domingo, 24 de março de 2019

O espaço de um país

[exp_fuga 03] O conceito de Atlas é a procura do conhecimento da terra, pois quanto melhor soubermos ler o espaço, em toda a sua complexidade, mais aptos estaremos para aquilo a que, aparentemente, estamos programados: sobreviver. Esta exposição é um mapa-mundo fragmentado. Mapa também como desenho em processo para a representação de uma cidade imaginária que da terra ergue a sua representação. FUGA é uma linha de tempo que contém o espaço de um país.

 Exposição Fuga. Ar.Co. Lisboa. 2019

sábado, 23 de março de 2019

Linha de tempo

[exp_fuga 02] Há uma linha de tempo que percorre toda a exposição, desde as primeiras fotografias, em 1982, até ao presente ano de 2019. Essa linha cronológica é pontuada por alguns trabalhos de referência e pela descrição das metodologias que foram sendo construídas à medida que um crescente número de imagens, hoje mais de 1.650.000, o exigia.

Ar.Co. Lisboa. 2019

sexta-feira, 22 de março de 2019

FUGA - Fazeres de Unidade para a Génese de um Atlas

[exp_fuga 01] A exposição FUGA - Fazeres de Unidade para a Génese de um Atlas é um conjunto de fotografias, textos, desenhos, mapas e outros elementos gráficos, sobre o processo de mapeamento fotográfico do território. É a descrição extensiva de um caminhar que vai da terra, do demorado contacto com o solo, à palavra. É a geografia de uma construção.

Ar.Co, Lisboa. 21 de março de 2019

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Fotografias

[Torga 18] Este trabalho surge na sequência de uma proposta da direção do Espaço Miguel Torga/Câmara Municipal de Sabrosa, pelo Dr. João Luís Sequeira Rodrigues, para a realização de uma exposição. Acordámos numa leitura do universo geográfico, próximo, de Miguel Torga: São Martinho de Anta e os territórios envolventes. São as paisagens do santuário de Nossa Senhora da Azinheira até ao Douro, de Sabrosa à Serra do Alvão. Há outros lugares que foram muito marcantes na vivência de Torga, particularmente Coimbra. A opção de ficarmos pela região onde nasceu, prende-se com o significado que a mesma assume na génese e no carácter de toda a sua obra literária. Há uma marca nestas terras transmontanas que permanece, há aqui um vinco telúrico de que Torga foi um exímio descodificador e singular voz. As suas palavras refletem paisagens que nenhuma fotografia pode revelar. Não deixámos, no entanto, de ensaiar uma viagem imaginária. Praticamente todas as fotografias foram feitas em 2017, especificamente para esta edição e exposição; há duas exceções, as fotografias do Santuário Rupestre de Panóias, de 2015, e as últimas fotografias, a preto e branco, retiradas de um arquivo que, há mais de 30 anos, constrói aproximações à representação do espaço português. Esta é a última publicação relativa à “magna terra”, sobre Miguel Torga.

Senhora da Azinheira. São Martinho de Anta, Sabrosa. 2017

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Colapso maior

[Torga 17] Ainda que sobre estas terras caia o esquecimento, de uma humanidade que esconde o seu medo da natureza na profundeza frágil das cidades, um dia talvez tenhamos que regressar a estes territórios. É o nosso berço, lugar de origem, é como uma verdade permanente que resiste a todas as tempestades e que na terra permanecerá fóssil até um longínquo colapso maior. 
Serra do Marão. 2017

domingo, 24 de fevereiro de 2019

Penedos

[Torga 16] As penedias distantes das malhas expansivas das cidades permanecem nos seus lugares. São como seres fantasmáticos que encontramos no decurso das caminhadas solitárias pelas paisagens vazias das marcas humanas. O período de um século não é significativo nos processos erosivos que transformam os penedos em matéria diferente. Poderá haver quem não repare nestes horizontes em processo de desertificação humana. Muitos poderão ficar ocultos por uma vegetação que se adensa, mas um dia serão de novo revelados pelas vagas de fogo cíclico, extensões momentaneamente incandescentes, um inferno tão friamente relatado pelo sofrimento das personagens, tão reais quanto ficcionadas, de Torga, dos seus contos crus.
Vila do Conde. 1994

Serra do Alvão. 2002

Penha Garcia, Idanha-a-Nova. 2005

sábado, 23 de fevereiro de 2019

O fogo de uma noite

[Torga 15] Como que no fim de uma viagem de vida, aqui repousamos um pouco. Estamos entre os seus objetos, alguns livros e outras marcas de habitar. É como se com Torga pudéssemos agora dialogar, aquecidos pelo fogo de uma noite de outono. Território continuado, daqui partimos para outras viagens.
Casa de Miguel Torga, São Martinho de Anta, Sabrosa. 2017

Casa de Miguel Torga, São Martinho de Anta, Sabrosa. 2017

Casa de Miguel Torga, São Martinho de Anta, Sabrosa. 2017