segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Coluna 14. Pele

[inquéritos 25] Este é outro retrato possível que aqui podemos deixar. Uma camisola puída pelas mais longas e demoradas viagens. A roupa onde fica gravado o nosso caminhar. Marcas que a pele recebe no hiato temporal em que decorre a nossa permanência no sólido chão que pisamos. Tempestade.

 
Serra do Gerês. 2012

Monte Abraão. Sintra. 1999

domingo, 6 de dezembro de 2015

Torre de Penegate — Carreiras

[pst 095] As torres medievais são um modelo arquitetónico, frequente nas terras de entre Minho e Douro. Mantêm a memória das lutas armadas entre os senhores das honras medievais e da insegurança reinante na região até os corregedores, a pouco e pouco, imporem a justiça régia. A Torre de Penegate ergue-se do verde abundante, sobre um ligeiro afloramento granítico. Implantou-se num domínio de D. Egas Pais de Penegate, companheiro de armas do conde D. Henrique, sendo construída durante o reinado de D. Dinis, por Mem Rodrigues de Vasconcelos, cavaleiro e alcaide-mor de Guimarães.

Torre de Penegate — Carreiras, S. Miguel. Vila Verde.  8 de outubro de 1996

sábado, 5 de dezembro de 2015

Coluna 13. Breve

[inquéritos 24] Este pode ser um modo de expor um pouco da intimidade sem falar do amor sempre aqui contido. Nestas viagens, porquê falar do amor, dos encontros e desencontros? Das vidas que se cruzam com a nossa, do tempo quente, do pão que partilhamos no alto das montanhas, dos momentos breves em que nada questionamos, do futuro que parecia sólido quando os nossos filhos nasciam e no seu olhar parecia encontrarmos a permanência, ou a ascensão sólida, em vespera de tudo o que poderia acontecer e não sabíamos. Perdidos, reencontrados na limitação de um território antes infinito.

Serra do Alvão. 1990

Serra do Gerês. 2012

Serra da Peneda. 2009

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Coluna 12. Velocidade

[inquéritos 23] Na solidão das viagens aproximamo-nos dos objetos que nos acompanham num quotidiano em movimento, de procura de espaço e de tempo em territórios vagos. São, depois, como moradas temporárias, lugares sólidos sobre paisagens mutantes.


Segura prox.. Idanha-a-Nova. 2014

Serra da Nogueira. 1996

Ribeira do Mosteiro. Poiares. Freixo de Espada à Cinta. 1993

Tentinolho. Guarda. 1996

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Rio Vez — Arcos de Valdevez

[pst 094] O rio Vez nasce no coração da Serra da Peneda e, 5 km antes de encontrar o Lima, banha a cidade de Arcos de Valdevez. Deu-se, por estas paragens, um dos acontecimentos mais importantes, ligados à fundação da nacionalidade. O herdeiro do conde D. Henrique tentou várias vezes estender o seu território para norte, conseguindo a vassalagem dos senhores galego de além-fronteira. O Recontro de Valdevez, embora de sucesso militar indefinido, fez cessar as tentativas de expansão portuguesa na fronteira minhota.

Rio Vez — Arcos de Valdevez. 8 de março de 1996

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Coluna 11. Horizonte

[inquéritos 22] Há, em Portugal, uma condição de fim de viagem, ou paragem para retomar outras formas de ausência. Olhamos o mar, construímos barcos imaginários para escrever sobre as nuvens, sobre as águas agitadas, lisas, sombras projetadas em profundidade inacessível.

Serra de Montejunto. 2013

Faial. Açores. 2007

Praia da Consolação. Peniche. 2010

Praia da Luz. Luz. Lagos. 2011

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Coluna 10. Suportes de registo

[inquéritos 21] Há hoje uma imensa poluição de imagens. Com incontido prazer participamos nesta voragem. Perdemos a sensibilidade para distinguir diferentes qualidades. Trabalhamos neste lodo onde confluem rios distantes. Procuramos uma ordem como se ela nos pudesse conduzir ao mistério da vida. O que vamos encontrando, não faz sentido. A ordem pode conduzir a uma coerência, mas simultaneamente, essa ordem parece isolar esse olhar de um caos dominante. A luta contra a entropia parece ser inglória ao mesmo tempo que pode conduzir-nos a um patamar de risco desconhecido

Monte Abraão. Sintra. 2003

Monte Abraão. Sintra. 2003

Monte Abraão. Sintra. 2003

Monte Abraão. Sintra. 2003

Monte Abraão. Sintra. 2005