segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Olhar do trabalho

[Paisagem Cruzada 24/25] O que posso escrever, dizer, tem uma estrita relação com o meu trabalho. Caminho sobre a terra com um dispositivo de visão, uma câmara fotográfica. Observo e registo o espaço. Fixo pedaços de tempo. Um arquivo-memória cresce e exige um considerável trabalho (uso aqui esta palavra no sentido da Física, a aplicação de uma força a um corpo que lhe altera uma posição inicial; há energia que se aplica, que se vai buscar a outro lado do sistema, em que parte se dissipa, gerando maior complexidade e entropia). Mais de 2.500.000 de fotografias obrigam à criação de ferramentas metodológicas específicas. A sensação é a de estarmos em perda permanente. Como um organismo que cresce em que passo exige um esforço adicional em relação ao anterior. Há momentos em que deixa de ser possível voltar atrás.

 

Exposição Paisagem Cruzada, Picote, Miranda do Douro, 2026