segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Praia do Tonel


[procurar um país 133] Pedras que são mapas, que são desenhos. Um ponto de paragem para leitura da paisagem. Seguir outro caminho, inicialmente não previsto. Conhecimento que flete face aos novos dados que se encontram. Este é o mapa de todas as viagens, de todos os tempos, mas também o fragmento dessa interminável viagem desenhada em múltiplas superfícies.

117. Praia do Tonel. Odemira. 2014

sábado, 10 de novembro de 2018

Pedra Cobra

[procurar um país 132] A pedra da Lufinha é um labirinto desenhado numa rocha, a céu aberto, que chega até hoje como um enigma a resolver. Foi esculpido antes da escrita, foi, talvez, um passo evolutivo que conduziu à palavra. São já representações simbólicas do mundo. A “palavra” representa uma conquista que foi sendo sucessivamente aperfeiçoada ao longo de milénios.

116. Pedra Cobra. Lufinha. Viseu. 1996

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Cabo Mondego


[procurar um país 131] A nomeação dos lugares. Os topónimos para sempre perdidos. Que nome vamos dar a esta terra? Procuramos desenhos, mapas, que nos indiquem caminhos, que nos abram horizontes de possibilidades novas de conhecimento, de sobrevivência à voracidade do tempo que passa.

115. Fóssil. Cabo Mondego. Figueira da Foz. 2014

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Ribeira de Piscos

[procurar um país 130] Os mais antigos desenhos, traços sobre as pedras, voltados para o rio. Primeiras representações conhecidas de um processo de apreensão do mundo. É este um dos fascínios maiores da gravuras do Côa. São desenhos como mapas, linhas, representações, literais, do mundo, mas também simbólicas. Metáfora de uma construção a partir do visível, edificação, depois, de uma realidade paralela.

114. Gravura rupestre. Ribeira de Piscos. Vila Nova de Foz Côa. 1996

A Fábrica Confiança

As antigas instalações da Fábrica Confiança, em Braga representam o último edifício industrial de um conjunto de outras unidades fabris que integravam a malha urbana da cidade e que, aos longo de tempos recentes, têm vindo a ser demolidos. Este complexo é atualmente propriedade da Câmara Municipal. Mas está marcada uma hasta pública para a alienação do imóvel e a entrega a privados. O destino não será difícil de imaginar: deverá ser preservada a fachada, ou parte dela, e todo o resto demolido para a conversão, provável, em habitação e comércio.
O que está em jogo é o desaparecimento de uma memória significativa da cidade de Braga. O património industrial é de uma enorme fragilidade. Os poderes políticos, nomeadamente os autárquicos, têm dificuldade em compreender este legado. Não será suficientemente antigo, não apresenta os traços de erudição de outras arquiteturas. Mas o património industrial conta-nos uma história. Essa história é a da fundação das cidades tal como hoje as conhecemos, mais, é a fundação do modelo social de que todos fazemos parte, no mundo ocidental.
As cidades têm uma fundação muito antiga, que remonta aos alvores do Neolítico, com a fixação das primeiras comunidades humanas. Em traços muito genéricos, com o Renascimento e com o processo de globalização iniciado com os navegadores dos séculos XV, começa a haver um maior distanciamento à ruralidade, a uma excessiva dependência do que a terra dá. O comércio dá origem a uma sociedade em transformação. Mas será só no século XIX, com a primeira Revolução Industrial, que se vai operar uma transformação profunda das cidades e da própria sociedade. É fundada a contemporaneidade. A Revolução Francesa é o símbolo maior desta fratura. Emerge a classe média. Uma sociedade mais justa e igualitária começa a ser desenhada.
Regressamos à Fábrica Confiança. O eminente risco da sua perda é o apagamento de uma memória de lutas pela justiça e pela igualdade tão bem expressa na malha urbana das cidades. A manutenção prometida de uma fachada apenas poderá ser o símbolo de uma cultura de falsidade e de incompreensão face ao significado da arquitetura. É a estrutura do edifício que evoca a sua memória. A fachada não pode ser apenas um postal ilustrado. A descaracterização do complexo Confiança é criar em Braga um vazio na leitura de uma linha temporal com mais de dois milénios de história. É empobrecer irremediavelmente um processo urbano admirável, mesmo que não isento de erros, que ainda hoje tem continuidade e que faz de Braga uma cidade de grande vitalidade.
Não há nenhuma fotografia, nenhum plano bidimensional, que substitua a vivência do espaço. Não se pode musealizar todos os edifícios do passado. Quando apenas resta um, com todas as condições para a conversão em programas de uso que serão bem mais úteis, para o futuro, do que encaixe de euros imediatos, teremos que pensar no gesto seguinte. Quando quisermos explicar as cidades aos nossos filhos não vamos dar saltos, branquear momentos que, muitas vezes, foram de dor e sofrimento. É o conhecimento do passado que nos pode libertar para um futuro de desenho mais sublime. Defendamos a Confiança.

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Convento de Cristo

[procurar um país 129] O Convento de Cristo, em Tomar, é um dos mais significativos conjuntos de toda a arquitetura portuguesa. É como que significado da arquitetura, uma desejada intemporalidade. Marca forte de uma cultura que se construiu a partir de uma interpretação da ideia de Deus e que se foi adaptando ao correr dos séculos, de todos os tempos.

113. Convento de Cristo. Tomar. 2007

terça-feira, 6 de novembro de 2018

Mosteiro dos Jerónimos


[procurar um país 128] O teto da Igreja do Mosteiro de Santa Maria dos Jerónimos, que se ergue a uma altura significativa, é um rendilhado que, apoiado em enormes colunas, substitui o céu.

112. Mosteiro dos Jerónimos. Lisboa. 2007

Os touros e a liberdade

Numa viagem recente atravessei Portugal de norte a sul. Já em terras alentejanas paro o carro para fotografar animais a pastar. Quando me aproximo da cerca, as vacas e os bois levantam a cabeça e olham-me fixamente. Por breves momentos como que se estabeleceu ali um diálogo entre duas espécies biológicas diferentes. Fiz algumas fotografias. Haveria de recordar, mais tarde, outros encontros com animais, outras imagens, num percurso mental pelo meu arquivo fotográfico.
Não posso negar que tenho dificuldade em compreender que espetáculo é esse em que se amputa a principal arma de defesa de um animal, os seus chifres, e se o empurra para o centro de uma arena, onde, do alto de um cavalo leve, rápido e ágil, é proporcionada ao cavaleiro a posição dominante e segura para espetar bandarilhas no seu dorso. O sangue não tardará a escorrer pelo seu corpo negro, musculado e pujante. O animal, longe dos horizontes vastos em que cresceu, vai revelar um sofrimento crescente.
As touradas são a exibição pública de um confronto entre duas espécies em que há uma que sai sempre derrotada. A aparente manifestação de bravura dos toureiros é o símbolo arcaico de sociedades desiguais em que um macho dominante simbolizava a defesa contra os inimigos da comunidade, fossem eles de tribos rivais ou as próprias intempéries vindas do céu ou os abalos da terra.
O mundo mudou. Terá passado o tempo em que as touradas eram elogiadas em páginas de bela literatura. Hoje há enormes problemas ambientais com a que a humanidade se defronta. É o aquecimento global ou a extinção acelerada de numerosas espécies. Está em risco um equilíbrio planetário do qual dependemos para a nossa própria sobrevivência. Poderá parecer que as touradas nenhuma relação têm com os problemas ambientais com que nos deparamos na atualidade, mas têm tudo em comum. É a continuidade de uma atitude arrogante perante a Natureza. Assumamos a nossa condição animal. Será quando nos soubermos reintegrar, regressar, em certa medida, à Natureza, respeitar as outras espécies que connosco partilham esta casa comum, a Terra, que daremos um passo em frente num processo civilizacional que não tem regresso.
Há muitas coisas que estão mal na nossa sociedade, há tradições profundamente nefastas que urge ultrapassar. Uma tomada de consciência sobre aquilo que realmente podemos ser como espécie biológica, no contexto desta contemporaneidade, poderá conduzir-nos a uma sociedade mais livre, justa e igualitária.
Talvez apenas o conhecimento nos transporte a estados clarividentes de consciência de tempo, de espaço, de vida. O conhecimento do mundo baseado nessa fascinante narrativa que a ciência nos tem vindo a desvendar, tão sabiamente acompanhada pelas leituras da arte, da poesia, das intuições disruptivas, é uma estrada fascinante. Olhemos longe o horizonte. Projetemos viagens que não signifiquem a anulação, a destruição do outro, seja ele humano ou não. Já nos podemos libertar dessa cruel e bárbara dimensão que ao longo de milénios fez de nós a mais poderosa máquina de sobrevivência e destruição. A extinção das touradas será bom sinal para uma humanidade mais livre, para um mundo melhor.

Serra do Gerês. 1991

domingo, 4 de novembro de 2018

Sempre-Noiva

[procurar um país 127] O palácio da Sempre Noiva terá sido construído na transição dos século xv para o século xvI. No local já existiria um torreão anterior a essa data e foram mesmo encontrados vestígios da presença romana. O edifício foi tendo obras ao longo do tempo, algumas das quais, durante o século XIX, terão causado uma descaracterização considerável da sua primitiva traça renascentista. Numa das salas uma enorme aranha parece estar fixada ao teto, a estruturar a sua sustentação, a definir uma cobertura. Lugar enigmático, forte, inquietante.

111. Palácio da Sempre-Noiva. Arraiolos. 1992

sábado, 3 de novembro de 2018

Águas Livres


[procurar um país 126] Aqueduto das águas livres, um túnel para o transporte da água. As grandes arquiteturas, construções, lineares, que atravessam paisagens distantes. Na cidade de Lisboa será uma monumental homenagem ao significado da água em toda e qualquer civilização.



110. Aqueduto das Águas Livres. Belas. Sintra. 1992

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Estádio Municipal de Braga


[procurar um país 125] Os desenhos sublimes da contemporaneidade da arquitetura portuguesa. Numa antiga pedreira desativada, nos arredores de Braga, foi construído um estádio.



109. Estádio Municipal de Braga. Braga. 2005

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Oliva

[procurar um país 124] A arqueologia industrial em funcionamento, um conjunto de máquinas pesadas, o ferro na sua expressão mais contundente. Ambiente sombrio, mundo, então, à beira do seu próprio fim. Não era pela sua arquitetura que a fábrica da Oliva era conhecida. Quando a fotografei, em 1998, era uma das mais antigas fundições em laboração.

108. Fábrica Oliva. São João da Madeira. São João da Madeira. 1998

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Cadeia da Relação

[procurar um país 123] O livro Murmúrios do Tempo, editado pelo Centro Português de Fotografia, é uma visita a um tempo antigo que nos é revelado pelas fotografias das faces dos prisioneiros que habitaram este lugar. Alguns desses olhares parecem transportar uma estranha serenidade. Que crimes teriam cometido? Mundo inquietante, um espaço que se transformou na casa da Fotografia.

107. Antiga Cadeia da Relação. Porto. 1997

terça-feira, 30 de outubro de 2018

Capelas Imperfeitas

[procurar um país 122] Algo de permanentemente inacabado, como se o projeto de construção de uma nação fosse a expectativa permanente para acabar aquilo que nunca poderá estar concluído. As Capelas Imperfeitas do Mosteiro de Santa Maria da Vitória, na Batalha. O mais notável memorial a assinalar aquela que foi talvez uma das maiores vitórias dos portugueses num campo de batalha.

106. Capelas Imperfeitas. Mosteiro da Batalha. Batalha. 2015

domingo, 28 de outubro de 2018

Mosteiro de Santa Clara-a-Velha

[procurar um país 121] Um dos mais fascinantes espaços arqueológicos de Portugal, objeto de uma muito cuidada intervenção. Santa Clara-a-Velha, a história de um regresso e o motivo, mais tarde, para a reunião de todas estas fotografias, aqui mostradas na Cidade Infinita.

105. Mosteiro de Santa Clara-a-Velha. Coimbra. 2014

sábado, 27 de outubro de 2018

São Luís dos Franceses

[procurar um país 120] A surpresa do conhecimento de espaços inesperados onde não podemos deixar de pensar que as cidades são feitas de densas opacidades a que quase nunca temos acesso. São portas nas cidades que nos abrem ao espanto. Imenso labirinto.

104. Igreja de São Luís dos Franceses. Lisboa. 2012

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Cisterna

[procurar um país 119] Uma certa ideia de gruta, espaço construído debaixo de terra. Lugar de armazenamento de água. Um espaço escondido de uma cidade grande, a cisterna do Hospital dos Capuchos.

103. Cisterna. Hospital dos Capuchos. Lisboa. 2012

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Biblioteca da Ajuda

[procurar um país 118] É uma imensa casa de livros como um espaço de guarda do conhecimento, de toda a memória do passado, do que nos foi possível deixar escrito, num discurso construído para o futuro, já na nossa ausência. Estes espaços são uma metáfora da própria ideia de arquivo de imagem, do acumular de fotografias para uma utilidade pontual, futura. Ao mesmo tempo definem, conformam uma arquitetura específica. A casa última do saber. Estas pesquisas nascem, também, de um universo bibliográfico específico. Um mundo de livros, de conhecimento partilhado que repousa nas páginas dos livros fechados, escuros, de letras encostadas face a face.

102. Biblioteca da Ajuda. Lisboa. 2009

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Coches

[procurar um país 117] O novo edifício do Museu dos Coches, em Lisboa, foi uma obra muito contestada por vários motivos, desde o seu autor, ao próprio desenho da arquitetura. Paulo Mendes da Rocha é um notável arquiteto brasileiro pertencente à geração do modernismo naquele país que inovou, de modo muito impressivo, as próprias formas da arquitetura para desenhos sublimes de escala grandiosa. Como acontece com o atual Museu dos Coches, em que a escala e a articulação de volumes, se relacionam com um muito cuidado e subtil desenho de todos os pormenores. É arquitetura sempre em evolução para formas antes não imaginadas.

101. Museu dos Coches. Lisboa. 2012

terça-feira, 23 de outubro de 2018

Portas de Moura

[procurar um país 116] O mármore polido desta fonte com séculos de história, é a sublimação de uma matéria que se faz urbana, branco afeiçoado por delicados gestos repetidos. A água, um dos mais vitais elementos da vida jorra de uma esfera-mundo.

100. Chafariz das Portas de Moura. Évora. 2006

Carta Aberta ao Presidente da Câmara Municipal de Viseu

Carta Aberta

Exmo. Senhor Presidente da Câmara Municipal de Viseu,
Dr. Almeida Henriques

Tendo tomado conhecimento em notícia publicada no Jornal do Centro, datada do dia de ontem, 22 de outubro de 2018, da instalação de sete artistas (Sónia Barbosa, Luís Belo, Filipe Santos, Ana Flor, Carlos Salvador, Bruno Pinto e Graeme Pulleyn) e uma empresa (EON Indústrias Criativas) numa Incubadora de Indústrias Criativas do centro histórico de Viseu, na rua Dr. Luís Ferreira (Rua do Comércio), venho por este meio solicitar alguns esclarecimentos.

Pela interpretação da notícia a Câmara Municipal de Viseu cede o espaço assegurando todas as despesas para o seu funcionamento.

O que eu gostaria de ver esclarecido é a forma como foi atribuído aquele espaço e em que condições.
— Houve concurso público devidamente publicitado?
— Quais foram os critérios para a atribuição do espaço?
— Quais são as contrapartidas exigidas aos agentes culturais?

A resposta de Sónia Barbosa (citando textualmente a notícia do Jornal do Centro acima referida) — “Com este espaço, podemos planear, a médio prazo, e pensar o que queremos fazer em dois anos, o que se torna difícil quando não temos assegurado um espaço de trabalho. Ter outra pessoas ao nosso lado funciona como uma inspiração, podemos partilhar ideias e criar projetos que se cruzem” — sugere que não há um projeto estruturado para o desenvolvimento da atividade dos artistas, mas apenas uma manifestação de intenções sem qualquer garantia de concretização de ações que justifiquem a outorga destas condições.

Não estão, de modo algum, em causa os nomes dos artistas. Está em causa a transparência dos orçamentos públicos, da redistribuição das participações fiscais, ou outras, de todos os contribuintes.

Devo informar, pessoalmente, que integrei um coletivo no centro histórico de Viseu que tive que abandonar devido, sobretudo, ao valor da renda. Debato-me diariamente com as dificuldades que muitos outros agentes da área cultural se debatem. É uma atividade económica de grande valor, de baixo preço, que deixa ao longo do tempo o verdadeiro caráter identitário, de uma cidade, de uma região, de um país, de toda uma civilização. Como outras, a atividade cultural é fortemente concorrencial, por isso as distorções ao normal funcionamento das leis de mercado prejudicam enormemente todos os agentes excluídos. Mesmo que na incompreensão de uma camada da população sobre o trabalho artístico, nomeadamente de decisores políticos, há ações que são, atualmente, intoleráveis.

Há muitos artistas e outros agentes culturais com trabalho reconhecido, nalguns casos ao longo de décadas, que apesar da grande precariedade em que vivem, pagam as suas rendas e todas as suas contribuições fiscais e para a Segurança Social.

Se me permite, Senhor Presidente, há artistas que desenvolvem um trabalho notável. Esta não é apenas uma atividade económica, é o trabalho diário para uma sociedade mais justa, transparente, democrática e igualitária.

Saudações cordiais,
Duarte Belo

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

FAUP

[procurar um país 115] Há lugares que são, também, pessoais. Há um modo particular que nos prende a cada edifício, a cada lugar. Na faculdade de arquitetura do Porto iniciaria o estudo formal da arquitetura, primeiro no espaço das Belas Artes, na avenida Rodrigues de Freitas, depois no Campo Alegre. Estes edifícios ainda não estavam construídos.

099. Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto. 2001

domingo, 21 de outubro de 2018

Panóptico

[procurar um país 114] Uma referência aos casos extremos de distúrbios na saúde mental, à necessidade de controlar essas pessoas, a sua agressividade, numa altura em que a medicina e a farmácia eram muito pouco desenvolvidas. Criou-se um mundo próprio para estes doentes, num ponto alto da cidade, como que um espaço proibido. Hoje esse território continua. O hospital Miguel Bombarda fechou. O seu amplo espaço continua devoluto à espera de mais uma transformação na cidade.

098. Panóptico. Hospital Miguel Bombarda. Lisboa. 2012

sábado, 20 de outubro de 2018

Grilos

[procurar um país 113] Há património que nos marca, que se liga a determinados momentos, anos, das nossas vidas. Momentos fundacionais. Mas este é também um momento sublime de ocupação de um difícil declive acentuado. É a articulação de vários níveis muito diferentes, é a construção de um templo, com uma imponente fachada, num lugar exíguo. A pedra escura, o granito, é a cor e a marca indelével desta cidade que se desenvolveu a partir de um morro defensável na margem norte, na proximidade da foz, do mais caudaloso rio ibérico.

097. Igreja dos Grilos. Porto. 2013

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Largo Dom Duarte

[procurar um país 112] É a homenagem a um rei, Dom Duarte, que nasceu em Viseu em 1391, mas também uma das mais interessantes praças desta cidade no coração de um vasto território do Douro ao Mondego, do Caramulo à Estrela. A cidade poder-se-á ter desenvolvido em torno de um conjunto de penedos sacralizados num alto-lugar. Deverão ter existido templos mais primitivos no local onde hoje se encontra a Sé Catedral. É um espaço sagrado que articula um conjunto de praças em seu redor. É a imagem do espírito urbano com raízes fundas na Idade Média.

096. Largo Dom Duarte. Viseu. 2015

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Ponta Delgada

[procurar um país 111] Praça aberta ao imenso oceano. Pedra preta sobre panos brancos. É a arquitetura açoriana, o basalto a contrastar com a alvura da cal. Pedras retiradas aos vulcões adormecidos, nesta maior cidade, como nas restantes de todas as 9 ilhas povoadas deste arquipélago.

095. Ponta Delgada. 2006

terça-feira, 16 de outubro de 2018

Guarda

[procurar um país 110] A praça central de um mundo arcaico, que preserva as linhas, os compromissos de vários tempos urbanos que ali convivem. Estamos na mais alta cidade portuguesa. Os tempos recentes, de maior pressão demográfica, não foram benéficos para esta urbe. Não se soube interpretar a sua força altaneira, o seu carácter único em todo o Portugal. Muito desapareceu da primitiva cidade, e as suas extensões que irradiam para as cotas mais baixas, não têm um desenho cuidado. Mas permanece uma marca inconfundível, como resistência e memória, nalguns edifícios, ruas e praças.

094. Guarda. 2007

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Manique do Intendente

[procurar um país 109] Um gesto urbano singular. Um traço urbano de ensaio de soluções novas que nasciam da vontade de um homem, Diogo Inácio de Pina Manique (1733-1805). O lugar tinha sido concedido a este intendente geral da polícia pela rainha Dona Maria I. Aquele espaço seria como que a continuidade do desenho das cidades planificadas dos tempos pombalinos. O coração da urbe foi uma ampla praça hexagonal em que uma das faces era ocupada pelo edifício do governo municipal. Era a praça dos Imperadores. Mas a morte de Pina Manique viria a deixar o plano inacabado. O concelho seria extinto em 1836 pelas reformas liberais de Passos Manuel.

093. Manique do Intendente. Azambuja. 2001

domingo, 14 de outubro de 2018

Vila Real de Santo António

[procurar um país 108] Com o Terreiro do Paço, em Lisboa, Porto Covo, no litoral alentejano, a Praça da República, em Vila Real de Santo António, constitui um dos notáveis exemplos do urbanismo que decorre das obras promovidas por Marquês de Pombal após o terramoto de 1755. Era o aparecimento das arquiteturas planificadas, a construção de uma nova ordem, moderna, racional, que cortava amarras, definitivamente, com o mundo medieval que em muitos lugares, de um Portugal esquecido, persistia. 

092. Vila Real de Santo António. 1996

sábado, 13 de outubro de 2018

Terreiro

[procurar um país 107] A mesma cidade, uma fotografia diferente, uma praia, o limite do encontro da terra com o mar. Como se houvessem várias cidades dentro de um mesmo espaço. É o tempo a mediar situações em quase tudo diferentes, desde a tecnologia ao olhar diferenciado que esta transporta. Este é um ponto importante deste trabalho. O tempo traz consigo tecnologias diferentes e, também por isso, formas diferentes de olhar, de ver, de construir um universo pessoal evolutivo, que se recusa a parar, que contempla na voragem do tempo.

091. Terreiro do Paço. Lisboa. 2012

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Eixo

[procurar um país 106] O eixo central do coração de uma cidade. Eixo simbólico, geometria da representação do poder humano, político. O centro administrativo de um país edificado após uma grande catástrofe natural que arrasou a cidade de Lisboa.

091. Terreiro do Paço. Lisboa. 1996

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Marco de Fronteira

[procurar um país 104] Procuramos pontos de marcação dos lugares, de territórios. São referências de orientação, ou marcos de identidade de comunidades. Marcas de poder. Pontos que mais tarde havemos de tentar escalar, todas as montanhas de um território contido, delimitado, para lá do qual ficam as terras desconhecidas, inexploradas.

088. Marco de Fronteira. Serra das Mesas. Sabugal. 1995

terça-feira, 9 de outubro de 2018

São Gabriel

[procurar um país 103] Os marcos geodésicos foram construídos no âmbito do levantamento cartográfico de todo o território português. Fornecem uma posição cartográfica exata, relativa à latitude, longitude e altitude. Estão sempre localizados em pontos elevados e, tendencialmente, com relação visual com outros marcos. É pela triangulação destes elementos que serão medidas as distâncias e os ângulos que permitirão desenhar as cartas topográficas, obtendo-se assim uma representação rigorosa do território.

087. São Gabriel. Castelo Melhor. Vila Nova de Foz Côa. 1995