[arquivar 27] Um arquivo torna-se mais complexo ser for vivo, se estivermos permanentemente a acrescentar informação decorrente de trabalhos em curso. Deixa, então, de ser um arquivo de memórias, para se tornar numa entidade quase com vida própria. As fotografias recentes vão alterar o significado das que pertencem a um passado mais remoto.
Fotografar um território vasto. Procurar em Portugal as raízes de uma identidade coletiva que se perde num tempo longo. Construir um arquivo fotográfico. Reinventar uma paisagem humana, uma ideia de arquitetura, uma cidade nova.
terça-feira, 7 de abril de 2015
segunda-feira, 6 de abril de 2015
A vertigem da perda
[Jesus Cristo 20] Há palavras que se atropelam na impossibilidade de acompanharem o raciocínio, entra-se na vertigem da perda e do limite possível da comunicação. Mas vai ficar uma presença latente, a que mais tarde, possivelmente muito mais tarde, noutro contexto de espaço e tempo, podemos regressar, negando a impossibilidade de comunicar, de expressar por palavras. O discurso verbal é a construção quotidiana de uma luta sem tréguas. Que aí se justifique a razão do pensamento.
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| Póvoa. Miranda do Douro, Bragança. 08.09.2001 |
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| Cervães. Vila Verde, Braga. 18.09.2001 |
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| Penso. Melgaço, Viana do Castelo. 02.07.2002 |
domingo, 5 de abril de 2015
Monstro latente
[arquivar 26] O contacto continuado com o nosso passado, através das leituras sucessivas de um arquivo fotográfico onde estão praticamente todos os factos importantes que nos definiram, tem também, creio, a virtude de 'domarmos' esse passado, eventualmente, irrequieto e sensível. Relativizar os melhores e os piores momentos das nossas vidas. Entendemos, está ali expresso nas imagens, o significado do tempo que passou. Esta demora dá-nos a oportunidade de olhar de frente os 'monstros', as latências, que povoam uma parte do nosso imaginário, contaminado de realidade, e de os tranquilizarmos. Liberdade para o futuro.
sábado, 4 de abril de 2015
Convocar a palavra
[Jesus Cristo 19] Estas fotografias convocam a escrita, a palavra. Há um pensamento que se acelera e ramifica dentro de si próprio, que evolui numa complexidade crescente, que caminha para uma elevada abstração, num jogo de sublimação, numa vertigem verbal que leva à exaustão, à perda de equilíbrio, à perda. Poderá haver um abandono com promessa de regresso, quando a intuição misteriosa, face de amor e morte, nos leva por raciocínios cada vez mais rápidos e fragmentados, como que de aproximação a uma coerência maior que confere um equilíbrio pontual dentro do nosso quotidiano milenar, que transportamos uma imensidão de saber e de gestos que nunca executámos
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| Venade. Caminha, Viana do Castelo. 25.06.2002 |
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| Santuário de Nossa Senhora da Agonia, Sopo. Vila Nova de Cerveira, Viana do Castelo. 24.06.2002 |
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| Cornes. Vila Nova de Cerveira, Viana do Castelo. 26.06.2002 |
sexta-feira, 3 de abril de 2015
Terra, documento
[arquivar 25] A terra contém em si uma imensa quantidade de informação da mais diferente natureza. Creio que, em termos de investigação científica, particularmente nas ciências da terra, ou na história, há um recurso cada vez mais reduzido aos trabalhos de campo. O próprio desejo de encontrar em documentos, escritos ou de base iconográfica, toda a matéria de conhecimento, relega o contacto com a realidade viva do imenso espaço exterior, para um plano muito secundário. Entretanto esse mesmo mundo vai-se transformando e muitos elementos, pontos de contacto com um passado remoto, tendem a desaparecer ou a requerer um olhar muito mais acutilante e raro. O que se trata é da descodificação do visível, de um mundo sobre o qual não há documentos escritos, mas apenas o aprofundamento da relação com a terra nos pode tornar acessíveis portas para um conhecimento rico e fascinante sobre a evolução da vida, do solo que pisamos, do sentido do desenvolvimento das sociedades humanas em toda a sua complexidade.
quinta-feira, 2 de abril de 2015
Paisagens não
[Jesus Cristo 18] Nas paisagens não. Talvez não. Na representação fotográfica do espaço cria-se, tendencialmente, um discurso que se encerra em si próprio, que não extravasará tanto o universo visual, a sua capacidade de transporte virtual. Há um mundo inventado de signos, o mundo humano, que constrói o discurso paralelo à Natureza, que parece querer construir a sua casa, para anular o medo integrador, de quem se começa a afastar pelo desenvolvimento de uma consciência inquietante.
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| Santão. Felgueiras, Porto. 17.07.2002 |
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| Covas. Vila Nova de Cerveira, Viana do Castelo. 21.07.2002 |
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| Tangil. Monção, Viana do Castelo. 01.07.2002 |
quarta-feira, 1 de abril de 2015
Significado, processo, leitura
[arquivar 24] Uma das maiores seduções de um arquivo fotográfico é o estarmos sempre a encontrar formas novas de abordagem àquilo que vemos. As fotografias vão adquirindo diferentes significados ao longo do tempo. O processo de leitura, como na interpretação da própria terra, é acentuadamente dinâmico.
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