terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Gratidão na sombra

[arquivo cidade 028] Fica um agradecimento muito especial a Carlos Semedo, programador e coordenador de produção das residências artísticas promovidas pelo município de Castelo Branco, a quem devo o convite para conhecer e trabalhar sobre tão singular território e, sobretudo, as conversas tidas que muito contribuíram para o olhar que se apresenta nestas imagens. Não poderei também deixar de agradecer a Celeste Rodrigues, presidente da Junta de Freguesia de Sarzedas, a forma como mobilizou a população da sua freguesia e tornou possível o tão bom acolhimento deste projeto. A ambos a minha gratidão por uma das experiências mais intensas e significativas desta caminhada de várias décadas entre paisagens e fotografias.

Ribeira da Lisga, Lisga, Sarzedas, Castelo Branco. 2016

Ribeira do Alvito, Sesmo, Sarzedas, Castelo Branco. 2016

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Suspeitar

[arquivo cidade 027] A confirmação das suspeitas que levanta este trabalho de fotografia do território, particularmente, como neste caso, em que há o regresso várias vezes aos mesmos lugares, em dias consecutivos, ou com o intervalo de poucas semanas. na conversa com os habitantes da Lisga, quase todos manifestam alguma apreensão sobre alguém que por ali andou a fotografar em dias consecutivos. Em encontros ocasionais, nesses dias de recolha fotográfica, sempre é deixado clara a natureza e os objetivos deste trabalho. mas quem observa ao longe este labor desconfia de alguém que por ali anda, por terras que raramente recebem a visita de quem vem de fora.
Sesminho, Sarzedas, Castelo Branco. 2016

domingo, 8 de janeiro de 2017

Uma conversa

[arquivo cidade 026] No dia 28 de outubro de 2016 sou convidado para ir apresentar o trabalho desenvolvido à aldeia da Lisga. Levo comigo um documento preparado com as fotografias da exposição que acabava de ser montada em Sarzedas. Provavelmente esta população envelhecida e com pouca capacidade de transporte, não se deslocará a Sarzedas, até ao final do ano. Depois de uma breve apresentação do trabalho, feita por Carlos Semedo, promotor do evento, e pela presidente da Junta de Freguesia de Sarzedas, Celeste Rodrigues, avanço para a projeção das imagens. Nunca no passado tivera a oportunidade de falar com uma população que nada tem de próximo com este género de registo. O ruído das conversas e comentários alterna com o silêncio. Vou avançando com a projeção e os comentários pontuais às imagens. Da apreensão inicial, pela especificidade do público, rapidamente me apercebo que há uma identificação com as imagens, com os lugares que elas representam. Há o reconhecimento da terra por alguém que vem de fora e se fixa em fatores aparentemente insignificantes, mas que dizem muito àquela população. De uma forma inesperada, encontro no olhar e nas palavras daquelas pessoas, algo do sentido mais profundo do que eu próprio procuro no meu trabalho: a representação da terra, a identificação e o reconhecimento dos lugares, a materialização de uma “geografia” própria, a convicção de que o conhecimento dos lugares e das formas sábias da sua sobrevivência são elementos chave para o desenho de uma mundo mais qualificado, informado e livre. Fotografias que tentam captar a estrutura e a face dos lugares, das povoações e das paisagens.
Ribeira do Alvito, Sesmo, prox., Sarzedas, Castelo Branco. 2016

Sesmo, Sarzedas, Castelo Branco. 2016

sábado, 7 de janeiro de 2017

Sarzedas

[arquivo cidade 025] Sarzedas é uma vila que já fica de fora do espaço que se tomou como referência de trabalho, mas o facto de ali se realizar a exposição, levou à inclusão de algumas fotografias na exposição. Dessas imagens, algumas são de arquivo, feitas em 1996, outras em 2003. As mais recentes são já deste ano de 2016. Nestas representações é percetível a passagem do tempo, mas há uma estrutura urbana que se mantém e que é muito interessante. A povoação é definida por duas linhas, duas ruas paralelas. Ao centro há uma pequena praça onde se localiza o Pelourinho, símbolo de um antigo poder municipal que entretanto se perdeu. Ao fundo do povo, a nascente, está a igreja matriz. Do alto de um cabeço, no topo de uma torre sineira isolada, vemos extensas paisagens em todas as direções. O Moradal e a sua sombra estão próximos.
Sarzedas, Castelo Branco. 2016

Sarzedas, Castelo Branco. 2003

Sarzedas, Castelo Branco. 1996

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Fragmentos

[arquivo cidade 024] Percorremos as terras altas, as linhas de festo que envolvem a ribeira da Lisga. Percebemos, do alto, a dimensão de isolamento destas paisagens. Para norte, ao longe, vemos montanhas: Gardunha, Estrela, Açôr, Lousã. Para Sul sentimos o enunciar do vale do rio Tejo e das terras mais planas. Horizontes longínquos.
Lisga, Sarzedas, Castelo Branco. 2016

Lisga, prox., Sarzedas, Castelo Branco. 2016

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Ruínas

[arquivo cidade 023] Uma civilização que se perde. Gestos humanos poderão querer resgatá-la, fixar a memória de antigos construtores de paisagens. Talvez não faça hoje sentido lutar pela integração numa natureza dura em que apenas a falta de diferentes caminhos levou a erguer tão notáveis obras. Hoje percorremos a arqueologia de um tempo que queremos compreender, mas que quem o habitou o quer esquecer.
 
Pomar, Sarzedas, Castelo Branco. 2016

Lisga, Sarzedas, Castelo Branco. 2016

Lisga, Sarzedas, Castelo Branco. 2016
 

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Natureza

[arquivo cidade 022] A Natureza vai tomando progressivamente antigos campos agrícolas. As águas de uma ribeira que correm ininterruptamente. Desenhos tornados vivos pela erosão das cheias sazonais. Plantas que mostram poderosas raízes. Expressões perplexas de vida que se revelam no movimento efémero do transporte de uma folha sobre a água, ou na chuva que desenha círculos na sua superfície, que ao mesmo tempo aviva o verde permanente.
Ribeira do Alvito, Sesmo, Sarzedas, Castelo Branco. 2016

Ribeira do Alvito, Sesmo, Sarzedas, Castelo Branco. 2016

Ribeira do Alvito, Lisga, Sarzedas, Castelo Branco. 2016