segunda-feira, 13 de junho de 2016

Rural habitado

[viseu 13] O rural habitado é, aqui, o mundo contemporâneo. São os gestos individuais de afirmação de identidades pessoais, exercícios de liberdade, são as tentativas de conquista de habitação condigna, são a fuga a tempos de pobreza que marcaram indelevelmente uma geração que, a partir dos anos 60 do século XX, procura noutros países rendimentos que lhes permitam uma vida melhor. Este é um mundo de uma enorme complexidade e de evidentes contradições. De alguma forma representa a perda de uma imagem de equilíbrio e relação com a própria Natureza.
Chãos, UF São Cipriano e Vil de Souto, Viseu. 2015

Sarzedêlo, UF São Cipriano e Vil de Souto, Viseu. 2015

Farminhão, UF Boa Aldeia, Farminhão e Torredeita, Viseu. 2015

domingo, 12 de junho de 2016

Campo de centeio

[pst 209] A região duriense tem uma relevo recortada, devido ao encaixe do seu vale principal e afluentes. No entanto, relativamente próximo do seu leito, se subirmos a pontos altos, podemos encontrar um campo de centeio. Ali chegado, é o anúncio da terra fria transmontana.

Campo de centeio — Vilarinho de Castanheira. Carrazeda de Ansiães. 9 de julho de 1996

sábado, 11 de junho de 2016

Rural equilibrado

[viseu 12] Subimos ao piso elevado da Casa das Memórias. Se no piso inferior temos a cidade de Viseu, aqui estão expostas fotografias feitas nas áreas rurais do concelho. Há, no entanto, um friso de imagens de pequena dimensão que percorre todas as salas e que mostra aspetos destas duas realidades que dialogam entre si, a cidade e a ruralidade.
O rural equilibrado mostramos alguns exemplos de situações espaciais em que há uma continuidade, ou um equilíbrio, face a uma imagem que durante décadas vigorara nas aldeias, pautada por formas de intervenção limitadas e integradas na natureza. São espaços onde permanece o tempo longo, a reflexão cuidada das construções delicadas, sólidas. São os poucos fragmentos que permanecem de uma voracidade destruidora provocada pela fuga dos campos.
Passos, Silgueiros, Viseu. 2015

São Cristovão, São Pedro de France, Viseu. 2015

Paraduça, Calde, Viseu. 2015

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Tua. Arquivo de Memórias

[pocinho-côa 7] O Arquivo de Memórias, de Vila Real, já me havia convidado no passado, para duas visitas ao vale do Tua. Foi uma homenagem a este extraordinário rio e caminho de ferro, hoje quase a desaparecer tal como o conhecemos. Esta Associação desenvolve uma atividade muito interessante no aprofundamento do conhecimento da terra transmontana e vale do Douro. Fica aqui o meu reconhecimento e gratidão por este projeto que visa valorizar e dar a conhecer uma cultura que tem raízes fundas na terra. link: https://arquivodememoriasvr.wordpress.com/#. Esta é a última publicação da série pocinho-côa.
Linha do Douro. Vila Nova de Foz Côa. 2016

Linha do Douro. Vila Nova de Foz Côa. 2016

Vila Nova de Foz Côa, prox.. 2016

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Santuário da Senhora dos Remédios

[pst 208] No local tinham existido outras capelas, uma das quais, de genuína feição renascentista, construída em 1568, foi demolida para a construção do Pátio dos Reis, integrado na escadaria monumental do santuário de Nossa Senhora dos Remédios.

Santuário da Senhora dos Remédios — Lamego. 19 de agosto de 1996

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Cidade atual

[viseu 11] Com a Democracia, a partir do 25 de Abril de 1974, a cidade acelera o seu desenvolvimento. Este crescimento não foi imediato, pois foram conturbados os anos seguintes à Revolução dos Cravos. Será com a adesão à Comunidade Económica Europeia, hoje União Europeia, em 1986, que todo um desenvolvimento com expressão territorial se começa a sentir de forma mais evidente. As arquiteturas também se vão internacionalizando cada vez mais, ao mesmo tempo que perdem um cunho de desenho local, vinculado a uma região específica. Não só na cidade vemos formas de desenho cuidado, mas no mundo rural surgem também alguns apontamentos de reinterpretações do que fora uma tradição secular de edificar. De qualquer forma as aldeias exibem problemas de desertificação parcial que não são sentidos de forma tão evidente na cidade.
Rua Poeta António José Pereira, Viseu. 2007


Viso, Viseu. 2015

terça-feira, 7 de junho de 2016

Desinvestimento progressivo

[pocinho-côa 6] Um desses “mundos”, umbilicalmente ligado ao Douro, é o rio Côa, que nasce na serra das Mesas. Nesta caminhada apenas percorremos o troço ferroviário estrelas as estações do Pocinho, atualmente estação terminal da Linha do Douro, e a estação do Côa, junto à foz daquele rio. Seguidamente visitámos o Museu do Côa, onde se encontra muito bem representada e exposta a interpretação da arte dos gravadores do vale ao longo de milhares de anos. Esta obra, o Museu, nasceu do fim da barragem. De então para cá houve um  desinvestimento progressivo, por parte do governo da República, na região, naquele extraordinário complexo cultural. Esta é a imagem, tantas vezes repetida, de tentativas de investimento pontuais no interior do país. Nunca houve, nunca foi tentada, uma política baseada no conhecimento da Terra, na interpretação do território, nas leituras do seu significado, nas relações topológicas entre lugares próximos ou distantes. Talvez esteja no entendimento da terra, dos seus valores, nos seus habitantes, uma das chaves mais sólidas e sustentáveis de um futuro benigno, respeitador de uma integração humana num espaço que não é nosso, mas de uma complexa rede de seres de outras espécies de que dependemos também. A história do Vale do Côa conta-nos, de forma viva, passos importantes da evolução humana, desde os primeiros traços, até à atualidade.
Réplica de gravuras rupestres. Museu do Côa. Vila Nova de Foz Côa. 2016

Museu do Côa. Vila Nova de Foz Côa. 2016

Museu do Côa. Vila Nova de Foz Côa. 2016