[pst 506] "Quis a sorte que assim fosse e o Tejo abrisse no calcário estremenho um estuário largo e majestoso, fundo e aconchegado, que, depois de magoar os montes, os transformasse em miradoiros de sonho. E de cada colina onde a gente se debruça é o pasmo sem limitações, que abrange o céu e a terra na mesma agradecida emoção. Sobre a toalha límpida do rio cai luz a jorros de uma lâmpada hialina, escondida no tecto azul do cenário; e o movimento ritmado das embarcações, o perfil recortado do casario e o enquadramento dos longes arredondam a beleza da tela, dando-lhe realidade. E, quer queira, quer não, o espírito fica rendido a uma bênção de cor, de grandeza e de harmonia". (Miguel Torga, Portugal).

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