[porque fotografo-03] O que aqui procuro é, no fundo, o entendimento da vida. Há momentos, no decurso da nossa existência, de acentuada dureza. São inevitáveis. Acontecem, por vezes, quando menos se espera. As fotografias crescem paralelamente com a vida, com a nossa evolução, adaptação permanente a um mundo em mudança e múltiplas dimensões. A luta pela sobrevivência é um jogo milenarmente repetido pelos nossos pais, pelos nossos antepassados, desde um tempo em que, tão pouco, tínhamos a forma humana.
Fotografar um território vasto. Procurar em Portugal as raízes de uma identidade coletiva que se perde num tempo longo. Construir um arquivo fotográfico. Reinventar uma paisagem humana, uma ideia de arquitetura, uma cidade nova.
sexta-feira, 14 de julho de 2023
quinta-feira, 13 de julho de 2023
#02. Sentir o corpo em movimento
[porque fotografo-02] Uma questão fundamental deste trabalho é o reconhecimento de um corpo que se move sobre o espaço, em diálogo permanente com a captação de sinais, decodificados e interpretados pelo pensamento. Cada sessão de fotografias é um rasto, uma linha, que se deixa escrita num mapa. Com o passar dos anos, sentir a transformação do corpo, a perda de elasticidade, as lesões, a dor, sem deixar de perder o fascínio pela complexidade desta máquina que somos. Adaptar, progressivamente, o método e possibilidades, à condição física, planear tarefas, movimentos, usar a experiência para uma melhor gestão da nossa relação com os lugares, as paisagens.
quarta-feira, 12 de julho de 2023
Porque fotografo o que fotografo
[porque fotografo-01] No dia 20 de novembro de 2021, aquando da realização do Imaginature - VII Festival Fotografia de Paisagem, em Manteigas, Luís Afonso, fotógrafo de paisagem e programador do festival, perguntou-me, à mesa do almoço, porque fotografo o que fotografo. A resposta parecer-me-ia óbvia, se não me tivesse sido formulada. Há perguntas que são inesperadas por não estarmos preparados para lhes respondermos. Ficou a inquietação, que ainda hoje se abre em novas respostas, sempre indeterminadas.
Os tópicos que se vão seguir não têm uma ordem específica ou qualquer hierarquia. Cada publicação far-se-á acompanhar por duas fotografias. Ao contrário do que habitualmente faço, estas imagens não serão identificadas com a localização ou a data.
01. Fixar a memória da terra
A memória é uma das mais singulares invenções da matéria e da vida. No núcleo de cada célula, de cada ser vivo, encontra-se o ADN, que contém todas as instruções, codificadas, para a construção de um corpo. A fotografia é um modo de memória. O registo fotográfico do espaço é uma forma de consolidar a nossa relação, humanos, com o espaço, com a paisagem, com os lugares. Tudo se move, tudo se transforma. A fixação de um espaço num tempo específico, cria uma referência congelada que irá, mais tarde, servir de base para a comparação com o momento atual. Esta é uma forma de conhecimento da transformação do espaço e da matéria. Podemos construir narrativas, moldar o futuro dentro de várias possibilidades. Que nunca tal nos sirva para tentarmos parar o vento com as mãos. Que uma parte do trabalho tenha um carácter objetivamente útil.
terça-feira, 8 de novembro de 2022
Nota final
[três viagens 60] Viajo pouco, fora de Portugal. Tenho optado por tentar conhecer, de forma tendencialmente exaustiva, o espaço português. Este território, como outros, mas não todos, é como um labirinto que nunca abarcamos na totalidade. Aí reside um dos fascínios da terra: tudo está em permanente movimento. Estive em Estocolmo no ano 2007. Uma cidade muito organizada, mas não tanto quanto eu imaginava, numa reconhecida ordem e civilidade nórdica. Estocolmo, Lisboa ou Viseu, qualquer cidade é uma manifestações da biologia, reprodução da entropia progressiva, mas também o desejo da ordem que encontramos no corpo, essa complexa máquina que nos transporta em movimento alegórico pelo Universo. [Esta é a última publicação desta série sobre três viagens].
domingo, 6 de novembro de 2022
A terra antiga
[três viagens 59] Há uma ideia base que, progressivamente, vou assumindo como sendo estruturante neste labor que desenvolvo. Tudo, no planeta que habitamos, resulta de princípios biológicos evolutivos. Nós, humanos, somos uma espécie animal que, num tempo longo, de seis, sete milhões de anos, desenvolveu um conjunto de valências que representou uma enorme vantagem face a todas as outras espécies que, connosco, competiram por recursos. Inventámos artefactos, extensões de corpo, a linguagem simbólica, as cidades. Tudo, tudo é resultante de um processo em que não é possível voltar para trás. Nunca nada se repetiu na história da vida na Terra. Houve, no passado, grandes cataclismos que extinguiram parte significativa da biodiversidade de então. O que se seguiu, após as cinco maiores extinções em massa que ocorreram na história da Terra, foi sempre um recrudescimento do número de espécies. Não adianta querermos voltar à terra antiga. As cidades são uma definitiva conquista biológica.
sexta-feira, 4 de novembro de 2022
Desfazer
[três viagens 58] Procuro o manifesto de um fazer, o desfazer de lugares comuns em vários e afastados domínios. A sedução de um caminho interminável, na busca de uma ideia de verdade em que, mamíferos, humanos, Sapiens, somos um capítulo, um acontecimento na história da vida na Terra, ou quando, no Universo, a matéria procura contrariar a entropia, o gigantismo do caos.
quinta-feira, 3 de novembro de 2022
Clara obscuridade
[três viagens 57] Estas viagens concretas, com os pés na terra, são esse caminho, ao mesmo tempo claro e obscuro, como se uma estranha força nos animasse. Não há transcendência religiosa neste trabalho, mas o movimento quântico da matéria, energia em espaço e tempo.





