segunda-feira, 6 de junho de 2016

Estação ferroviária do Côa

[pst 207] Os trabalhos levados a efeito para a abertura da linha do Douro têm início em 1873, em Ermesinde, próximo do Porto. A obra, uma das maiores levadas a efeito pelo ministério de Fontes Pereira de Melo, só termina em 1887, com a construção de parte da ligação à cidade espanhola de Salamanca. Incrementava-se assim o escoamento dos produto vinícolas da região, sendo progressivamente abandonado o barco rabelo. Hoje, um troço da linha já foi abandonado e o comboio continua a perder terreno a favor do transporte rodoviário.

Rio Douro — Estação ferroviária do Côa. Vila Nova de Foz Côa. 11 de abril de 1995

domingo, 5 de junho de 2016

Cidade xx

[viseu 10] A cidade xx, foi de crescimento lento, mas, de qualquer modo, significativamente mais célere do que a cidade histórica. A interioridade e a ruralidade estão ainda marcadas pelo período muito instável da Implantação da República e, depois, pela estabilidade oprimida do Estado Novo. Foi um século difícil com períodos prolongados de miséria muito acentuados, particularmente para um Portugal interior. Só na década de 60 é que se começa a vislumbrar a possibilidade de abandono deste círculo de pobreza, quer com a fuga para as grandes cidades, sobretudo Lisboa, mas principalmente com a saída do país, com a emigração, pois vivíamos numa economia demasiado fechada para permitir qualquer espécie de desenvolvimento.
Avenida Dr. António José de Almeida, Viseu. 2015

Rotunda Carlos Lopes, Viseu. 2015

Rua Dr. Azeredo Perdigão, Viseu. 2015

sábado, 4 de junho de 2016

Fronteira que liga

[pocinho-côa 5] O Douro é uma fronteira, um limite, mas também um canal que liga mundos distantes, que põe em relação lugares que, aparentemente, nada têm de comum entre si. Os afluentes que contribuem para o seu enorme caudal, se são outras linhas que estendem este mundo complexo e ramificado que sobe montanhas e percorre as terras frias. Estamos perante uma gigantesca concha que desde muito cedo acolheu distintas vagas civilizacionais.
Linha do Douro. Vila Nova de Foz Côa. 2016

Rio Douro. Vila Nova de Foz Côa. 2016
Rio Douro. Vila Nova de Foz Côa. 2016

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Rio Douro — Foz da ribeira do Mosteiro

[pst 206] Em 1933 o Instituto do Vinho do Porto encomenda a Domingos Alvão o registo fotográfico da paisagem duriense e das atividades vitivinícolas. "Durante anos, os fotógrafos da Casa Alvão (o próprio Domingos Alvão, Álvaro de Azevedo e outros) percorreram de lés a lés, o Douro vinhateiro, captando, em pormenor, todas as fases da vida do vinhedo, desde a preparação do terreno à plantação, da evolução e tratamento das vinhas até à vinificação. § Subiram às quintas de renome e a casais ermos, às vilas e cidades. Seguiram pelos caminhos dos serros até à floresta primitiva de zimbros, torgos, estevas, rosmaninhos, medronheiros e sobreiros. Acompanharam o comboio até Barca de Alva. Desceram ao rio, pelas rodeiras estreitas por onde chiavam os carros de bois. Assistiram à carregação das pipas de vinho nos rebelos e à aventura dos arrais e marinheiros pelo Douro fora até ao Porto". (Gaspar Martins Pereira — O Douro de Domingos Alvão). O Douro, entretanto, perdia alguma da magia registada. Permanecia imutável a dimensão cósmica do vale.

Rio Douro — Foz da ribeira do Mosteiro, Poiares. Freixo de Espada à Cinta. 25 de agosto de 1994

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Cidade histórica

[viseu 09] A cidade histórica é aquela em que se encontram os mais “sólidos” e identitários edifícios da cidade. São as arquiteturas do tempo longo, do granito extraído das pedreiras da região, são as ruas estreitas e a memória de um burgo medieval que se desenvolveu dentro de muralhas num período de guerras frequentes e independência nacional pontualmente ameaçada.
 
Jardim das Mães, Viseu. 2010

Igreja da Misericórdia, Viseu. 2012

Chafariz das Três Bicas, Viseu. 2015

Casa dos Albuquerques, Viseu. 2015
 

1875-1985

[pocinho-côa 4] A obra da Linha ferroviária do Douro foi iniciada em 1875 e concluída, em Barca de Alva, em 1887, altura em que também foi inaugurada a ligação internacional a Espanha. Este canal ferroviário haveria de ser a espinha dorsal de uma complexa rede subsidiária que incluía as linhas do Tâmega, do Corgo, do Tua e do Sabor. Fora ainda projetada e construída uma ligação da Régua a Lamego, mas que nunca haveria de ser concluída. A construção de todas estas linhas tornou possível o acesso a lugares para onde seriam necessários vários dias de caminho por estradas sinuosas e perigosas. Fora um esforço enorme de modernização de todo um país, que talvez não tenha sido devidamente acompanhado por outras políticas de fomento de desenvolvimento regional. Todo o sistema circulação ferroviária se manteve ativo durante várias décadas, mas o desinvestimento na rede e o crescimento da rodovia, haveriam de ditar o progressivo abandono deste maio de transporte. Hoje todas as linhas subsidiárias estão encerradas. A própria Linha do Douro foi truncada no seu troço entre Pocinho e Barca de Alva no início do ano de 1985. A ameaça de encerramento paira, há alguns anos, sobre o troço entre a Régua e Pocinho.
 
Linha do Douro. Vila Nova de Foz Côa. 2016

Rio Douro. Vila Nova de Foz Côa. 2016
 

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Apeadeiro da Alegria

[pst 205] Antes do comboio da linha do Douro passar o túnel da Valeira, tem paragem no apeadeiro de Alegria. Paramos num sítio inóspito, longe de povoações, onde o vale se abre para se voltar a fechar mais à frente, na Valeira. A denominação de Alegria provém de duas quintas, Alegria de Cima e Alegria Velha, agora abandonadas. A placa que as anuncia suscita agora sentimentos de uma ironia nostálgica.

Apeadeiro da Alegria — linha do Douro, Campelos. Carrazeda de Ansiães. 22 de agosto de 1994