quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Regresso ao tempo longo

[arquivo cidade 064] Ao longo de trinta anos de viagens raramente tivera a oportunidade de observar lugares onde sejam pouco evidentes as mudanças, as transformações do espaço, como ali, no alto destas montanhas, acontecia. Mas havia um facto muito curioso relativo às fotografias que estava agora a fazer. Agora não só abandonara o preto e branco em favor da cor, como fazia uma quantidade de fotografias consideravelmente maior. Em termos de documentalismo conseguia uma cobertura da montanha muito mais abrangente. E este era um dos principais objetivos dessa viagem.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Interpretar, fazer

[arquivo cidade 063] Dessas montanhas isoladas e distantes, passava para outros territórios, na tentativa de os observar, registar, conhecer, interpretar, para, sobre eles, produzir algo, um jogo de fotografias e palavras. Partilhar um saber adquirido com o tempo, com os lugares.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Vinte e um anos

[arquivo cidade 062] Em agosto de 2012 tinham passado 21 anos sobre esta viagem e três sobre a serra da Peneda. Estávamos de novo em agosto. O objetivo de um regresso ao Gerês era a procura de um certo isolamento da civilização e, ao mesmo tempo, fazer uma série de recolhas fotográficas já com a tecnologia digital, inacessível na primeira viagem.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Recuar

[arquivo cidade 061] Continuava a recuar no tempo à procura de montanhas do passado. No dia 15 de agosto de 1991 partia do Campo do Gerês na direção dos pontos mais elevados dessa montanha. O percurso não fora muito linear, na procura de pontos interessantes na serra. A 25 de agosto chegava a Tourém, o destino final, onde iria permanecer até ao dia seguinte. Estava percorrida toda a serra do Gerês pela sua cumeeira, sensivelmente pela linha de fronteira que ali separa os dois países ibéricos. Eram estas viagens que pontualmente recordava, particularmente quando percorria algumas das fotografias feitas na altura, agora arrumadas em arquivo.

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Introdução final

[arquivo cidade 060] Na procura do significado do trabalho em campo aberto, voltava agora a recordar a primeira tentativa para subir à serra da Peneda em 1993. Uma leitura errada das cartas topográficas e uma penosa incursão por uma área de vegetação densa acabaria por ditar o fim da caminhada. Só muito mais tarde regressaria, em 2009. Nesta segunda tentativa, nos dias 25 e 26 de agosto, o mau tempo, chuva e um nevoeiro cerrado, impedia a visibilidade e as recolhas fotográficas. Poucos dias depois voltava para uma nova tentativa, agora em solitário. Ao descer do topo, a 6 de setembro, dois dias depois de ter iniciado a caminhada, estava concluído o registo fotográfico da última serra de Portugal, das suas terras de cume. Era um objetivo de duas décadas. Esta era como a introdução final das viagens, início de novos projetos, de novas formas de abordar o regresso à terra.


quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Transportar tecnologia

[arquivo cidade 059] As recolhas fotográficas mesmo quando feitas em condições de precariedade, exigem uma câmara fotográfica que, ainda que com modelos arcaicos, não deixa de ser uma tecnologia avançada, mesmo que se usem técnicas antigas para a fixação da imagem. 

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Ter presente

[arquivo cidade 058] Não esquecemos que tudo isto, caminhadas duras, se fazem dentro de uma margem de segurança, com alimentação garantida, mesmo que com pouco. E há as aldeias onde a qualquer momento podemos buscar auxílio. Há equipamento tecnologicamente avançado, leve, confortável. A água já nos pode remeter para outras limitações e cuidados, particularmente em tempo quente e seco, quando as fontes estão secas. Avançamos.