[pst 525] "As frequentes transformações de espaços existentes pelo uso do azulejo e da talha, o enriquecimento ornamental de algumas fachadas, ou o surto de pequenas construções de planta central, vão denunciando o desejo de ultrapassar a austeridade dos tempos de privilégio para as construções militares. Neste contexto Santa Engrácia é a grande aventura e a última dos homens da Aula do Paço onde se formou João Antunes, seu autor. A forte marcação territorial através de uma escala monumental digna de Lisboa, não espanta quem já tenha reconhecido essa qualidade na arquitectura que a precede, usando diferentes meios económicos, desde o românico ao manuelino, da arquitectura sebástica às torres das igrejas de Braga a demarcar os novos limites da cidade. A sobriedade da decoração e a pobreza austera dos panos murários mostram Portugal, país, onde também é possível conhecer os desenhos de Bramante publicados por Serlio. A novidade mesmo, é o facto de o organismo único que é o seu interior ser envolvido por uma casca que se autonomiza em dinâmica curvatura verdadeiramente barroca". (Alexandre Alves Costa, Introdução ao Estudo da História da Arquitectura Portuguesa).

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