segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

Jardim

[Alberto Carneiro 13] Saímos para o jardim exterior. Há humidade. Voltamos a encontrar peças dispersas, mas agora essas esculturas estão integradas com a própria natureza, aqui contida, limitada por muros. Há elementos trazidos de outras paisagens, pedras. Há o verde que cresce, que se entrecruza com o próprio imaginário que percorremos. Uma imensa geografia.

Espaço de Alberto Carneiro, São Mamede do Coronado, Trofa. 2015

Espaço de Alberto Carneiro, São Mamede do Coronado, Trofa. 2015

sábado, 30 de novembro de 2019

Modos de permanência

[Alberto Carneiro 12] Tudo existe de forma aleatória, ensaiam-se modos de permanência e este pode ser o sentido da existência, permanecer, movimentarmo-nos, levar longe no tempo os genes que transportamos, reserva de memória para a continuidade da vida.

Espaço de Alberto Carneiro, São Mamede do Coronado, Trofa. 2015

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Natureza como linguagem

[Alberto Carneiro 11] No trabalho de Alberto Carneiro há uma transição da Natureza para a linguagem ou uma hipótese possível para o desenvolvimento embrionário de uma descodificação das formas da natureza, uma tradução de conexões, invenção de símbolos. Há uma interpretação do mundo que é transposta, que é deslocalizada, matéria nova, transformada numa outra coisa. Há uma decifração dos elementos do ambiente exterior para a invenção de uma mensagem partilhada. Peças de arte que são a proposta de um diálogo, da invenção da escrita, da palavra polissémica.

Espaço de Alberto Carneiro, São Mamede do Coronado, Trofa. 2015

Espaço de Alberto Carneiro, São Mamede do Coronado, Trofa. 2015

quinta-feira, 28 de novembro de 2019

Ataduras

[Alberto Carneiro 10] Observamos as pequenas intervenções, como as ataduras de algumas peças, que prendem os ramos, canas ou outros elementos vegetais. Este é mais um gesto que agarra o seu significado a uma leitura do mundo rural, das práticas longamente aplicadas em meios arcaicos, de práticas agrícolas antigas.

Espaço de Alberto Carneiro, São Mamede do Coronado, Trofa. 2015

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Arte

[Alberto Carneiro 09] Descemos para um outro espaço onde estão algumas obras de Alberto Carneiro. Como que caminhamos entre as ruínas deixadas por uma tempestade, mas as marcas que encontramos são as das goivas e dos formões, das serras. Não se trata de uma paisagem assolada por uma catástrofe, por ventos ciclónicos, abalos violentos, derrocadas, cheias, matérias transportadas aleatoriamente para locais distantes. Aqui há o desenho que parte do envolvimento físico com as peças de madeira, pressentem-se gestos de uma luta dura, de um trabalho sem descanso, de uma força imparável, as mãos e o corpo sem repouso, o limiar da exaustão. As noites habitadas pelo desejo célere da madrugada seguinte. Deste tempo longo, que apenas intuímos, ficam as marcas delicadas, os veios subtis, as texturas surpreendentes. Uma nova natureza, como se este fosse o natural passo seguinte de formas que procuram a sobrevivência no diálogo com o tempo que passa sobre um mundo mutante, efémero, veloz e agreste.

Espaço de Alberto Carneiro, São Mamede do Coronado, Trofa. 2015

Espaço de Alberto Carneiro, São Mamede do Coronado, Trofa. 2015



segunda-feira, 25 de novembro de 2019

Livros

[Alberto Carneiro 08] Nas lombadas dos livros identificamos como que toda a procura humana das formas, da arte, dos sons, da palavra, como se na espessura daquelas paredes, na sequência ordenada das páginas de volumes desencontrados estivesse o sentido perplexo do espaço e do tempo contemporâneos. Estava ali plasmada toda a história conhecida da escultura, da pintura, da arquitetura, de todos os fazeres subtis que nos conduzem ao presente. Ali estava também a construção lenta de um fazer, as margens de uma vida funcional, a busca da arte que interpela o mundo desconhecido, a escultura de cosmogonias. Mas os livros são também futuro, são as leituras vindouras mesmo que nunca se venham a realizar, são uma reserva de tempo e de pensamento para viver mais tarde, são demora, presença, presente constante e imutável.

Espaço de Alberto Carneiro, São Mamede do Coronado, Trofa. 2015

sábado, 23 de novembro de 2019

Biblioteca

[Alberto Carneiro 07] A biblioteca de Alberto Carneiro é uma cidade suspensa sobre a natureza, sobre o seu espaço de trabalho, sobre o imenso jardim que criou, que é a sua obra, onde quotidianamente trabalha. Há aqui busca de uma síntese, de tudo aquilo que fez, de um caminho que se ramifica em veredas densas, de um passado que ganha complexidade e espessura com o decurso do tempo. Nada é neutro nesta “cidade”, tudo tem uma posição selecionada, posta deliberadamente, pensada. Não haverá uma geometria totalitária, mas uma determinação de ordem topológica, acionada por uma memória sem fim, sem limites, por vezes apenas latente, mas que a qualquer momento desperta na construção de histórias, sempre irrepetíveis.

Espaço de Alberto Carneiro, São Mamede do Coronado, Trofa. 2015

Espaço de Alberto Carneiro, São Mamede do Coronado, Trofa. 2015