[Paisagem Cruzada 24/25] O que posso escrever, dizer, tem uma estrita relação com o meu trabalho. Caminho sobre a terra com um dispositivo de visão, uma câmara fotográfica. Observo e registo o espaço. Fixo pedaços de tempo. Um arquivo-memória cresce e exige um considerável trabalho (uso aqui esta palavra no sentido da Física, a aplicação de uma força a um corpo que lhe altera uma posição inicial; há energia que se aplica, que se vai buscar a outro lado do sistema, em que parte se dissipa, gerando maior complexidade e entropia). Mais de 2.500.000 de fotografias obrigam à criação de ferramentas metodológicas específicas. A sensação é a de estarmos em perda permanente. Como um organismo que cresce em que passo exige um esforço adicional em relação ao anterior. Há momentos em que deixa de ser possível voltar atrás.
