sexta-feira, 17 de abril de 2015

Negar o retrato

[Jesus Cristo 24] Esta é uma negação do retrato fotográfico que mostra a face de todos os homens e mulheres, não apenas de um presente esquivo, mas dos mais recentes milénios de uma marcha de séculos, de milénios. Poderíamos também pensar que é um olhar próprio do Ocidente, a síntese de todo o seu processo histórico dos últimos dois mil anos. Não. Certamente que outros existirão, mas este é um retrato humano que não tem fronteiras definidas, é um retrato cósmico do humano que, simultaneamente, nos mostra a vida e a morte condensadas sob um céu estrelado e frio, sob um sol abrasador, todos os tempos, todos os lugares. Nestas imagens desenhámos um ponto de equilíbrio, daqui olhámos o futuro e o passado. O tempo está a passar, que mais nos poderá mostrar Jesus?
 
Pedrosa, Correlhã. Ponte de Lima, Viana do Castelo. 21.08.2001

São Brás de Alportel. Faro. 18.10.2001

Alpalhão. Nisa, Portalegre. 30.03.2002




quarta-feira, 15 de abril de 2015

Razão objetiva esquiva

[arquivar 30] Num conjunto vasto de fotografias procuramos formas de organização que nos permitam localizar todas e cada uma delas. Encontramos um mundo que se abre e se transforma, que se torna mais esquivo ao mesmo tempo que parece chegarmos próximo de alguma razão objetiva, algum dado concreto, quase como que um princípio definitivo e imutável. Mas nada disso parece existir.



Perplexidade e medo

[Jesus Cristo 23] A face de Jesus é o rosto de todos nós, ou uma cosmogonia de ser humano, é perplexidade e medo perante o desconhecido, o fascínio exacerbado perante a Natureza e o próprio humano, que todos os dias se descobre e se revela, se oculta, se esconde. É olhar as cidades como o lugar de espanto, derradeiro atual ponto de um caminhar humano, da permanente construção de uma paisagem nova. Talvez mais do que um ser divino, esta é, na sua imensa diversidade, a representação possível de nós próprios.
Santa Maria de Rebordãos. Ponte de Lima, Viana do Castelo. 21.08.2001

Real de Baixo, Refoios do Lima. Ponte de Lima, Viana do Castelo. 25.08.2001

Codeçais, Pereiros. Carrazeda de Ansiães, Bragança. 05.07.2003






sábado, 11 de abril de 2015

Reinterpretação acutilante

[arquivar 29] Na vivência de um arquivo há a procura de conhecimento e de devir, como se o conhecimento do passado nos transportasse para a leitura antecipada do futuro. Talvez cheguemos à conclusão que é apenas o passado que estamos a transformar, a reinterpretar com um olhar mais acutilante.


Condição diluente

[Jesus Cristo 22] Que rosto encontramos na face de Jesus? Num olhar múltiplo, encontramos o humano em toda a sua complexidade e indeterminação, encontramos uma condição, que dilui, funde, todos os sentimentos: a angústia, a serenidade, a resignação, a paz, a alegria, o sofrimento, a ânsia de liberdade, a impossibilidade das lutas efémeras, os jogos de sobrevivência, a esperança, o desejo de compreensão de uma totalidade, de uma integração cósmica.
Santuário de Nossa Senhora da Portela, Tamel, São Pedro de Fins. Barcelos, Braga. 19.09.2001

Ponte da Barca. Viana do Castelo. 25.08.2001

Sobre a Fonte, Sedielos. Peso da Régua, Vila Real. 10.06.2003




quinta-feira, 9 de abril de 2015

Encontrar o que não procuramos

[arquivar 28] Uma das questões mais apelativas de um arquivo fotográfico extenso é a ideia de infinito, dos cada vez mais divergentes caminhos que se vão encontrando. Procuramos uma determinada imagem e encontramos outra, ou outras, que nos abrem a porta a novos caminhos, novos projetos de trabalho. O processo é ilimitado como se se regesse pelas próprias leis, indeterminadas, da evolução biológica. Há uma constante adaptação a um mundo sempre em mutação.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Valores coligidos

[Jesus Cristo 21] Jesus Cristo é um conceito que veicula uma série de valores coligidos, que emergem dispersos, de um mundo de trevas que avançam à medida que se desmembra o império romano e toda a sua organização social. Há uma ética que emerge da sombra que levará séculos para se disseminar por todo o Ocidente. Mas esse olhar estava lançado. Nestas representações encontramos esse desejo, de alguém que nos observa, como se nos fosse estranho ao mundo humano que habitamos, alguém cujo sofrimento desenhado no rosto, reflete, já não uma ideia moral específica, mas uma condição de habitar um planeta em movimento.
Castelo Branco. 02.03.2000

Braga. 22.05.2001

São Martinho de Antas. Sabrosa, Vila Real. 18.07.2001