sábado, 27 de maio de 2017

Palheiro Ferreiro

[funchal 10] A Quinta do Palheiro Ferreiro é um muito bom exemplo do que seriam as quintas no Funchal num passado recente. É praticamente a única que subsiste, íntegra, do extenso perímetro que envolvia a cidade é lhe conferia uma cintura verde. Eram como que jardins, espaços verdes construídos, com desenho humano, a fazer a transição espacial para a floresta, num perímetro mais afastado e mais elevado, e, depois, às montanhas, já a altitudes onde não crescem árvores de grande porte e onde os ventos fortes e invernos severos impedem o desenvolvimento de um coberto vegetal tal como o podemos observar nos vales abrigados, quase sempre escarpados, e nas terras baixas.
 
Quinta do Palheiro Ferreiro, Funchal. 2017

Quinta do Palheiro Ferreiro, Funchal. 2017

Quinta do Palheiro Ferreiro, Funchal. 2017

Quinta do Palheiro Ferreiro, Funchal. 2017
 

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Quintas desfragmentadas

[funchal 09] Havia uma cintura de quintas que hoje praticamente não existe. A pressão demográfica da segunda metade do século XX levou à subdivisão das propriedades e o espaço verde, de uma considerável extensão, desapareceu. Permanecem algumas casas despojadas da sua antiga nobreza, integradas num horizonte caótico de pequenas habitações de desenho uniforme e pouco qualificado
 
Funchal. 2017
 

terça-feira, 23 de maio de 2017

Gigantes frágeis

[funchal 08] Há árvores que são seres monumentais. São presenças imponentes, guardiões de um tempo antigo, vegetal, memória quase perdida na cidade. São outra face da natureza intacta que permanece, que resiste a fogos e dilúvios, que nos olha, que nos interroga sobre um mundo que não podemos perder. São opulente e perturbadora manifestação de vida, gigantes frágeis.
 
Funchal. 2017

Funchal. 2017
 

Do sacrilégio

[caos 12] Não temos um conceito de intervenção estética subjacente a esta ideia. Cada um seguirá o seu caminho próprio em diálogo com os restantes elementos. A primeira exposição é coletiva e o espelho de diferentes caminhos. O tema, lançado a partir do dia 13 de maio, não sem ironia e benévola provocação, é “O Sacrilégio como uma das Belas Artes”.
 
Luís Calheiros, Caos. Viseu. 2017

Duarte Belo, Caos. Viseu. 2017

Paula Magalhães, Caos. Viseu. 2017
 

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Cidade botânica

[funchal 07] Os jardins assumem uma dimensão importante na cidade do Funchal, e na ilha da Madeira de um modo geral. O clima quente e húmido, decorrente da sua posição geográfica, bem como a altitude elevada da ilha, levam à criação de condições ótimas para o desenvolvimento de espécies vegetais. No entanto a pressão demográfica e o constante alargamento das malhas urbanas, particularmente na vertente sul da ilha, tem levado a uma progressiva devastação de áreas de floresta. Mas vão ficando marcas importantes, focos de resistência verdes a pontuar a urbanidade crescente.
 
Funchal. 2017

Funchal. 2017

Funchal. 2017

Funchal. 2017
 

Paula Magalhães, Caos

[caos 11] A origem e a determinação na criação deste projeto, o nome dado a esta causa e o desejo antigo de proporcionar à cidade algo que passe pela expressão plástica como o desenho, a pintura, a gravura, a serigrafia, a fotografia e alguns dos seus antigos processos de impressão.
Paula Magalhães, Caos, Viseu. 2017

Luís Calheiros, Caos

[caos 10] O pensador e o homem do traço fino, da mão hábil, da voz aglutinadora e da palavra fluente.

Luís Calheiros, Caos, Viseu. 2017

José Cruzio, Caos

[caos 09] Um homem incansável na procura das formas, do preto e branco e das cores, da arte e das suas variações entre o desenho e a fotografia.

José Cruzio, Caos, Viseu. 2017

domingo, 21 de maio de 2017

Duarte Belo, Caos

[caos 08] O último a entrar no projeto Caos, sem muito para dizer de si próprio que não sejam as palavras que nesta “cidade” se vão alinhando.

Duarte Belo, Caos. Viseu. 2017

Perímetro muralhado

[funchal 06] Houve, no passado, um perímetro muralhado a envolver a cidade. A sua construção obedeceu a uma função defensiva, particularmente devido aos ataques dos corsários e piratas que navegavam em mar aberto a pilhar as cidades costeiras e a deixar um rasto de destruição. Desta muralha já muito pouco subsiste no Funchal. A perda da função defensiva e a expansão demográfica levou à sua demolição. Permanecem quatro fortes, que definem como quatro bons exemplos de arquitetura militar. A fortaleza do ilhéu, construída sobre um esporão rochoso ao largo da baía do Funchal, entretanto ligado a terra por um paredão de betão que conforma o porto marítimo. O forte e palácio de São Lourenço, no centro do Funchal, o forte São Tiago, junto à linha de costa a nascente da cidade, e o forte de São João Batista, a uma cota mais elevada e com um vista muito impressiva sobre a malha urbana a todo o redor.
 
Forte do Ilhéu, Funchal. 2017
 
 
Forte de São Tiago, Funchal. 2017

Forte de São Lourenço, Funchal. 2017

Forte de São João Batista, Funchal. 2017
 
 
 

Cristina Nogueira, Caos

[caos 07] A pedra basilar deste projeto, alguém que deu a face humana a umas paredes bastante maltratadas por presenças anteriores neste mesmo espaço. Infatigável na criação de uma dimensão familiar associada a um conceito de arte como vida.
 
Cristina Nogueira, Caos. Viseu. 2017
 

sábado, 20 de maio de 2017

Cinco, do Caos

[caos 06] Somos Cristina Nogueira, Duarte Belo, José Cruzio, Luís Calheiros e Paula Magalhães. Transportamos identidades e experiências individuais que se fundem num coletivo para criar sinergias que amplifiquem saberes adquiridos e modos de ação.
José Cruzio, Paula Magalhães, Luís Calheiros, Cristina Nogueira, Duarte Belo. Viseu. 2017

Santa Clara

[funchal 05] O convento de Santa Clara permanece como uma ilha de tempo antigo no coração do Funchal. Ao longo do último século foi perdendo área mas mantém um carácter genuíno e ainda algum solo agrícola dentro da sua cerca. O claustro impressiona pelos seus arcos, envolvência do edificado e pela próprio solo cultivado. Ao redor há a arquitetura e a arte que são verdadeiramente únicas. É um espaço para a vivência de uma experiência de fruição estética e existencial muitos marcantes.

Convento de Santa Clara, Funchal. 2017

Convento de Santa Clara, Funchal. 2017

Convento de Santa Clara, Funchal. 2017

Inusitados

[caos 05] Apontaremos trilhos de liberdade, invenção de percurso. No cruzamento de itinerários desconexos marcamos a nossa condição de observação do caos. Avançaremos sobre relações topológicas inusitadas, diálogos abertos, rostos que são mapas da terra e do tempo. Edificar aqui o sentido dos fazeres e do entendimento do habitar. Transformar em linguagem os códigos da vida. Fazer desenhos, apresentar ideias, edificar propostas de permanência, imaginar novos espaços-tempo, compreender quem somos na irredutível impossibilidade de parar.
Largo de São Teotónio, Viseu. 2017

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Religião, guerra, sociedade

[funchal 04] As marcas mais duradouras e antigas que geralmente permanecem nas cidades estão relacionadas com o sagrado e com a guerra. São as arquiteturas religiosas e militares. Este é, quase sempre o património mais rico que chega aos nossos dias. Depois temos também os edifícios relacionados com o poder civil, seja ele público ou privado. O Funchal não é exceção nesta categorização. A Sé Catedral é, talvez, o edifício mais imponente da cidade e continua a representar o poder religioso. Mas a cidade está semeada de outros edifícios relacionados com a cultura cristã.
 
Sé Catedral do Funchal. 2016
 
Funchal. 2017

Cidade, abismo paralelo

[caos 04] As experiências de vida, o fascínio da comunicação e da partilha, a solidão em contemplação. Os jogos da existência imponderável. A sedução do vazio. Um rasto de luz, uma sombra iluminada. Ser uma cidade dentro da cidade. Ser cor para o atravessamento de mundos estranhos intuídos. Lugares imaginários, civilizações cintilantes, reinos inventados, sublimados. Penetramos condições paralelas, respiramos atmosferas desconhecidas. Desenhamos arquiteturas e abismos, caminhos na floresta densa e sombria. Nas montanhas geladas observamos as nuvens sobre as terras baixas. Um planeta a girar na noite sob um céu estrelado em movimento. Escutamos o silêncio.
[2016]

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Plano plano

[funchal 03] O Funchal é uma cidade construída num solo que se define como um enorme anfiteatro que sobe da orla marítima para as montanhas, cuja malha urbana é estruturada por um conjunto de ribeiras. É justamente junto à linha de costa que se encontra a área mais acentuadamente plana de toda a urbe. A “percorrer” esse solo horizontal temos a avenida do Mar, eixo viário onde confluem alguns dos maiores arruamentos de toda a cidade, como sejam aqueles que acompanham as margens das ribeiras.
 
Avenida do Mar, Funchal. 2017

Avenida do Mar, Funchal. 2017
Avenida do Mar, Funchal. 2017
 

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Identidade partilhada

[caos 03] Desenhamos sobre o branco, construímos uma casa, identidade partilhada, uma ideia de independência, procura ativa de afinidades e da arte. Expor linguagem, mapear, arquivar, dialogar com o passado, consolidar raízes. Refletir a essência dos fazeres que apontamos. Mostrar a dúvida e os caminhos bifurcados. Enfrentar o futuro. Na transparência, a construção do texto limpo e inacabado, a forma poética do real, de um quotidiano inquieto. 
Espaço Caos. Viseu. 2017

A visita do temor

[funchal 02] Entre o mar e as montanhas, o Funchal é uma urbe que se desenvolveu na defesa contra a tragédia que ciclicamente assolou a cidade até tempos bem recentes. Estamos perante um espaço, ou uma região, que tem como matriz a instabilidade. As cheias de 20 de fevereiro de 2010, ou os incêndios de agosto de 2016, foram as últimas visitas do terror transportado pela Natureza. Intervenções recentes nas ribeiras, com consequências significativas na leitura da sua presença na cidade, decorrem, justamente, do objetivo de evitar que algo semelhante volte a acontecer.
Funchal. 2017
 
Funchal. 2017
Funchal. 2016

São Teotónio

[caos 02] Estamos, Caos, no Largo de São Teotónio, 30, por trás da Sé Catedral de Viseu, num espaço enraizado no mais sólido e antigo chão da cidade, coração de uma vasta região que vai do Douro ao Mondego e do Caramulo à Estrela. Este é o nosso ponto de partida para um enorme desejo de viagem.
Largo de São Teotónio, Viseu. 2017

terça-feira, 16 de maio de 2017

Funchal

[funchal 01] Estas palavras decorrem de um convite que me foi dirigido pelo arquiteto Paulo David, do Gabinete da Cidade, Funchal, para fotografar o espaço urbano da cidade. A origem do convite é “delicada”: percorrer e fotografar as áreas queimadas pelos incêndios de agosto de 2016. Nesse sentido estive no Funchal no início de setembro desse ano. Este ano, 2017, já por duas vezes, regressei. A primeira vez foi para participar num colóquio, “casas aéreas” promovido pelo Atelier Funchal e pela Universidade da Madeira. A segunda vez foi para fazer um levantamento mais extensivo de algumas áreas da cidade histórica, alguns bairros e eixos viários estruturantes. Os textos que se vão seguir são sobre o Funchal, a experiência e leituras feitas a partir do caminhar pelas suas ruas, sobre o mapeamento fotográfico e também sobre o Gabinete da Cidade e o seu papel no repensar a cidade.
 
Funchal. 2017
 

Caos instalado em Viseu

[caos 01] CAOS - Casa d’Artes e Ofícios é um espaço coletivo de intervenção artística e oficinal, que visa apresentar e debater, de forma abrangente e livre, temas relacionados com a arte, a criatividade e a extensa rede de conhecimento que estas relacionam e expandem. Viajaremos entre os valores da terra e das gentes, entre a tradições arcaicas enraizadas num solo milenar e as vanguardas sem fronteiras. Trabalharemos em torno de exposições, na formação junto de vários escalões etários, no saber técnico e oficinal, na história e na teoria da arte, em debates e conferências, em eventos públicos de diferente natureza. Seremos um lugar de encontro e partilha na cidade de Viseu, mas não ficaremos limitados ao nosso espaço físico, nem da nossa cidade. Procuraremos outras geografias para revelar o nosso projeto.
 
Caos. Viseu. 2017

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Branco e silêncio

[arquivo cidade 105] Nada aqui é definitivo. Estes textos são apontamentos desenhados para outras palavras que se desejam para o futuro. São o jogo da vida, da procura da realidade, da invenção do seu sentido. Este conjunto de fotografias e palavras é como a construção de uma pequena cidade, de um organismo vivo, humanos, que se expande continuamente, mesmo que o faça por territórios brancos e silenciosos. [Este é o último post desta série. A ela poderemos eventualmente voltar].
[2016]

Alinhar palavras

[arquivo cidade 104] A palavra é como uma luta pela sobrevivência, a adaptação a uma inaptidão, como se nela estivesse a compreensão do mundo, a sua leitura possível, como se com as palavras sequencialmente alinhadas pudéssemos desenhar a cosmogonia da vida, o sistema de pensamento, a construção do sentido da vida, a arquitetura da nossa existência. A pacificação da morte.
[2012]

domingo, 14 de maio de 2017

Casa possível

[arquivo cidade 103] Vamos descobrindo, paulatinamente, aquilo que verdadeiramente somos, com todas as incongruências, vontades, derrotas, persistência, erros, enorme vontade de estar vivo, de respirar, caminhar no desalento sobre o espaço curvo, observar, construir mundos possíveis para habitar, uma casa na tempestade.
[2015]

Alto da liberdade

[arquivo cidade 102] Honestidade. Verdade. Nada. Sobrevivemos, procuramos caminhos de viabilidade evolutiva. Falhamos, reerguemos a face, continuamos. Não há uma moral definida, mas uma teia complexa e contraditória de hábitos obtusos que nos envolvem, que nos condicionam o movimento. Procuraremos o alto das montanhas. O sentido da liberdade. 
[2016]

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Cidade cosmos

[arquivo cidade 101] Poderemos deixar um rasto de luz que atravessa o espaço sideral. Criamos uma sombra iluminada temporária. Lançamos um olhar breve ao conhecimento imenso que nos transporta, repousamos depois dos gestos da violência inesperada. 
[2016]

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Antes do vazio

[arquivo cidade 100] Como na mais desprendida marcha para a guerra, para os dias anteriores à batalha, em que muito perde significado e nos restam algumas poucas verdades, factos essenciais, o olhar de alguém simples, a devolução desta condição de permanência aqui, durante estes anos em que somos fragmentos construtores de mundos particulares, restritos, coerência breve antes do vazio. 

[1995]

Luz ténue

[arquivo cidade 099] Entrar num jogo de sombras iluminadas, ténues, seguir o caminho de alguém, mergulhar num reino de espectral, sentir o corpo das caminhadas ancestrais como o agente fundacional de uma condição de relação com a terra, com evolução dos fazeres, de todos os utensílios que inventámos. Olhar agora o regresso à terra no abandono de todas as ambições e do medo.
[1999]

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Atravessar

[arquivo cidade 098] Produzimos o conhecimento para a passagem por mundos estranhos que procuramos. Lugares imaginários, reinos inventados. Há um movimento existencial, a construção um futuro breve diálogos enigmáticos.
[2016]

Reverso

[arquivo cidade 097] Caminhamos sobre a terra. Procuramos os sons do silêncio. Dialogamos com outras pessoas, com outros seres, mas também com as coisas, objetos, vegetais, linguagens ocultas, de procura. Penetramos mundos paralelos, respiramos atmosferas desconhecidas.

[2016]