quarta-feira, 14 de setembro de 2022

Fuseta

[três viagens 22] Adormecera cedo. Quando me levantei ainda não eram cinco da madrugada. Fiz a viagem até ao mundo noturno da Fuseta. Fotografei a localidade, a malha urbana, ainda iluminada pelos candeeiros. Ainda estava escuro quando a iluminação pública foi desligada. Momentaneamente vivi uma experiência singular ao percorrer o lugar em silêncio e escuridão. Havia, pontualmente, uma casa onde se acendia a luz. Prosseguir para a zona portuária deste povoado de pescadores do concelho de Olhão. O dia despontava com o grasnar das gaivotas. Sempre que fui à Fuseta não deixei de ir fotografar o edifício do Instituto de Socorros a Náufragos. Construído sobre pilotis, com uma rampa de acesso, janelas redondas, uma interessante peça de arquitetura, uma ilha de modernidade.

Fuseta, Olhão, 2022

Fuseta, Olhão, 2022

 

terça-feira, 13 de setembro de 2022

Foz do Guadiana

[três viagens 21] Em Vila Real de Santo António, no extremo sul do Portugal, na foz do Guadiana, fotografei o paredão que conforma a Foz do rio e um pequeno farol, na altura com pescadores por ali dispersos, na conversa, lançando o anzol às águas com corrente forte. Um lugar de fronteira onde ouvia o castelhano tanto quanto o português. De algum modo, as paisagens são sempre estranhas, temos um qualquer problema de integração, de, simultaneamente, estarmos fora e estarmos dentro dos lugares, há qualquer coisa de inadaptação contínua. O meu dia de recolhas fotográficas estava a chegar ao fim. O sol já se havia posto. A faixa litoral tem um povoamento excessivamente denso, procurei um local de pernoita longe. Voltei para trás, quando a terra se enruga e se eleva nos cabeços redondos da serra do Caldeirão. A escuridão avançava mas não tive dificuldade em encontrar, seguindo uma estrada de terra, um pequeno terreno onde havia meia dúzia de amendoeiras. Montei a tenda e passei a noite naquele silêncio que não encontro nas cidades.

Foz do Guadiana, Vila Real de Santo António, 2022

 

domingo, 11 de setembro de 2022

Barrancos

[três viagens 19] Em Barrancos, como no Rosmaninhal, o cemitério ocupa a cota mais elevada do lugar. Há uma acentuada uniformidade no desenho das campas, dominadas pelo mármore branco. Ao contrário do traçado urbano, que se adapta organicamente a uma topografia irregular, no cemitério tudo é regular, os vários talhões são planos, separados por muros que diferenciam níveis diferentes, como socalcos. A vista em redor é ampla.

Barrancos, 2022

 

sábado, 10 de setembro de 2022

Madrugada em Campo Maior

[três viagens 18] Quando retomei a viagem era noite. Teria bastantes quilómetros pela frente, até Campo Maior, local que assinalara como a próxima paragem, também numa quadrícula onde nunca tinha estado. O dia despontara coberto de nuvens. Estava agora em terras alentejanas. Paisagem suave pontuada por sobreiros e azinheiras. Era o Alentejo de Campo Maior.

Campo Maior, prox., 2022

 

sexta-feira, 9 de setembro de 2022

Rasto performativo

[três viagens 17] Regressei, depois, ao Rosmaninhal, onde fiquei a fazer fotografias, a aproveitar a luz suave do fim do dia, já com o sol posto. Fotografo já sem um objetivo específico, que não seja o desejo de conhecimento do lugar e a captura de algumas imagens. Cada lugar tem sempre aspetos surpreendentes. Nas fotografias fica o rasto performativo do movimento realizado pelas ruas da aldeia.

Rosmaninhal, Idanha-a-Nova, 2022 

Rosmaninhal, Idanha-a-Nova, 2022


 


 

 

quinta-feira, 8 de setembro de 2022

Cabeço Alto

[três viagens 16] Do Rosmaninhal desloquei-me para ponte, para atravessar a linha imaginária que estava desenhada no mapa, que me permitia saltar para outra quadrícula, para um estreito pedaço de território onde nunca tinha estado. Vi na carta militar e nas imagens de satélite qual seria o melhor percurso a seguir. No itinerário passei por um vértice geodésico de primeira categoria, Cabeço Alto, com 403 metros de altitude. Embora não seja um ponto muito elevado, dele colhemos um panorama muito abrangente, desde as paisagens de Espanha, ali bem perto, da serra de São Mamede, no Alto Alentejo, também a Gardunha e a Estrela, a poente; para norte toda a extensão desta planície até a terra se começar a enrugar de forma mais acentuada, na serra da Malcata e serra das Mesas, onde a temperatura se torna mais fria. Ainda teria de percorrer cerca de dois quilómetros e meio, para chegar à linha que queria passar. Segui por uma estrada de terra, de acesso fácil em direção ao rio Erges. Pouco depois estava com vista para o vale. Parei o carro e desci, por entre uma mata de carvalhos jovens.

Cabeço Alto, Rosmaninhal, Idanha-a-Nova, 2022

 

quarta-feira, 7 de setembro de 2022

Rosmaninhal

[três viagens 15] O Rosmaninhal é uma aldeia de grandes dimensões que se desenvolve em três núcleos. O cemitério ocupa as cotas mais elevadas do lugar, a partir do qual se vêem os campos em redor. É uma paisagem seca, árida, terras de xisto que se prolongam para sul, para lá do Tejo, que não está longe e que aqui faz fronteira com Espanha.

Rosmaninhal, Idanha-a-Nova, 2022