião para explicar o que quer que seja do mundo natural, apesar de muito ser ainda pouco conhecido. No entanto, as religiões, que são narrativas humanas, não deixam de traduzir um retrato de nós próprios à procura do conhecimento da realidade. A religião procura dar sentido a algo que não tem sentido, que é a vida. Tudo o que existe na Terra deve-se a fenómenos que são explicados pela ciência. E o que hoje nos escapa, assim tenhamos tempo, será conhecido no futuro.

 

Ermitério Os Santos, Picote, Miranda do Douro, 2024

 

sábado, 18 de julho de 2026

Gestos intencionais

[Paisagem Cruzada 10/25] Há muitas interpretações que cruzam arte, religião, arqueologia e vários outros campos de saber. O género Homo já, há mais de um milhão de anos, deixava o rasto de gestos intencionais em utensílios e parcos vestígios de habitação, de acampamentos. Foz Côa, bem como outros lugares, sobretudo grutas, mostra-nos a representação de, predominantemente, animais. Entendo Foz Côa como o embrião de uma cidade humana. O hiato temporal em que nos começámos a desprender de uma natureza intacta e a criar o nosso próprio habitat. Um gesto conceptual de profundo significado na história da vida na Terra.

 

Sítio da Quinta da Barca, Chãs, Vila Nova de Foz Côa, 1996

Sítio da Penascosa, Chãs, Vila Nova de Foz Côa, 1996

 

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Visão

[Paisagem Cruzada 09/25] Entendo a fotografia, sobretudo, como visão, menos como a procura de imagens soltas a que poderíamos chamar arte. Em 1995 fotografei as gravuras do Côa. Estávamos no auge de uma polémica que marcou uma parte do quotidiano informativo de então. A construção da barragem de Foz Tua iria provocar a submersão de um notável conjunto de gravuras datadas do Paleolítico Superior. Foi nesta altura que conheci estes desenhos inscritos na pedra. Trata-se de uma obra gráfica absolutamente singular, pela sua antiguidade, pela beleza dos seus traços, pela estranheza como irrompem na paisagem e a, subtilmente, transformam.

 

Sítio da Penascosa, Castelo Melhor, Vila Nova de Foz Côa, 1995

Sítio da Penascosa, Castelo Melhor, Vila Nova de Foz Côa, 1995

 

sábado, 11 de julho de 2026

O sentido e a lógica

[Paisagem Cruzada 08/25] Num lugar afastado de grandes centros urbanos, como esta antiga escola primária de Picote, podemos desenhar um ensaio, uma experiência para o uso do tempo. A vida não tem sentido, mas tem princípios lógicos, formulações, equações matemáticas, relações das quatro forças elementares que gerem o Universo. Articulamos geometrias à procura da fertilidade, da permanência. Entre mutações aleatórias, erros, improbabilidades, dispersões de significado, explosões, deixamos linhas nas paisagens que atravessamos. Mais tarde, podemos observar traços que são ensaios de futuro.

 




 

sexta-feira, 10 de julho de 2026

O entorno da entropia

[Paisagem Cruzada 07/25] Em frases soltas, reflexões entrelaçadas. Há um país inteiro, fragmento planetário, que se percorre com uma câmara fotográfica, um dispositivo de visão. São geradas imagens, textos e quadros que se constituem num arquivo. Lugar de memória. Realidades paralelas erguem-se para lá de uma ideia de representação. A par de artefactos de comunicação e partilha, como esta exposição, Paisagem Cruzada, cresce a entropia de um sistema que se articula com tudo o que o rodeia. Há o sedutor apelo de uma vertigem em aceleração.


 

quarta-feira, 8 de julho de 2026

Antiga escola

[Paisagem Cruzada 06/25] O painel horizontal irradia a partir de um núcleo composto por 144 palavras. Com o título de su56-vórtice esta peça contém todos os elementos estruturais do trabalho que desenvolvo no processo de mapeamento do espaço português. Há ainda uma série de apontamentos metodológicos, em duas linhas ortogonais, sobre o modo como esta exposição é construída. Dado estarmos no edifício de uma antiga escola primária (que hoje se designa de ensino básico), é aqui também mostrado um projeto educativo que, acima de tudo, constitui uma reflexão sobre o conhecimento ou os modos, pela criatividade em diferentes áreas, de relacionar arte e ciência. No fundo é o desenho evolutivo de uma humana cidade imaginária, ou como as paisagens, um jogo de utopias cruzadas.

 

Antiga escola primária de Picote, Miranda do Douro, 2026

Antiga escola primária de Picote, Miranda do Douro, 2026


  

terça-feira, 7 de julho de 2026

João Abreu

Não consigo precisar a data em que conheci o João Abreu, mas terá sido em 1996 ou 1997, quando era ainda aluno de Álvaro Duarte de Almeida, um professor que nos marcou a ambos de uma forma muito vincada. Foi o continuar de uma história de paixão pela terra, pela paisagem, pelo património, pelo espaço português. Nesses anos de final da década de 1990 fizemos algumas viagens juntos, quer a pé, quer de carro. O objetivo era sempre conhecer o país, fotografar e tentar produzir conhecimento em livros, exposições, projetos. Depois deu-se um intervalo, 15 anos, talvez, em que tivemos poucos contactos. Quotidianos atarefados, com filhos pequenos, tomaram-nos toda a disponibilidade.

O João Abreu iniciou a criação do Museu da Paisagem, no âmbito de um projeto que o próprio desenvolveu, na Escola Superior de Comunicação Social, do Instituto Politécnico de Lisboa. Estávamos em 2017 quando me chamou para colaborar no projeto. Aderi sem hesitação. Em abril de 2019 saiu um primeiro livro: Ler a Paisagem: Território Tejo, já com a chancela Museu da Paisagem. No ano seguinte seria editada a trilogia Portugal 15-5-20, composta pelos volumes Caminhar Oblíquo, Depois da Estrada e Viagem Maior. Este último desenvolvi com o João, em coautoria. Seguiram-se mais uma série de livros, entre os quais Terra Mineral, Terra Vegetal, também a quatro mãos, numa homenagem a A.M. Galopim de Carvalho e Fernando Catarino. A edição mais recente é Portugal Refractário, um País entre o Imobilismo e a Mudança, com textos de António Araújo. O lançamento foi na livraria Palavra de Viajante, em Lisboa, e foi o próprio João a fazer a apresentação. 

Na altura o João já lutava pela sua saúde. Fê-lo com enorme determinação e coragem, até hoje. 

O João fazia as coisas acontecerem sem qualquer ambição mediática ou de protagonismo. Sei de alunos para quem foi um professor marcante nos seus percursos formativos. Tinha uma enorme sensibilidade para o Design, a sua área de formação. Foi co-fundador da editora Planeta Tangerina. Pensava a estrutura de cada publicação como o jogo de várias camadas que tornam legível e bela qualquer ideia de complexidade. Era um arquiteto de livros. Sem nunca se ter dedicado à fotografia com a disponibilidade que, creio, gostaria, fez um conjunto notável de imagens, muitas publicadas na Viagem Maior, em que nos devolve uma belíssima interpretação de um país em mais de 7000 km de viagem. Arrisco dizer que foi o Museu da Paisagem a sua maior paixão no campo dos fazeres e na sua indefectível vontade de divulgar o espaço português. Neste sentido foi um homem de enorme generosidade e entrega, enquanto editor, sem esperar receber algo em troca. Queria apenas que os livros circulassem e fossem lidos.

Enquanto pôde trabalhou diariamente no seu, de todos, museu imaginário que se foi tornando cada vez mais real. O João desenhava uma utopia que não era para ele próprio mas para todos nós. Seguia o seu caminho, na interpretação da geologia, da biologia, de todas as marcas deixadas por nós, Homo sapiens, sobre a Terra. Com enorme sabedoria, do alto das serras, perscrutava horizontes vastos.

Nos tempos difíceis em que vivemos, de acentuada instabilidade global, política e climática, o seu trabalho é em si mesmo uma paisagem, um lugar sereno, de pausa, de reflexão. Olhemos esses horizontes de fertilidade criativa que o João nos deixa no irrecusável convite para continuarmos.

 

João Abreu. Ponta de São Lourenço, Madeira, 2018

 

segunda-feira, 6 de julho de 2026

Olívia

[Paisagem Cruzada 05/25] Ainda sobre Idanha-a-Nova saliento o facto de eu próprio ter relações familiares com aquele aglomerado. A minha avó materna, Olívia da Conceição Carriço, ali nasceu no ano de 1905. Esta exposição é um relato de paisagens cruzadas que poderiam ser mais extensivas. Por limitações de área expositiva, aqui apenas se  levanta o véu de um arquivo fotográfico pessoal que cobre todo o espaço português em mais de 2.500.000 de fotografias colhidas desde 1982 até ao presente.

 

Idanha-a-Nova, 2026
Olívia da Conceição Carriço, Vila do Conde, 1997

 

domingo, 5 de julho de 2026

Idanha-a-Nova

[Paisagem Cruzada 04/25] Alargando este conceito topológico de mapeamento fotográfico, é proposto um outro conjunto de imagens, o terceiro e último, de Idanha-a-Nova. Foi desta vila que partiu um conjunto de trabalhadores que vieram a prestar serviço nas obras da barragem de Picote, na década de 1950. Por diferentes motivos não ficaram albergados nas instalações da Hidroeléctrica do Douro, a empresa que edificou a barragem, construindo um conjunto de habitações precárias junto às arribas do rio, também designado bairro dos sacos de papel.

 

Idanha-a-Nova, 2026




 

sábado, 4 de julho de 2026

Duas unidades

[Paisagem Cruzada 03/25] Este projeto expositivo é composto por duas unidades fundamentais. Um plano vertical e um plano horizontal. O plano vertical, nas paredes, subdivide-se em três unidades-base: Há um conjunto de quatro painéis, cada um deles com 30 fotografias, que estruturam a exposição e desenham a sua razão. São apontamentos fotográficos de mapeamento do espaço em redor de Picote. É a própria aldeia; Barrocal do Douro, que nasce em meados do século passado no decurso da construção de uma barragem no rio Douro; o denominado Bairro da Idanha, de que hoje só restam ruínas e Miranda do Douro, a cidade que, de algum modo, polariza esta região vasta. Além destas quatro unidades que descrevem o território há ainda um conjunto de apontamentos de paisagens próximas, desde Barca d’Alva até ao miradouro da Penha das Torres, perto de Paradela, a norte de Miranda do Douro. No decurso deste levantamento foi percorrida e registada esta paisagem em que diferentes lugares estabelecem entre si relações espácio-temporais.

 

 

Exposição Paisagem Cruzada. Antiga Escola Primária de Picote. Miranda do Douro, 2026

 

sexta-feira, 3 de julho de 2026

Douro Internacional

[Paisagem Cruzada 02/25] Paisagem cruzada é uma exposição que tem como base o mapeamento fotográfico do território marcado pela presença do Douro Internacional. São mostrados mosaicos compostos por fotografias feitas nos últimos dois anos e acompanham o trabalho da arquiteta Cláudia Melo, que se encontra a desenvolver uma tese de doutoramento que engloba o património cultural e natural do Douro Internacional.

 

Rio Douro, Picote, Miranda do Douro, 2026


 

quinta-feira, 2 de julho de 2026

Encontros da Primavera, 2026

[Paisagem Cruzada 01/25] No dia 4 de junho do corrente ano, 2026, inaugurei uma exposição em Picote, no edifício da pequena escola primária da aldeia. A exposição enquadrava-se na programação dos Encontros da Primavera e esta foi a XXI edição. Estes Encontros visam uma reflexão em torno dos temas Arte e Antropologia e as múltiplas derivações que daí decorrem. Há uma ligação umbilical ao conceito de Natureza. Picote localiza-se próximo do rio Douro, do seu canhão fluvial que aqui faz fronteira com Espanha. Miranda do Douro é a sede de concelho e a cidade mais próxima. Estas publicações, aqui na Cidade Infinita, decorrem desta experiência expositiva e da necessidade sentida de clarificar alguns conceitos relacionados com a Arte, a Natureza, a criatividade e a nossa forma de relação com estas realidades. Aproximações ao entendimento da vida.

 

Rio Douro. Barrocal do Douro, prox. Picote, Miranda do Douro, 2026