quarta-feira, 6 de junho de 2018

Luz

[procurar um país 023] Um oceano leve sobre a terra, camada que confina o nosso espaço, que oculta a imensidão cósmica que observamos durante a noite. Universo dúplice. De dia temos a terra em toda a sua imensa diversidade de espaço-tempo, mundo horizontal, a pedir caminhar, seja nas cidades, seja em campo aberto. À noite temos a escuridão onde antes havia dia, mas abre-se nos céus o infinito em pontos luminosos, inacessíveis, estimulantes e misteriosos para quem os olha no seu movimento referencial lento, quase impercetível.


007. Nuvens sobre a aldeia da Luz. Mourão. 1999


terça-feira, 5 de junho de 2018

Piquinho

[procurar um país 022] No mais alto ponto do espaço português vemos um oceano elevado. Abeiramo-nos do mar como do limite da terra conhecida. Subimos às montanhas que se erguem acima das nuvens. Vemos penedos desenhados pelas ondas. Rastos breves brancos deixados na superfície oceânica. Pedras no areal de desenhos efémeros, atmosféricos e verdes. Água branca no céu.

006. Piquinho. Ilha do Pico. Açores. 2006

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Azul

[procurar um país 021] Partir para o grande oceano o perscrutar o denso azul das águas profundas, que nos parecem convidar para o mistério insondável do que guardam nessa cor. Um olhar humanizado que tem por base o nada, o vazio, ou apenas uma linha. Fim e começo de todas as viagens. Inalienável condição cultural de estar aqui, em Portugal, talvez o carácter geográfico que mais nos moldou, contidos, num passado recente, entre um estado imperialista e um imenso oceano.

005. Oceano Atlântico entre as ilhas da Madeira e do Porto Santo. Madeira. 2006

domingo, 3 de junho de 2018

Canal

[procurar um país 020] As ilhas são próximas uma da outra, são as duas mais próximas ilhas açorianas. Talvez por isso se designe “canal” a esse troço oceânico entre as duas ilhas. “Mau tempo no canal” é uma obra literária de Vitorino Nemésio, espelho desta paisagem em permanente mudança.

004. Oceano Atlântico entre as ilhas do Pico e do Faial. Açores. 2008

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Portinho

[procurar um país 019] Um mar calmo que parece contrariar o oceano aberto. Um ambiente cinematográfico, matéria de transparência frias onde imaginamos tubarões. É a última porta do Mediterrâneo numa viagem sempre a começar, sempre a renascer, muitas vezes deixada, náufraga, nas areias brancas.

003. Portinho da Arrábida. Setúbal. 2012

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Janela

[procurar um país 018] O mar num lugar distante, a mesma singularidade. Penedos desenhados pelas ondas de um oceano enorme. Como que figuras que nos interpelam sobre a nossa condição de seres vivos, habitantes de um planeta que só recentemente começámos a entender, mais plenamente, talvez. É a invenção da linguagem para o conhecimento do mundo.
 
002. Foz da Ribeira da Janela. Porto Moniz. 2006
 

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Ursa

[procurar um país 017] Um lugar onde sempre se regressa, sempre irrepetível, encontro “violento” da terra com o mar, diálogo de elementos primordiais do planeta que habitamos. Como se antes da terra houvesse o mar, um universo líquido, contínuo, infinito. Como se aqui começasse a nossa viagem, sendo que, para muitas comunidades, aqui terá terminado, no passado, um caminhar demorado que chegava a uma terra limite. Praias, rochedos ou falésias sobre o Atlântico.
001. Praia da Ursa. Sintra. 2002