[fotografias_como_lugar-02] Em termos metodológicos, na seleção de fotografias para cada sessão, houve a preocupação de estabelecer contrastes, conflitos, choques entre aquilo que mostram as fotografias quando corridas sequencialmente. Foi a procura e representação de uma realidade contemporânea, plena de ruído, de obstáculos, que dificulta a compreensão das forças em jogo nos tabuleiros do quotidiano que, no fundo, estão presentes nas seis dicotomias propostas aos doze oradores.
Fotografar um território vasto. Procurar em Portugal as raízes de uma identidade coletiva que se perde num tempo longo. Construir um arquivo fotográfico. Reinventar uma paisagem humana, uma ideia de arquitetura, uma cidade nova.
domingo, 25 de outubro de 2026
sábado, 24 de outubro de 2026
Fazer Lugares
[fotografias_como_lugar-01] Aceito o desafio lançado por André Barata e João Seixas para selecionar um conjunto de fotografias para acompanharem as sessões da iniciativa Fazer Lugares. O título é só por si muito estimulante, muito para além de uma ideia de arquitetura que imediatamente me aflora o pensamento. Os seis temas propostos foram o principal mote para a escolha das imagens. O percurso académico de cada um dos dois oradores de cada sessão foi outro dos fatores tidos em conta, numa tentativa de aproximar as imagens da palavra e do pensamento dos participantes. Dado as fotografias serem apresentadas no início de cada sessão, como introdução visual aos temas em discussão, fixei um total de 25 imagens, todas feitas em território português, com a indicação do local e a data da captura. Na procura de um retrato do espaço contemporâneo, praticamente todas as fotografias foram feitas desde 2020, com algumas exceções. O conjunto das imagens é, de algum modo, um reflexo do espaço atual, entre paisagens de natureza intacta, onde se notam poucas marcas de presença humana, e o coração das maiores cidades. Projetadas as imagens, ficava como fundo um plano-mosaico com as 25 fotografias, que permanecia até ao final da sessão.
domingo, 20 de setembro de 2026
Lisboa
[pst 533] "Porém, o que resta hoje do antigo esplendor, da glória de tantos séculos? Um eco do passado nas páginas da História, o sol puro da tua Primavera, os restos dos paços e templos que os terramotos te não consumiram, e o grande vulto das águas do amplo ádito do Tejo." (Alexandre Herculano, A voz do profeta invocando as grandezas de Lisboa).
sábado, 19 de setembro de 2026
Cova do Vapor
[pst 532] Na Cova do Vapor o Tejo encontra o mar. Termina o maior percurso fluvial da Península Ibérica e talvez o mais significativo da paisagem portuguesa. Também por aqui passaram e passam importantes episódios da formação de um Estado soberano. A foz do rio é muito larga e não se sabe bem onde acaba o rio e o mar começa.
sexta-feira, 18 de setembro de 2026
Praia da Ursa
[pst 531] Dá-se aqui o encontro de uma poderosa dimensão telúrica com a grandeza avassaladora do mar. A praia da Ursa, na serra de Sintra, mantem integra uma imagem de litoral que já com alguma dificuldade encontramos por aí.
quinta-feira, 17 de setembro de 2026
Praia de Carcavelos
[pst 530] O forte de S. Julião da Barra foi construído sobre um promontório, definido pela Ponta da Laje, para defesa da entrada do Tejo. Para poente deste lugar encontramos um extenso areal, o primeiro deste litoral, que se abre francamente para o Atlântico.
quarta-feira, 16 de setembro de 2026
Mar da Palha
[pst 529] Foi local de fabrico de naus e caravelas, que daqui zarparam à procura de novos mundos. É um extraordinário mar interior, um lugar tranquilo, sossegado, onde as ondas são rasteiras. Ao redor do estuário desenvolve-se a mais caótica paisagem do espaço português.
terça-feira, 15 de setembro de 2026
Troia
[pst 528] Na extremidade de uma restinga de areia que conforma o estuário do Sado, foram construídas as torres de Troia: um empreendimento turístico financiado por petrodólares. Hoje encontram-se fechadas. Talvez a urbanidade tenha sido derrotada ao tentar transpor a foz deste rio do Sul e alicerçar os seus tentáculos nesse fino pedaço de areia onde se enuncia a paisagem grande do Alentejo.
Cais do Sodré
[pst 527] Outrora deviam estas margens ser tomadas por uma multidão a ver a partida das naus para terras desconhecidas, sem um regresso prometido. O Tejo era um centro de vida. Hoje alguém contempla as suas águas com melancolia enquanto os cacilheiros transportam, apressados, pessoas entre as duas margens. E o cais é tomado por automóveis estacionados, alinhados.
domingo, 13 de setembro de 2026
Alcochete
[pst 526] Alcochete, implantada sobre o estuário do Tejo, na parte superior, às vezes denominada mar da Palha, foi morada muito pretendida para veraneio da realeza lisboeta. Tanto D. João I, como D. João II, escolheram este lugar para repousar. Na vila nasceu o rei D. Manuel, que levará Portugal ao ponto culminante da expansão ultramarina, iniciada pelos seus antecessores.
sábado, 12 de setembro de 2026
Santa Engrácia
[pst 525] "As frequentes transformações de espaços existentes pelo uso do azulejo e da talha, o enriquecimento ornamental de algumas fachadas, ou o surto de pequenas construções de planta central, vão denunciando o desejo de ultrapassar a austeridade dos tempos de privilégio para as construções militares. Neste contexto Santa Engrácia é a grande aventura e a última dos homens da Aula do Paço onde se formou João Antunes, seu autor. A forte marcação territorial através de uma escala monumental digna de Lisboa, não espanta quem já tenha reconhecido essa qualidade na arquitectura que a precede, usando diferentes meios económicos, desde o românico ao manuelino, da arquitectura sebástica às torres das igrejas de Braga a demarcar os novos limites da cidade. A sobriedade da decoração e a pobreza austera dos panos murários mostram Portugal, país, onde também é possível conhecer os desenhos de Bramante publicados por Serlio. A novidade mesmo, é o facto de o organismo único que é o seu interior ser envolvido por uma casca que se autonomiza em dinâmica curvatura verdadeiramente barroca". (Alexandre Alves Costa, Introdução ao Estudo da História da Arquitectura Portuguesa).
sexta-feira, 11 de setembro de 2026
Palmela
[pst 524] A importância estratégica de Palmela está certamente na origem de um povoamento muito remoto. Daqui é visível uma grande extensão de terra, que abrange os estuários do Tejo e do Sado. Com a Reconquista, o castelo de Palmela é tomado aos Mouros por D. Afonso Henriques, que o entrega à Ordem de Sant'Iago e Espada para povoamento e defesa da região. A arquitectura dos seus edifícios civis e religiosos enuncia já os espaços do Sul do País.
quinta-feira, 10 de setembro de 2026
Santo Antão do Tojal
[pst 523] No ano de 1730, o patriarca de Lisboa, D. Tomás de Almeida, toma a iniciativa de remodelação da quinta de Santo Antão do Tojal que, desde a Idade Média, pertencia aos bispos de Lisboa. O arquitecto italiano António Caneveri é encarregado da obra que inclui a remodelação da igreja, do palácio e o desenho de um aqueduto para alimentar o novo chafariz monumental que integra e conforma o espaço de uma larga e qualificada praça.
Chafariz monumental — Santo Antão do Tojal. Loures. 20 Jan. 97
quarta-feira, 9 de setembro de 2026
Quinta da Bacalhoa
[pst 522] O palácio da Bacalhoa foi construído no último quartel do século XV. Mudou várias vezes de mãos e foi alvo de diversas intervenções arquitectónicas. A sua aparência denota uma grande proximidade a alguns aspectos da arquitectura italiana do Renascimento. As denominadas «casas do prazer», foram edificadas junto de um lago, um pouco afastadas do núcleo principal do palácio. No seu interior ostentam notáveis quadros de azulejos da autoria de Francisco de Matos, datados de 1565.
Quinta da Bacalhoa. Vila Fresca de Azeitão. Setúbal. 7 Abr. 90
terça-feira, 8 de setembro de 2026
Cabo Espichel
[pst 521] "No âmbito dos Santuários de peregrinação religiosa da época barroca em Portugal — desde o Bom Jesus em Braga ao de Nossa Senhora de Aires em Viana do Alentejo —, o de Nossa Senhora do Cabo ocupa lugar especial devido à sua implantação litorânea, junto ao Cabo Espichel, à organização planimétrica e à composição dos volumes. Sem recurso à encenação vegetal, devido ao forte e constante Noroeste salgado que bate a região, e ao jogo de diferentes planos — como em Braga — mercê da nula ondulação do terreno, dispõe-se de modo singular com as compridas alas de dois pisos (habitação, refeitório, teatro, etc.), definindo um espaço rectangular «menos barroco» do que outros santuários portugueses (Lamego, Coimbra, etc.)". (Jorge Henrique Pais da Silva, Páginas de História da Arte).
Santuário de Nossa Senhora do Cabo — Cabo Espichel. Sesimbra. 6 Jan. 93
segunda-feira, 7 de setembro de 2026
Janas
[pst 520] "A capela de S. Mamede de Janas, situada nas imediações das Azenhas do Mar, concelho de Sintra, ainda que constituindo um caso de excepção com a sua rara planta circular, evidencia, no entanto, certas características que a identificam com as restantes igrejas da região saloia. Com efeito, esta capela está dotada, tal como as suas congéneres desta região, de uma vasta zona alpendurada, antecedendo a entrada no templo e para abrigo dos fieis. A sua localização em pleno campo permite uma apreensão completa do dinamismo dos seus volumes, realçado pelo jogo dramático, em claro-escuro, da sóbria colunata, do alpendrado". (A Arquitectura Popular em Portugal).
domingo, 6 de setembro de 2026
Setúbal
[pst 519] A construção da igreja de Jesus, em Setúbal, tinha sido iniciada em 1490, com desenho de Diogo Boytac, ou Boitaca, arquitecto provavelmente de origem francesa. Foi a primeira igreja-salão de um estilo que começava a dar os primeiros passos — o Manuelino —, uma arquitectura associada ao período dos Descobrimentos. Seguidamente, Boytac segue para Lisboa a convite do rei D. Manuel, para desenhar o projecto inicial da igreja dos Jerónimos. Operava-se uma mudança importante na arquitectura portuguesa.
sábado, 5 de setembro de 2026
Odivelas
[pst 518] No lugar onde o vale da ribeira de Odivelas se abre, não longe da confluência do rio da Costa, a norte de Lisboa, foi construído o convento de S. Dinis e de S. Bernardo entre os anos de 1295 e 1305. Ainda durante o século XIV, próximo deste local foi edificado um memorial em pedra branca que, segundo alguns, destinava-se a albergar o féretro de D. Dinis; para outros o de D. João I, antes de ser transladado para o mosteiro da Batalha. O convento de Odivelas ficou muito danificado depois do terramoto de 1755. O memorial mantém-se, mas o seu lugar vai ficando apertado pelos tempos recentes. Não distante dali, uma paisagem muito transformada progride pelos campos.
sexta-feira, 4 de setembro de 2026
Sintra
[pst 517] A vila de Sintra desenvolveu-se, em tempos recuados, no sopé do morro de castelo inexpugnável, de onde se avista uma paisagem longínqua. Foi D. Afonso Henriques que a tomou aos Mouros. Desde o momento em que a corte se instalou em Lisboa, passou a ser um dos locais preferidos para o repouso estival da realeza e da nobreza. Todos os seus palácios se relacionam com este facto. Uma vegetação densa, entretanto plantada, muito contribuiu para uma certa aura de mistério que se desenvolveu em torno deste lugar, de uma montanha a que Gil Vicente chamou baliza de navegantes.
quinta-feira, 3 de setembro de 2026
Pinhal Novo
[pst 516] O coreto do Pinhal Novo transporta-nos à arquitectura do ferro da segunda metade do século XIX. A povoação é sensivelmente deste período. O lugar desenvolveu-se com a vinda de colonos da região de Aveiro para a construção da linha de caminho de ferro, que ligou o Barreiro ao Sul do País. Findos os trabalhos, os trabalhadores haveriam de ficar por aqui, em trabalhos de agricultura.
















