[três viagens 45] Paradela, era o meridiano mais afastado, a nascente, de Lisboa. Não deixei de fotografar uma parte significativa da aldeia, mas o que verdadeiramente procurava era o ponto, marcado pelo miradouro da Penha das Torres, sobranceiro ao rio Douro, à Presa de Castro, uma barragem espanhola. Este é o ponto onde o rio encontra o território hoje português, e inflete na direção sudeste, definindo uma fronteira entre os dois países ibéricos.
Fotografar um território vasto. Procurar em Portugal as raízes de uma identidade coletiva que se perde num tempo longo. Construir um arquivo fotográfico. Reinventar uma paisagem humana, uma ideia de arquitetura, uma cidade nova.
quarta-feira, 12 de outubro de 2022
segunda-feira, 10 de outubro de 2022
Frio, geada
[três viagens 44] Entretanto a noite aproximava-se. A temperatura baixava acentuadamente. Na madrugada seguinte os campos estavam cobertos de geada. O termómetro do carro marcava 4Cº negativos. Passei perto de Vale de Pena. Avancei para Cicouro, outra aldeia nas proximidades da fronteira com Espanha. As aldeias da raia que, verdadeiramente, não sentem, não estão em nenhuma fronteira, são mundos distantes, isolados, entregues a si próprios, presos a um arcaísmo que parece não estar inserido no quotidiano célere das cidades.
| Quinta de Vale de Pena, prox., Pinelo, Vimioso, 2022 |
sexta-feira, 7 de outubro de 2022
Fronteira, Quintanilha
[três viagens 42] Quintanilha, uma fronteira que deixou de existir, símbolo civilizacional de um mundo humano que quer ser comunidade. A autoestrada, relativamente recente, deixara o antigo posto de fronteira com movimento muito reduzido.
quinta-feira, 6 de outubro de 2022
Vinhais
[três viagens 41] Vinhais não fazia parte do itinerário fotográfico mas não resisti a uma paragem para algumas fotografias. Há muitos anos, em 1990, tinha aqui chegado, de autocarro, para uma caminhada de atravessamento do parque natural de Montesinho, justamente de Vinhais a Bragança, pela raia, sem deixar de passar em Rio de Onor e Guadramil. A primeira paragem fora, justamente, o cabeço de Cidadelhe, um vértice geodésico que entretanto foi transformado em miradouro e ponto de observação de aves. Mas o que mais significativo tem este lugar são os vestígios de uma antiga muralha, anterior à romanização.
quarta-feira, 5 de outubro de 2022
Castanheiros antigos
[três viagens 40] A Serra da Corôa estende-se a norte de Vinhais. É uma montanha povoada e de baixa altitude. Nesta região transmontana procurava castanheiros antigos, de grandes dimensões. Encontrei esse souto num declive da serra, alinhados, imponentes.
| Vale de Espinho, Vilar de Ossos, Vinhais, 2022 |
segunda-feira, 3 de outubro de 2022
Pinheiro Novo
[três viagens 39] Em Pinheiro Novo, a minha paragem seguinte, a realidade era semelhante a Cisterna. Uma pequena aldeia granítica, onde não faltavam novas construções, mas marcada por silêncio e solidão. Prossegui para Moimenta, na direção Este. Fotografei a igreja, com duas torres, com uma escala contida e equilibrada.
domingo, 2 de outubro de 2022
Cisterna
[três viagens 38] A caminho de Cisterna, de manhã, faço algumas fotografias com o chapéu de chuva na mão. Foi já naquela povoação que deixou de chover. Deverei ter percorrido todas as ruas. Apenas encontrei duas pessoas que estavam a trabalhar na obra de uma casa. Estivemos um pouco na conversa. A linha de fronteira com Espanha estava a escassas centenas de metros. Convidaram-me a entrar, para um café. Agradeci e prossegui o meu trabalho nesta aldeia que começava a despertar. Os fogos acesos em algumas habitações libertavam fumo pelas chaminés.