[Alberto Carneiro 16] No jogo humano de modelação da face dos solos, criar o seu próprio território, a Natureza interpela-nos com desconcerto, como que a deixar à nossa leitura que a Terra requer um compromisso para o seu habitar. Caminhamos sobre essa terra, respiramos eras antigas, um pouco do futuro, o ensaio evolutivo da significação inexistente. O tempo passa. Corpos celestes movem-se no frio escuro do espaço sideral. Cosmos.
Fotografar um território vasto. Procurar em Portugal as raízes de uma identidade coletiva que se perde num tempo longo. Construir um arquivo fotográfico. Reinventar uma paisagem humana, uma ideia de arquitetura, uma cidade nova.
terça-feira, 10 de dezembro de 2019
quinta-feira, 5 de dezembro de 2019
Filamentos
[Alberto Carneiro 15] Quando viajamos sob um céu descoberto ou nos caminhos da floresta, longe das cidades, há elementos que prendem a nossa atenção, sobretudo vegetais entrelaçados, troncos, ramos, teias finas de filamentos, musgos, como se neles nos sugerissem uma ausência de nós próprios, de uma condição racional, para o regresso ao passado muito remoto em que teremos dado os primeiros passos. Os lugares pouco povoados são espaços do tempo longo, onde os elementos estão sujeitos à ordem natural, onde os humanos não deixam a sua ânsia de transformação e fuga.
quarta-feira, 4 de dezembro de 2019
Terra
[Alberto Carneiro 14] Viajamos para campo aberto, para longe. Lugares distantes e distintos. Observamos a natureza intacta, as suas formas vegetais. Não podemos ficar indiferentes a estes elementos, como se houvesse a necessidade de a eles justapormos uma linguagem simbólica que permita a sua descodificação. Constantemente relembramos o labor de Alberto Carneiro. A invenção da palavra parecia há muito estar inscrita nesta orgânica biológica que nos antecedeu e nos acompanha.
segunda-feira, 2 de dezembro de 2019
Jardim
[Alberto Carneiro 13] Saímos para o jardim exterior. Há humidade. Voltamos a encontrar peças dispersas, mas agora essas esculturas estão integradas com a própria natureza, aqui contida, limitada por muros. Há elementos trazidos de outras paisagens, pedras. Há o verde que cresce, que se entrecruza com o próprio imaginário que percorremos. Uma imensa geografia.
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Espaço de Alberto Carneiro, São Mamede do Coronado, Trofa. 2015
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Espaço de Alberto Carneiro, São Mamede do Coronado, Trofa. 2015
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sábado, 30 de novembro de 2019
Modos de permanência
[Alberto Carneiro 12] Tudo existe de forma aleatória, ensaiam-se modos de permanência e este pode ser o sentido da existência, permanecer, movimentarmo-nos, levar longe no tempo os genes que transportamos, reserva de memória para a continuidade da vida.
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Espaço de Alberto Carneiro, São Mamede do Coronado, Trofa. 2015
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sexta-feira, 29 de novembro de 2019
Natureza como linguagem
[Alberto Carneiro 11] No trabalho de Alberto Carneiro há uma transição da Natureza para a linguagem ou uma hipótese possível para o desenvolvimento embrionário de uma descodificação das formas da natureza, uma tradução de conexões, invenção de símbolos. Há uma interpretação do mundo que é transposta, que é deslocalizada, matéria nova, transformada numa outra coisa. Há uma decifração dos elementos do ambiente exterior para a invenção de uma mensagem partilhada. Peças de arte que são a proposta de um diálogo, da invenção da escrita, da palavra polissémica.
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Espaço de Alberto Carneiro, São Mamede do Coronado, Trofa. 2015
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Espaço de Alberto Carneiro, São Mamede do Coronado, Trofa. 2015
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quinta-feira, 28 de novembro de 2019
Ataduras
[Alberto Carneiro 10] Observamos as pequenas intervenções, como as ataduras de algumas peças, que prendem os ramos, canas ou outros elementos vegetais. Este é mais um gesto que agarra o seu significado a uma leitura do mundo rural, das práticas longamente aplicadas em meios arcaicos, de práticas agrícolas antigas.
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| Espaço de Alberto Carneiro, São Mamede do Coronado, Trofa. 2015 |
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