terça-feira, 4 de agosto de 2026

Intuição e precisão

[Paisagem Cruzada 25/25] Não tenho a linguagem precisa das ciências. Aquilo sobre o que escrevo não deixa de ser uma leitura intuitiva da minha relação com o mundo, com o caminhar, com o observar, com a produção de artefactos de comunicação, com o arquivo de informação, como as fotografias, com as reflexões livres que misturam empirismo com leituras de obras de natureza muito diversa. A vida, tida individualmente, não deixa de ser uma experiência, um exercício e um jogo de enorme complexidade. Neste movimento vital há que apurar um sentido crítico sobre o falso, sobre a charlatanice, sobre a evidente e estéril mentira, sobre os poderes oportunistas. No fundo, engrenar na lógica da vida, nessa vertigem que destrói, que apaga, o que é estéril. Sentir o vento na cara, pressentir tempestades, ser racionalmente corajoso, sabendo que há outras possibilidades.

 

Caderno Súmula, Exposição Paisagem Cruzada, Picote, Miranda do Douro, 2026


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