segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Síntese de ser

[inquéritos 30] Esta é a imagem da construção de um mundo, síntese de ser. Tentada pacificação de tensões ou a sedução pela compreensão da vida, da sua ausência de sentido. E é nesse vazio que construímos um lugar com ferramentas que desenvolvemos para sobreviver dentro de uma consciência devoradora. Que natureza trazemos dentro de nós, predefinida, quando nascemos? Não somos vazios onde tudo pode caber, transportamos gestos imemoriais, perdidos sem qualquer chave para uma descodificação. Caminhamos próximos do que não vamos conhecer. 

Exposição dos "Inquéritos". CIAJG. Guimarães. 2015


domingo, 13 de dezembro de 2015

[...]

[inquéritos 29] Não há metáforas aqui. Apenas a procura do fim da linguagem que buscamos nas palavras. 
Exposição dos "Inquéritos". CIAJG. Guimarães. 2015

Exposição dos "Inquéritos". CIAJG. Guimarães. 2015

sábado, 12 de dezembro de 2015

Paço da Giela

[pst 097] O Paço da Giela situa-se próximo de Arcos de Valdevez. Tem a aparência de um castelo, mas é uma casa senhorial dos finais da Idade Média. A torre foi construída no século XIV, onde a independência do resto da residência e a quase total ausência de aberturas são sintomas das preocupações defensivas sentidas na época. O restante conjunto residencial só é concluído em finais do século XV ou início do XVI. Aqui o maior número de aberturas é já característico de tempos mais tranquilos e a decoração das mesmas remete-nos para a arquitetura manuelina.

Paço da Giela. Arcos de Valdevez. 8 de março de 1996

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Linha 17. Construir o erro

[inquéritos 28] Caminhamos sobre montanhas, sozinhos, na construção do erro. Espaços estranhos e distantes que fazemos familiares. Sobre um solo duro, aquecido pelo sol diurno, repousamos para a noite estrelada e fria. Acordamos aos primeiros raios luminosos pelo som de aves que não vemos. Continuamos a caminhar como se sempre fosse possível olhar, das linhas de festo, as paisagens infinitas. 

Pico. Açores. 2006

Serra do Gerês. 2013

Pico Ruivo. Madeira. 2006

Serra do Gerês. 1991

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Coluna 16. Bizarro

[inquéritos 27] A nossa imagem é uma sombra projetada na escuridão densa. São as fotografias possíveis de nós mesmos, incompletas, como se apenas fizessem sentido na vizinhança umas das outras, como se esse conjunto pudesse definir aquilo que somos. Quando juntamos todas as peças do puzzle, a imagem pouco revela, incompleta, sempre.

 
Pomarão, prox.. Mértola. 2014

Monte Abraão. Sintra. 1990

Molhe. Rosmaninhal. Idanha-a-Nova. 2005

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Solar de Bertiandos

[pst 096] Não é frequente encontrar um edifício que foi construído em diferentes períodos históricos, com diferentes projetos, em que o conjunto arquitetónico seja lido como um todo coerente. Assim acontece com o solar de Bertiandos. A torre central é do século XVI, os corpos laterais ilustram bem os espaços procurados pelos construtores da casa senhorial barroca, onde está ainda presente uma certa sobriedade característica do Maneirismo. É o testemunho de uma residência senhorial de um poderoso nobre minhoto na época moderna.

Solar de Bertiandos. Ponte de Lima. 8 de março de 1996

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Coluna 15. Face

[inquéritos 26] A nossa própria face desenhada, animal, humana, à conquista do espaço e do tempo no desejo impossível de permanência. Não sabíamos ainda que as rochas são um arranjo transitório de uma determinada arrumação dos seus átomos. Um crânio pode simbolizar a morte, este limbo de frágil vida sobre o qual caminhamos. Acaba por ser a construção que fazemos dentro de nós mesmos que, finda a vida, permanece como matéria durante um período longo de tempo, crânio, com um sorriso perene.

Serra do Gerês. 2012

Mina do Pó. Monforte da Beira, prox.. Castelo Branco. 2014

Marialva. Meda. 1990