quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

O Gabinete da Cidade

[arquitetura 05] Em agosto passado tive a oportunidade de colaborar com o Gabinete da Cidade, um espaço dependente da Câmara Municipal do Funchal, coordenado pelo arquiteto Paulo David, destinado a analisar não apenas a cidade mas toda a área do concelho. Neste momento a atividade está concentrada na malha urbana, particularmente naquela que se desenvolveu ao longo, sensivelmente, da segunda metade do século XX. O trabalho já desenvolvimento, na leitura e interpretação do existente, bem como no apontar propostas de intervenção, é notável. O modelo bem poderia ser seguido por outras cidades portuguesas e certamente que os resultados seriam muito positivos. Há um importante papel a atribuir aos arquitetos no estudo, e na intervenção, das cidades portuguesas. Há imenso trabalho a fazer, assim haja vontade e inteligência política para tornar o país mais qualificado.
Funchal. 2016

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Casas Aéreas

[arquitetura 04] O terceiro e último momento, a motivar esta escrita sobre arquitetura, foram dois dias passados no Funchal, a acompanhar os trabalhos de um workshop de arquitetura com o sugestivo título “Casas aéreas”, coordenado por Paulo David e Rui Mendes. O desafio lançado foi o desenvolvimento de propostas de intervenção, em grupos de três a quatro alunos, numa área específica da ribeira de Santa Luzia, no coração da cidade do Funchal. Voltar a contactar com a energia dos estudantes, com a ambição de desenhos renovadores, com o brilho do olhar, é um prazer para quem, por vezes, se perde num quotidiano difícil de afazeres muito diversos, em geografias desconexas. A vontade de aprender mostra-nos que somos nós próprios, já com alguns anos de experiência profissional, que muito temos para aprender. Ali está o pulsar da contemporaneidade, do habitar o presente, e o futuro breve em permanência.
Ribeira de Santa Luzia. Funchal. 2016

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Lobo

[arquitetura 03] O segundo momento que me levou a escrever estas notas foi uma conversa com a arquiteta Inês Lobo, com quem já, por duas ocasiões, tive a oportunidade de trabalhar. Visitámos o seu espaço de trabalho, ainda em acabamentos, erguido de uma ruína que muito pouco poderia oferecer a um olhar sem “projeto”. O espaço desenvolvido muito dificilmente poderia sair de alguém que não visse no desenho uma ferramenta do habitar, do projetar uma realidade difícil de imaginar, criar quase que do nada, um lugar de criatividade e visão. Ponto de reinvenção e de renovação da cidade, do habitat humano. Há espaços que nos fazem sentir gratos pelo privilégio de pertencer a um grupo profissional que nos transporta ao futuro e nos revela as dimensões possíveis da utopia.
João Vaz, Inês Lobo, João Luís Carrilho da Graça, João Rosário. Lisboa. 2012

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Campanha

[arquitetura 02] O primeiro dos três momentos recentes de contacto com a realidade específica da arquitetura como profissão, foi uma iniciativa enquadrada no processo eleitoral, ocorrido, recentemente para a eleição dos órgãos da Ordem dos Arquitetos. Tentei perceber o que a candidata Teresa Novais, de visita a Viseu, faria, eventualmente, para tentar trazer à Ordem dos Arquitetos, aqueles profissionais têm a sua inscrição suspensa, certamente pela conjugação do valor a pagar pelas cotas e a ausência da necessidade de pagamento pelo não exercício dos atos próprios da profissão. Entendo que a valorização da classe passa por um debate aprofundado sobre soluções de qualificação e valorização da atividade da arquitetura e fazeres conexos, que chame todos os profissionais, mesmo os que não projetam edifícios. Talvez o reconhecimento do caráter diferenciador desta profissão passe por ouvir todos aqueles que se formaram com o objetivo comum de usar o desenho para projetar um mundo melhor, em edificado ou não.
 

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Arquitetura aqui

[arquitetura 01] A arquitetura, entendida nas suas dimensões de produção de espaço qualificado, é atualmente, a vários níveis, um campo de atividade de grande diversidade e dinamismo. Três contactos recentes motivam a escrita de um conjunto de pequenos textos sobre arquitetura, sobre a profissão de arquiteto. Sobre uma forma de arte que derruba barreiras e nos abre a dimensões elevadas da interpretação de uma condição de habitar, de ser humano. 
 
Detalhe de maqueta de um projeto de Ricardo Bak Gordon. Lisboa. 2012
 

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Fonte fria

[arquivo cidade 066] Esta viagem iria ter origem nas estação ferroviária de Peso da Régua. A partir daqui iria fotografar a Linha do Corgo, que assim se designa por acompanhar o rio com o mesmo nome, subsidiário do Douro. Depois ainda passaria, com brevidade, pela serra do Larouco, onde anos mais tarde voltaria para ver a neve. Para me dirigir, finalmente, a Pitões das Júnias, aldeia de onde partiria para uma primeira incursão no Gerês, na direção da capela de São João, para depois me dirigir para o pico da Fonte Fria.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Registo compulsivo

[arquivo cidade 065] Havia uma necessidade quase compulsiva para o registo de toda a terra, uma tentativa de aproximação a essa ideia. A fotografia era como um movimento performativo sobre a montanha, sobre um espaço que se dilui no tempo que passa, na tentativa de captura de ambos: espaço e tempo. Talvez procurasse uma primeira imagem, ou numa única fotografia sintetizar todo o lugar. conseguir transmitir uma miríade de reflexões sobre uma condição singular de habitar a terra, entender um corpo em movimento que procura imagens em jogo de realidades múltiplas, cruzadas.