segunda-feira, 16 de julho de 2018

Rio Côa

[procurar um país 028] Uma paisagem que se mantém em muito do seu carácter selvagem, quase intocado. A procura permanente de uma origem, de um espaço onde não esteja presente a pegada humana, onde apenas possamos ver a Natureza intacta, construída por si própria. Procuramos estes lugares quase desaparecidos, impossíveis.
 
012. Rio Côa. Algodres. Figueira de Castelo Rodrigo. 1995
 

domingo, 15 de julho de 2018

Pulo

[procurar um país 027] Um, dois passos de concentração para atravessar um rios maiores da península ibérica, o Guadiana. O rio mergulha entre as margens de xisto muito polido. É um dos mais singulares lugares fluviais de todos os rios portugueses. Há ali histórias de fascínio e tragédia.

011. Pulo do Lobo. Rio Guadiana. Mértola/Serpa. 1998

sábado, 14 de julho de 2018

Calcedónia

[procurar um país 026] Arquiteturas cíclicas, como que de mundos arcaicos se tratasse, de que hoje apenas permanecem vestígios diluídos num solo de penedos labirínticos. Construções reais e imaginárias de uma civilização maior, numa escala superior à dimensão humana.

010. Cabeço de Calcedónia. Serra do Gerês. Terras de Bouro. 2012

sexta-feira, 13 de julho de 2018

Estrela

[procurar um país 025] As formas, o clima extremo, o medo, a ideia de sobrevivência em clima hostil. Não podemos deixar de nos questionar sobre a nossa condição de habitar um planeta que teve, ao longo da sua evolução, fortes variações climáticas.

009. Serra da Estrela. Covilhã. 2013

quinta-feira, 12 de julho de 2018

Serra Amarela

[procurar um país 024] Os momentos únicos que vivemos em tempos específicos da nossa juventude, que nos haveriam de marcar para sempre, nas leituras da terra, na ânsia de viver o campo, o espaço aberto, o infinito desejo de conhecimento e de expressão do pensamento.

008. Serra Amarela. Ponte da Barca. 1987

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Luz

[procurar um país 023] Um oceano leve sobre a terra, camada que confina o nosso espaço, que oculta a imensidão cósmica que observamos durante a noite. Universo dúplice. De dia temos a terra em toda a sua imensa diversidade de espaço-tempo, mundo horizontal, a pedir caminhar, seja nas cidades, seja em campo aberto. À noite temos a escuridão onde antes havia dia, mas abre-se nos céus o infinito em pontos luminosos, inacessíveis, estimulantes e misteriosos para quem os olha no seu movimento referencial lento, quase impercetível.


007. Nuvens sobre a aldeia da Luz. Mourão. 1999


terça-feira, 5 de junho de 2018

Piquinho

[procurar um país 022] No mais alto ponto do espaço português vemos um oceano elevado. Abeiramo-nos do mar como do limite da terra conhecida. Subimos às montanhas que se erguem acima das nuvens. Vemos penedos desenhados pelas ondas. Rastos breves brancos deixados na superfície oceânica. Pedras no areal de desenhos efémeros, atmosféricos e verdes. Água branca no céu.

006. Piquinho. Ilha do Pico. Açores. 2006

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Azul

[procurar um país 021] Partir para o grande oceano o perscrutar o denso azul das águas profundas, que nos parecem convidar para o mistério insondável do que guardam nessa cor. Um olhar humanizado que tem por base o nada, o vazio, ou apenas uma linha. Fim e começo de todas as viagens. Inalienável condição cultural de estar aqui, em Portugal, talvez o carácter geográfico que mais nos moldou, contidos, num passado recente, entre um estado imperialista e um imenso oceano.

005. Oceano Atlântico entre as ilhas da Madeira e do Porto Santo. Madeira. 2006

domingo, 3 de junho de 2018

Canal

[procurar um país 020] As ilhas são próximas uma da outra, são as duas mais próximas ilhas açorianas. Talvez por isso se designe “canal” a esse troço oceânico entre as duas ilhas. “Mau tempo no canal” é uma obra literária de Vitorino Nemésio, espelho desta paisagem em permanente mudança.

004. Oceano Atlântico entre as ilhas do Pico e do Faial. Açores. 2008

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Portinho

[procurar um país 019] Um mar calmo que parece contrariar o oceano aberto. Um ambiente cinematográfico, matéria de transparência frias onde imaginamos tubarões. É a última porta do Mediterrâneo numa viagem sempre a começar, sempre a renascer, muitas vezes deixada, náufraga, nas areias brancas.

003. Portinho da Arrábida. Setúbal. 2012

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Janela

[procurar um país 018] O mar num lugar distante, a mesma singularidade. Penedos desenhados pelas ondas de um oceano enorme. Como que figuras que nos interpelam sobre a nossa condição de seres vivos, habitantes de um planeta que só recentemente começámos a entender, mais plenamente, talvez. É a invenção da linguagem para o conhecimento do mundo.
 
002. Foz da Ribeira da Janela. Porto Moniz. 2006
 

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Ursa

[procurar um país 017] Um lugar onde sempre se regressa, sempre irrepetível, encontro “violento” da terra com o mar, diálogo de elementos primordiais do planeta que habitamos. Como se antes da terra houvesse o mar, um universo líquido, contínuo, infinito. Como se aqui começasse a nossa viagem, sendo que, para muitas comunidades, aqui terá terminado, no passado, um caminhar demorado que chegava a uma terra limite. Praias, rochedos ou falésias sobre o Atlântico.
001. Praia da Ursa. Sintra. 2002

terça-feira, 29 de maio de 2018

Porta

[procurar um país 016] Na sequência de uma visita ao mosteiro de Santa Clara-a-Velha, Coimbra, depois de recuperado o edifício e tornado acessível, apresentei à direção do monumento uma proposta para a sala de exposições temporárias. A ideia inicial era apenas mostrar um conjunto de fotografias feitas em 1988 quando uns miúdos brincavam numa jangada dentro do próprio edifício. Recebi como resposta a pronta abertura para a exposição, mas sugeriam-me antes um apanhado de imagens em torno do meu trabalho sobre Portugal. Acedi. A exposição viria a ter como título “Procurar um país — trinta anos em viagem”. São essas fotografias que irei agora aqui mostrar aqui na Cidade Infinita acompanhadas de textos, atuais, sobre o seu contexto e significado.

Mosteiro de Santa Clara-a-Velha. Coimbra. 1988

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Não resistir

[procurar um país 015] O que escrever sobre as imagens? Não se procuram justificações, apenas não resistir ao apelo das imagens e à sedução da escrita, que, aqui, mais não é que construção de um sistema de pensamento, em fuga a todas as suas evidentes fragilidades, à sua própria ausência de sentido.
2018

domingo, 27 de maio de 2018

Linhas múltiplas

[procurar um país 014] Há uma dimensão deliberadamente contida nesta mostra de fotografias. Não se procuram os grandes formatos, mas as linhas de múltiplas imagens, quase escrita, que dialogam entre si, que estabelecem relações de complexidade entre formas diferenciadas, memórias identitárias, tempos entrelaçados.
2018

sábado, 26 de maio de 2018

Conexões

[procurar um país 013] Notas para uma teoria da fotografia como arquitetura. O alinhamento das imagens em trilhos de labirinto. Construção de conexões para a descoberta de lugares inexistentes ou tornados possíveis em espaços virtuais.

2018

domingo, 20 de maio de 2018

Memória estendida

[procurar um país 012] Regressar. Muito fica diferente ao adicionarmos a dimensão tempo às fotografias. As imagens, dentro de um grande arquivo sobre o território, são espaço, são arquitetura, lugar habitado, memória estendida para lá do humanamente possível. Tempos passados em sítios inexistentes.
 
2018
 

sábado, 19 de maio de 2018

Fragmentos de representação

[procurar um país 011] Este conjunto de imagens não são “fotografias”, são fragmentos de representação de lugares. São uma síntese possível, procurada, de um espaço concreto. É uma imagem diversa, a invenção de um lugar fugidio, encontro com o significado do povoamento dos solos férteis. Ponto de chegada e de partida, caminho sobre o limbo esboroado de um vulcão ativo. Ilha num imenso oceano povoado de criaturas inexistentes. É a permanência, a procura do conhecimento fulcral, o núcleo da claridade. Clarão na luz da aurora, a densa sombra de detalhes lentos. Habituação a uma luta continuada, duradoura, violenta, mortífera. Renascimento prosseguido em milhões de anos de catástrofes. É a fabricação das cidades espontâneas. O desenho sonoro de uma paisagem inquieta. Palavras antes da linguagem. Todas as cores.

2018

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Tempo e seleção

[procurar um país 010] Nestes trabalhos não podemos deixar de pensar na questão “tempo” no âmbito das metodologias que levam ao desenvolvimento desta seleção de imagens, ou mesmo da própria forma de as mostrar, de as organizar, de as dispor, seja numa exposição, num livro, num documento para ser mostrado num ecrã.
 
2018
 

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Figuras e fundo

[procurar um país 009] A ideia aqui presente, como noutros aspetos das tipologias de espaços e lugares aqui apresentadas, é a de percorrer vários elementos significativos, em diferentes lugares de Portugal, para mostrar opções, formas de intervenção a partir de um mesmo conceito, arquiteturas, formas de fazer cidade, ou apenas, a marcação de lugares com escassos vestígios de povoamento humano. São exemplos da criação de espaço, de lugar, de território humano estendido por longos horizontes. Muitos espaços ficam de fora. Para cada situação há sempre várias opções, não raro de uma enorme riqueza formal e conceptual.
 
2018
 

terça-feira, 15 de maio de 2018

Expor

[procurar um país 008] As exposições, dado o seu carácter efémero, são momentos de reflexão e risco. Sem dúvida, espaços de liberdade. Ensaio de soluções antes não tentadas, não apenas do que se mostra, mas do como se mostra, da tentativa de tornar mais rica e intensa a experienciação de visita ao lugar, como se fosse possível passar ao leitor das imagens situações de vivência concreta dos lugares a céu aberto, momentos de vida marcantes que se desejam partilhar.

2018

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Opções

[procurar um país 007] O conceito original que aqui vai ser mostrado divide-se em dois núcleos. Um primeiro é o coração da exposição, são as fotografias de paisagens e arquiteturas de Portugal. Um segundo conjunto é sobre a construção da própria exposição, não no sentido de justificar as opções tomadas, mas de revelar um pouco do método de trabalho seguido até à seleção de imagens, construção de suportes e planificação. Um processo encarado como um projeto de arquitetura, não como uma edificação, física, material, mas como um conceito de procura de uma casa comum, uma representação de uma cultura, aproximação à representação de uma identidade coletiva que no solo foi deixando os seus projetos de habitar ao longo de sucessivas gerações, de milhares de anos. Para lá de imagem, estes conjuntos de fotografias, poderão ser, também, arquitetura. 
 
2018
 

domingo, 13 de maio de 2018

Linhas

[procurar um país 006] Este conjunto de fotografias não pode deixar de ser, também, um percurso pessoal por lugares representativos da diversidade de paisagens e formas de edificar no decurso de um tempo longo em Portugal. Como mostrar esses lugares? O núcleo base das imagens aqui expostas estão dispostas em 14 capítulos, momentos, linhas. Não se procurou uma ordem geográfica ou cronológica para mostrar as representações de paisagens e arquiteturas, mas fragmentos desses aspetos que tecem entre si uma teia de complexidades sempre renovada. São, de alguma forma, tipologias de imagens.
 
2018
 

sábado, 12 de maio de 2018

Camadas

[procurar um país 005] Estas fotografias representam, de algum modo, a continuação do trabalho mostrado em ocasiões anteriores como em  Guimarães, no Centro Internacional de Artes José de Guimarães, integrado na exposição “Os Inquéritos [à Fotografia e ao Território] - Paisagem e povoamento”, comissariada por Nuno Faria em 2015/2016. E continuadas nos dois últimos anos, com trabalhos sobre Castelo Branco, a Lapa do Lobo (Nelas), ou o Funchal. São várias camadas que se vão sobrepondo. É uma sistematização de frentes de trabalho e uma tentativa de sintetizar os elementos espaciais nodais do espaço português. Uma abordagem que apresenta uma seleção de imagens breve de um universo de centenas de milhar de fotografias.
 
2018
 

sexta-feira, 11 de maio de 2018

37

[procurar um país 004] Como mostrar 37 anos de fotografias sobre o espaço português? A imagem mais antiga que vai ser mostrada nesta série, data de 1982; a mais recente foi feita este ano 2018. São mais de três décadas de viagens por Portugal, na procura incessante e metódica do registo fotográfico do seu território. Neste hiato temporal foram percorridos mais de 700.000 quilómetros e feitas mais de 1.500.000 fotografias. Estas imagens são uma proposta de reflexão sobre sobre o povoamento da terra, um convite à viagem pelas paisagens menos humanizadas até ao coração das maiores cidades.

2018

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Esquivo

[procurar um país 003] Edificamos, continuamente, uma teia labiríntica e polissémica de espaços fascinantes. Arquiteturas para o futuro que nos ligam ao mais remoto passado. Espaços evolutivos e indeterminados. Estas fotografias são uma proposta de reflexão sobre Portugal. São a fixação possível de um ponto no espaço-tempo, voraz na sua celeridade e aceleração, ou o jogo de procura de uma realidade esquiva, eventualmente impossível de captar.
 
2018
 

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Convergência

[procurar um país 002] Este trabalho fotográfico tem procurado uma síntese do espaço tão diferenciado, com uma tão grande diversidade de lugares, que é Portugal. Que semelhanças podemos encontrar entre as terras nevadas da serra da Estrela e, por exemplo, o Terreiro do Paço, em Lisboa? Haverá algo em comum entre a paisagem da caldeira mais elevada da ilha do Pico e os edifícios da Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto? É entre estes espaços antagónicos que se joga a imensa diversidade de paisagens e formas de povoamento no território hoje Portugal. Estes são alguns dos aspetos que contribuem para o enorme valor de uma cultura milenar, de traços únicos, muito difíceis de objetivar. Estas fotografias querem fazer aproximações à imagem do património natural e cultural de um país que preserva no seu solo marcas dissonantes, notáveis, de milhares de anos de povoamento humano, de relação com a terra, com as edificações que são o rosto de uma cultura. São os projetos de construção de lugares novos, sempre inacabados, que uma sociedade vai deixando para as gerações seguintes.
 
2018
 

terça-feira, 8 de maio de 2018

Pausa

[procurar um país 001] Há momentos convulsos no decurso da existência. Há tempos de paragem. Voltarmo-nos para trás, repensar conceitos antigos a olhar para o futuro, para um lugar próximo. Integrar o passado na esfera do presente. Conviver com ausências. Prosseguir. Pegar em algo antigo, num conceito definido, e atualizá-lo. Luz nova sobre as águas de um rio.

2018

quinta-feira, 15 de março de 2018

Levantar pedras

[agora 14] Mas a vida é também feita de botas no chão, de pobreza, de levantar pedras à procura dos dias seguintes. A vida é um país que queremos maior, de uma comunidade aberta ao futuro que não quer esquecer o passado, que talvez não queira subsistir sobre modelos e ideais falhados. Sobre a memória do passado, sobre as cidades primordiais, sobre o lado luminoso das comunidades, no respeito estrito pela existência singular, escrever um texto, desenhar um objeto, partilhar uma reflexão, construir conhecimento coletivamente, compreender melhor o que pode ser a vida num planeta concreto num cosmos infinito, aproximarmo-nos de uma ideia de verdade. [Esta é a última publicação da série agora].
Serra da Estrela, 19 de fevereiro de 2018

terça-feira, 13 de março de 2018

Lugar novo

[agora 13] A terra não é representável. Construímos dispositivos de mediação, de interpretação do espaço, de acordo com critérios definidos e enquadrados num determinado período histórico. Todas as tentativas de representação são objetos de comunicação. Poderá haver a aproximação à exaustão de um olhar, o aprofundamento sucessivo a uma realidade que é infinita e, imaginamos, indecifrável. Construímos conhecimento a partir de uma quantidade de informação cada vez maior.
Serra da Estrela, 19 de fevereiro de 2018

Serra da Estrela, 19 de fevereiro de 2018

Serra da Estrela, 19 de fevereiro de 2018

domingo, 11 de março de 2018

Rosto

[agora 12] A imensidão do lugar fica depois do caminhar. Percorremos territórios ilimitados para percebermos, mais tarde, que fomos ao encontro de um rosto desenhado, que foi sendo definido no percurso, no reflexo também de todos quantos deste jogo estiveram próximos.
Serra da Estrela, 19 de fevereiro de 2018

sábado, 10 de março de 2018

Escuro

[agora 11] Quando a luz se apaga e o escuro entra. Ciclos de luz e sombra definem uma condição permanente do habitar um planeta. Todas as espécies vivas, todos os lugares. Há uma simplicidade desconcertante no caminhar. Movimento de ausência e reconciliação com as tensões inomináveis da condição sobrevivente.
Serra da Estrela, 19 de fevereiro de 2018

sexta-feira, 9 de março de 2018

Imagem passagem

[agora 10] O que é a fotografia? Como se representa o movimento, a vida, numa imagem parada? Dispomos fotografias em paredes, exposições. A evolução do processo fotográfico tem-nos mostrado uma cada vez maior acessibilidade à imagem. Fixação de tempo e espaço. Podemos, com imagens, construir gramáticas próprias do nosso universo contido, mas plural, contaminado por vivências fragmentadas. O movimento é também a passagem do tempo longo, que não está visível numa única imagem, mas num corpus extenso que nos revela o espaço-tempo do nosso habitar, da nossa passagem.
Serra da Estrela, 19 de fevereiro de 2018

quinta-feira, 8 de março de 2018

Expressão

[agora 08] Não irá ser a ciência a substituir a religião. Poderá ser o pensamento associado à liberdade. A arte é expressão desse pensamento em variadas e múltiplas formas. Mas a arte não pode ficar refém de quem a nomeia, de quem a deseja dominar. Arte, poesia, são matéria esquiva, são a expressão da leitura e interpretação do real, dessa extraordinária ferramenta evolutiva que, ao mesmo tempo que nos oprime, nos mostra um mundo em aberto a que nenhuma condicionante se poderá opor, nenhuma narrativa, nenhum discurso, nenhuma promessa. Não temos mais do que o tempo de uma vida para a construção do nosso próprio sentido.
Serra da Estrela, 19 de fevereiro de 2018

quarta-feira, 7 de março de 2018

Lugar de procura

[agora 09] Há uma matriz nesta procura, neste espaço que se serve da fotografia como motor de existência. A cidade infinita é um lugar aberto de procura de conhecimento e demanda de formas concretas para o entendimento da vida humana, da razão, da criação de sentido, interpretações do finito vago e ilimitado. Coerência como jogo de aleatoriedade. Palavras.

Serra da Estrela, 19 de fevereiro de 2018

terça-feira, 6 de março de 2018

Descodificar

[agora 07] Trabalhamos incansavelmente na descodificação da morte. Se a juventude, na sua demora, nos parece mostrar a imortalidade, o avanço no tempo da nossa existência, vai-nos revelando um fim do qual estamos em aproximação. Ao contrário do que prometem religiões, não haverá eternidade. O paraíso será também uma inexistência. A conquista do vazio, daquela que parece ser a ausência de sentido da própria vida, para além da sua materialidade e do seu carácter biológico, poderá ser uma fascinante base para a “escrita” de uma narrativa, necessariamente evolutiva.
Serra da Estrela, 19 de fevereiro de 2018

segunda-feira, 5 de março de 2018

Dois gumes

[agora 06] O pensamento simbólico e a linguagem são uma arma de dois gumes. São uma poderosa ferramenta na procura de alimento, na arte da guerra ou na construção de uma casa; mas são também a consciência aguda do infinito e da morte. As primeiras religiões terão surgido da necessidade prolongar a vida para além da morte e de explicar o mundo, de ligar causas e efeitos, de povoar o pensamento de seres imaginários na repulsão de um vazio intolerável. Nomear a eternidade.

Serra da Estrela, 19 de fevereiro de 2018

domingo, 4 de março de 2018

Sem chão

[agora 05] A ideia de Deus terá sido extremamente importante na criação de um “chão sólido” para a resolução de um “problema” evolutivo de uma espécie específica do planeta Terra. O intolerável vazio, a finitude e a morte. Ao longo de um hiato temporal de poucos milhões de anos, hominídeos adquirem um conjunto de ferramentas que os levarão a povoar um planeta praticamente em toda a sua extensão de terra. Foi um processo impressionantemente célere nunca antes observado no passado, como o atesta o registo fóssil. A consciência está longe de ser uma qualidade única da espécie Homo Sapiens, mas o pensamento simbólico e a linguagem são uma singularidade nossa.
 
Serra da Estrela, 19 de fevereiro de 2018
 

sábado, 3 de março de 2018

Nada

[agora 04] Em nada, absolutamente nada, encontro a necessidade de um deus, seja ele qual for. Nada poderei nomear que me indique a sua existência. Se afirmarem que a ciência, na atualidade, pode ocupar esse papel de algo em que se acredita incondicionalmente, e levar a um mesmo tipo de raciocínio, defenderei também um “não”. A ciência é conhecimento, ferramenta para a liberdade. A apreensão da realidade proporcionada pela ciência mostra-nos um mundo imensamente complexo e fascinante, muito mais rico e estimulante do que qualquer alinhamento de palavras. E partimos do princípio que a descodificação do real não é uma criação humana, como acontece com os mitos de criação do mundo. Qualquer uma das mais de 3.000 religiões existentes no nosso planeta são narrativas, mais ou menos imbricadas, concebidas por pessoas em tempos mais ou menos recuados.


Serra da Estrela, 19 de fevereiro de 2018