quarta-feira, 19 de julho de 2017

Trabalhos no Alentejo

[esporão 30] 20 de maio de 2010. De novo no Alentejo. Primavera, água livre em terras secas, ciclos de floração. Como dias antes havia observado na Quinta dos Murças, também na Herdade do Esporão, no Alentejo, decorriam trabalhos de preparação de terrenos para as novas vinhas. Dada a acentuada horizontalidade destes solos, o processo é mais mecanizado do que havíamos observado no Douro, não dispensando, no entanto, a mão humana.

Herdade do Esporão, Reguengos de Monsaraz. 20 de maio de 2010

Herdade do Esporão, Reguengos de Monsaraz. 20 de maio de 2010

Herdade do Esporão, Reguengos de Monsaraz. 20 de maio de 2010

Herdade do Esporão, Reguengos de Monsaraz. 20 de maio de 2010

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Água como regresso

[esporão 29] A própria fotografia, as recolhas de campo, têm uma forte componente física e não é raro sermos levados a pensar que afinal é a água o mais precioso líquido de que podemos dispor. Este é um ponto de reflexão que, quando atingido, nos faz regressar a condição de mamíferos, de máquinas de sobrevivência, animais que se deslocam sobre a terra, incessantemente, à procura de alimentos, de subsistência, de lugares para habitar, das noites de ausência que apenas preparam a jornada seguinte.

Quinta dos Murças, Covelinhas, Peso da Régua. 9 de março de 2010

Quinta dos Murças, Covelinhas, Peso da Régua. 9 de março de 2010

sábado, 15 de julho de 2017

Corpo

[esporão 28] Estes são os construtores das paisagens milenares. Nestes trabalhos a céu aberto há sempre uma componente física envolvida. É a presença do corpo entrosado com os lugares, com a natureza. É deste labor que, muitas vezes, se tenta fugir, do cansaço extremo, das jornadas de trabalho contínuo. Mas ao mesmo tempo, quem executa estas tarefas sente as dimensões poderosas desse mesmo corpo, há o desprendimento de um, quase, ser “burocrático”, há como que o encontro com a natureza intacta que nos transportou, por longos e aleatórios caminhos evolutivos, ao momento que habitamos no presente. Há uma “expiação” da condição existencial plena de dúvidas, para mergulhamos numa libertação de um quotidiano sedentário. A prisão da terra é aqui  território de libertação.

Quinta dos Murças, Covelinhas, Peso da Régua. 9 de março de 2010

Quinta dos Murças, Covelinhas, Peso da Régua. 9 de março de 2010

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Plantar

[esporão 27] 9 de março de 2010. Mais uns meses passados e agora, na primavera, era tempo de plantar as novas vinhas. O solo recebera as chuvas do inverno e as temperaturas estavam a subir. Trabalhadores povoavam os planos inclinados sobre o Douro. Pessoas dispersas na paisagem a lembrar tempos antigos, de Domingos Alvão, fotógrafo das dimensões humanas do Douro, há mais de meio século. O solo está limpo de qualquer planta. Os movimentos de terras haviam terminado há pouco. Nalguns casos já estavam a ser colocados os esteios e as linhas de arames para receberem o crescimento dos pés de vinha. O que dominava a leitura visual da paisagem eram algumas pessoas a plantar a vinha, com o rio em fundo. Talvez não fosse difícil imaginar uma paisagem que, lentamente, da terra se ergueria em manto verde. A expectativa ali ficava, sobre um lugar em transformação.

Quinta dos Murças, Covelinhas, Peso da Régua. 9 de março de 2010

Quinta dos Murças, Covelinhas, Peso da Régua. 9 de março de 2010

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Vindima duriense

[esporão 26] 8 de setembro de 2009. A vindima duriense decorria ao mesmo tempo que se trabalhava, noutros talhões, no desenho e afeiçoamento de um novo território a plantar. Obras de modelação e movimentação de terras. O vinho desenhado pela água. As técnicas tradicionais de construção de muros. O respeito por uma tradição evolutiva de vários séculos de dedicação à terra e ao vinho.

Quinta dos Murças, Covelinhas, Peso da Régua. 8 de setembro de 2009

Quinta dos Murças, Covelinhas, Peso da Régua. 8 de setembro de 2009

Quinta dos Murças, Covelinhas, Peso da Régua. 8 de setembro de 2009


Quinta dos Murças, Covelinhas, Peso da Régua. 8 de setembro de 2009

terça-feira, 11 de julho de 2017

Movimento de terra

[esporão 25] Alguns meses depois regressava à Quinta dos Murças, 8 de setembro de 2009. Decorriam trabalhos em quase toda a sua extensão. Movimentos de terras para a preparação de vinhas novas, consolidação do escoamento de linhas de água e o arranjo de muros. Os muros eram erguidos pelos processos tradicionais, secularmente usados no Douro. Pedra sobre pedra, algumas de impressionantes dimensões. Era o regresso ao uso do xisto da região e a recusa do emprego do betão para evitar a descaracterização do lugar e preservar a sua memória.
 
Quinta dos Murças, Covelinhas, Peso da Régua. 8 de setembro de 2009

Quinta dos Murças, Covelinhas, Peso da Régua. 8 de setembro de 2009

Quinta dos Murças, Covelinhas, Peso da Régua. 8 de setembro de 2009
Quinta dos Murças, Covelinhas, Peso da Régua. 8 de setembro de 2009

Quinta dos Murças, Covelinhas, Peso da Régua. 8 de setembro de 2009
 

Perdigões

[esporão 24] 7 de agosto de 2009. A herdade dos Perdigões, que integra o conjunto de propriedades da Esporão, situa-se nas imediações de Reguengos de Monsaraz. A maior parte do solo está cultivado com vinha. Há, no entanto, uma área relativamente extensa, liberta de qualquer plantação. Uma grande tenda de lona branca está sobre este solo. Entramos. Talvez umas vinte pessoas vasculham a terra, escavada em troços retilíneos cuidadosamente mapeados. Decorrem trabalhos de escavação arqueológica. A área de intervenção, embora relativamente grande, representa uma pequena fração de um enorme recinto. O lugar fora um importante espaço religioso muito antes da ocupação romana deste território. Aqui se encontraram significativos vestígios para o conhecimento das comunidades humanas que ocuparam o lugar há mais de 2000 anos. Algumas das peças encontradas estão em exposição na Torre do Esporão.

Herdade dos Perdigões, Reguengos de Monsaraz. 7 de agosto de 2009

Herdade dos Perdigões, Reguengos de Monsaraz. 7 de agosto de 2009

Herdade dos Perdigões, Reguengos de Monsaraz. 7 de agosto de 2009

Herdade dos Perdigões, Reguengos de Monsaraz. 7 de agosto de 2009

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Solos

[esporão 23] No dia 14 de maio de 2009, o objetivo fora só o de fotografar solos, a matéria-terra. É impressionante a diversidade, na aparência, dos solos, muitas vezes em pontos distantes uns meros 20 ou 30 metros. Estas diferenças são acompanhadas por diferentes constituições químicas, que, por sua vez, darão origem a ligeiras variações das próprias uvas, mesmo dentro de uma mesma casta. É isto que faz o chamado “terroir”, a mas delicada expressão de um vinho, aquilo que o prende a um lugar único e irrepetível. É no ínfimo detalhe que se trabalha a singularidade sublime de um vinho

Herdade do Esporão, Reguengos de Monsaraz. 14 de maio de 2009

Herdade do Esporão, Reguengos de Monsaraz. 14 de maio de 2009

Herdade do Esporão, Reguengos de Monsaraz. 14 de maio de 2009

Herdade do Esporão, Reguengos de Monsaraz. 14 de maio de 2009

domingo, 9 de julho de 2017

Arco de tempo e espaço

[esporão 22] É muito interessante relacionar a terra, nas suas mais antigas formas de suporte estável às atividades humanas e à fixação de comunidades, com a atividade agrícola aqui desenvolvida e toda a maquinaria que a suporta. Quando entramos nas adegas vemos um complexo universo de linhas de produção. É o extremo oposto do que se verifica para lá das paredes, a céu aberto. O Esporão, como projeto integrado de produção, é a procura cada vez mais fina deste equilíbrio entre a terra, e o desejo da manutenção da sua integridade, e a mais avançada tecnologia. Este saber de relação, acumulado ao longo de mais de 40 anos, dá origem a vinhos, e agora azeites, progressivamente mais elaborados e singulares.

Herdade do Esporão, Reguengos de Monsaraz. 6 de janeiro de 2009

Herdade do Esporão, Reguengos de Monsaraz. 6 de janeiro de 2009

sábado, 8 de julho de 2017

Ler a paisagem pela arquitetura

[esporão 21] Quando descrevemos esta terra não podemos deixar de olhar para os edifícios. A opção arquitetónica foi, desde o início, a discrição e a integração na paisagem. Não se procurou aqui um confronto com uma certa ideia de tradição do edificar no Alentejo. Os vários edifícios da herdade são, no entanto, muito singulares na sua interpretação desses mesmos valores e no detalhe, bem como nalguns aspetos estruturais que mostram o refinamento do desenho.

Herdade do Esporão, Reguengos de Monsaraz. 6 de janeiro de 2009

Herdade do Esporão, Reguengos de Monsaraz. 6 de janeiro de 2009

Herdade do Esporão, Reguengos de Monsaraz. 6 de janeiro de 2009

Herdade do Esporão, Reguengos de Monsaraz. 6 de janeiro de 2009

Herdade do Esporão, Reguengos de Monsaraz. 6 de janeiro de 2009

Os lugares de um território

[esporão 20] 6 de janeiro de 2009. O passar do tempo leva-nos a uma leitura mais acutilante do espaço. Quando se olha de relance a Herdade do Esporão o que imediatamente impressiona é a enorme extensão de vinha. E esta é, de facto, sua marca mais distintiva, que é acentuada por uma pouco vulgar horizontalidade do solo. Mesmo no Alentejo não é frequente uma paisagem desta natureza; há, habitualmente, um suave ondular da terra. Mas o Esporão é muito mais do que vinha, mesmo esta apresenta variação entre os seus numerosos talhões. Existe também uma extensão considerável de olival, este sim, já plantado em terreno ondulado. Depois há o solo de montado, onde domina o sobreiro, a azinheira e algumas espécies arbustivas. A barragem, a albufeira que alimenta de água quase toda a atividade agrícola, define também uma área considerável e define um horizonte de “frescura” nos estios quentes, secos e prolongados. Mas nas cotas mais baixas da propriedade, quando esta se aproxima da ribeira da Caridade, observamos outras espécies vegetais, que, por sua vez, revelam um mundo escondido de biodiversidade, que estamos longe de poder imaginar quando entramos na Herdade, vindos de Reguengos de Monsaraz.

Herdade do Esporão, Reguengos de Monsaraz. 2007

Herdade do Esporão, Reguengos de Monsaraz. 2007

Herdade do Esporão, Reguengos de Monsaraz. 2007




sexta-feira, 7 de julho de 2017

De novo Serpa

[esporão 19] 6 de janeiro de 2009. Regresso ao lagar de Serpa, às azeitonas e aos detalhes das matérias naturais em relação com as prensas e demais maquinaria de apoio à extração do azeite. Alguma estranheza ao ver delicados pedaços de matéria orgânica sobre peças de aço, desenhadas, em movimento. Alguma inquietação, mas, ao mesmo tempo, era a leitura de um diálogo entre a natureza e a máquina, algo que já observáramos nos lagares e adegas associados à produção de vinho.

Lagar de azeite, Serpa. 6 de janeiro de 2009

Lagar de azeite, Serpa. 6 de janeiro de 2009

Lagar de azeite, Serpa. 6 de janeiro de 2009


Lagar de azeite, Serpa. 6 de janeiro de 2009


quinta-feira, 6 de julho de 2017

Covelinhas, estação

[esporão 18] Devido ao próprio canal erosivo aberto pelo caudal das suas águas ao longo de milhões de anos, o Douro, e os seus afluentes, é um extenso território de solos com declives, por vezes, muito acentuados. Nesta paisagem enrugada, as próprias águas se oferecem como uma via de navegação preferencial. A navegação, com os barcos rebelos, foi durante cerca de dois séculos, o meio de transporte mais frequente, sempre sujeito às variações sazonais de caudal. Com a construção do caminho de ferro, os comboios passam a ser o meio de transporte mais rápido e seguro. A estação de Covelinhas, junto aos edifícios da Quinta dos Murças, continuam a ser a presença do universo ferroviário, marca indelével do rio Douro.

Estação de Covelinhas, Peso da Régua. 13 de novembro de 2008


Quinta dos Murças

[esporão 17] Na primeira viagem a um novo território, o Douro e a Quinta dos Murças, encontrava todos os tempos meteorológicos condensados num só, primeiro, dia. Não poderemos deixar de evocar as terras do Sul. Tudo aqui parece muito diferente do que acontece no Alentejo, mas há algumas pontes de contacto, o solo, são os “mesmos” xistos e o clima, quente e seco durante uma parte significativa do ano, também aparenta semelhanças. Mas o contexto geográfico é muito diferente. Aqui temos a presença de um grande rio e um vale que estrutura uma paisagem que se estende por uma distância cujos limites são difíceis de precisar.

Quinta dos Murças, Covelinhas, Peso da Régua. 13 de novembro de 2008

Quinta dos Murças, Covelinhas, Peso da Régua. 13 de novembro de 2008

Quinta dos Murças, Covelinhas, Peso da Régua. 13 de novembro de 2008




quarta-feira, 5 de julho de 2017

Nevoeiro no Douro

[esporão 16] 13 de novembro de 2008. Era cedo. Estava um nevoeiro bastante cerrado. Tinha há pouco passado uma indicação de Quinta dos Murças e estacionei na berma, junto da ruína de um conjunto edificado. A paisagem era a da vinha de outono, em tons avermelhados e de castanho vivo. O lugar era denso, as vinhas velhas denotavam algum abandono, mas a presença do rio conferia àquelas encostas uma poderosa dimensão telúrica. Fora este o primeiro contacto com a Quinta dos Murças.

Quinta dos Murças, Covelinhas, Peso da Régua. 13 de novembro de 2008

Quinta dos Murças, Covelinhas, Peso da Régua. 13 de novembro de 2008

Quinta dos Murças, Covelinhas, Peso da Régua. 13 de novembro de 2008


Uvas

[esporão 15] 5 de setembro de 2008. As vindimas, que só muito superficialmente seriam abordadas no dia anterior, eram agora observadas em detalhe, no seu enquadramento com a paisagem. Todo o conjunto, de trabalhadores e máquinas, é um corpo, um dispositivo de produção, pensado ao ínfimo detalhe, constituído por muitas células especializadas. 

Herdade do Esporão, Reguengos de Monsaraz. 5 de setembro de 2008

Herdade do Esporão, Reguengos de Monsaraz. 5 de setembro de 2008

Herdade do Esporão, Reguengos de Monsaraz. 5 de setembro de 2008