quinta-feira, 26 de julho de 2018

Enquadramento

[cidade efémera 1] As palavras que se vão seguir partem de um facto concreto, a destruição de uma horta urbana, em Viseu, para algumas reflexões sobre a própria cidade, sobre cidadania.
Os arquitetos Luís Pedro Seixas e Nuno Vasconcelos, desenharam uma horta, Jardim Alimentar, para ser implantada no espaço do antigo Mercado 2 de Maio, no coração da cidade de Viseu. A iniciativa estava enquadrada nos Jardins Efémeros, uma criação de Sandra Oliveira.
O projeto utilizou paletes em madeira para definir um espaço que não albergava apenas mais de 20 espécies hortícolas — como manjericão, salsa, várias diferentes alfaces, cebola, courgettes, abóbora, beterraba, etc — como criava um recinto de estar, com várias dezenas de lugares para quem quisesse se sentar. A peça, de desenho cuidado e muito bem articulado com a envolvente, dialogava com as árvores da praça, que ensombravam um parte daquela área. De algum modo esta horta também evocava a própria memória daquele espaço, um antigo mercado, há décadas reconvertido em espaço de lazer. Era o regresso dos produtos hortícolas a um lugar que fora nevrálgico dentro da cidade como ponto de encontro de toda uma comunidade. Era assim com todas as vilas e cidades portuguesas até as dinâmicas evolutivas do comércio assumirem outras formas.
O desenvolvimento e implementação deste projeto estava articulado com várias escolas do ensino básico do município. As crianças eram levadas ao local e estimuladas a cuidar da horta, a conhecerem as suas espécies e a relacionarem o que ali viam com alguns dos mais saudáveis alimentos de que podemos dispor no nosso quotidiano.
(Mais informação em: http://jardinsefemeros.pt/en/eventos/o-meu-corpo-e-o-meu-jardim/). 
(Continua…)

Jardim Alimentar, Mercado 2 de Maio, Viseu. 2018 (Fotografia de Cristina Nogueira)

Jardim Alimentar, Mercado 2 de Maio, Viseu. 2018 (Fotografia de Cristina Nogueira)

Jardim Alimentar, Mercado 2 de Maio, Viseu. 2018 (Fotografia de Cristina Nogueira)

Abrigo de Pastor

[procurar um país 038] Os abrigos de pastor são, talvez, dos elementos arquitetónicos mais arcaicos que permanecem em uso, que existem em espaço português. São construções fascinantes, com uma enorme capacidade de estímulo para a procura de uma origem da própria arquitetura. Os mais primitivos abrigos humanos na inserção em territórios “hostis”, de clima agreste, ou povoados por espécies predadoras, como eram os ursos no passado, neste território.

022. Abrigo de Pastor. Serra do Gerês. Montalegre. 1988

quinta-feira, 19 de julho de 2018

Castelo da Lousa

[procurar um país 037] Uma viagem pelo património português que dura 30 anos não pode deixar de passar por alguns locais que já desapareceram, ou que por um tempo longo não se encontram visitáveis. O Castelo da Lousa permanece sob as águas da albufeira do Alqueva, no vale do Guadiana.

021. Castelo da Lousa. Mourão. 1996

Castro de São Lourenço

[procurar um país 036] Encontramos no espaço português numerosos vestígios de construções que nos permitem seguir praticamente todos os passos evolutivos que levaram à construção das cidades tal como hoje as conhecemos. A civilização castreja passou por vários momentos, quase todos marcados por pequenos aglomerados populacionais que habitavam pontos relativamente elevados e aí construíam perímetros muralhados a envolver um núcleo habitacional. A complexidade destas construções foi aumentando ao longo dos séculos. Viveram-se tempos de guerra, de saques, durante largos períodos. Eram tempos e grande instabilidade, de uma dependência forte de ciclos agrícolas e consequentemente, de condições meteorológicas sempre instáveis. Só com a romanização se viria a atingir uma acalmia, à medida que o Império se expandia, neste limite de terras conhecidas. Estas foram as primeiras cidades construídas no espaço hoje Portugal. Existem muitíssimos vestígios desta forma de habitar, com um grande prevalência no norte montanhoso.

020. Castro de São Lourenço. Esposende. 1995

Fojo de Alcântara

[procurar um país 035] O fojo do lobo é, talvez,  um dos mais notáveis elementos construídos no mundo rural do espaço hoje Portugal. Os fojos são armadilhas para a captura e aniquilação do lobo. Requeriam trabalho comunitário. Quando era detetado um animal, ou uma alcateia, populações de várias aldeias, pastores, faziam uma batida com o objetivo de conduzirem os animais à boca de um enorme “funil” construído, geralmente, em terras altas. Muros com cerca de 2 metros de altura erguiam-se numa extensão que poderia chegar quase aos 2 quilómetros. Na confluência dos dois segmentos do muro era aberto um poço, para onde os animais fugiam, sem itinerário alternativo. Eram aí mortos, na esperança de que os rebanhos tivessem segurança.

019. Fojo de Alcântara. Serra do Gerês. Montalegre. 2012

Bebedouro

[procurar um país 034] A água, os elementos construídos a ela associados, são, muitas vezes, de uma enorme simplicidade e eficácia. São também obras que louvam o significado da água na fixação de comunidades humanas a lugares específicos, são condição de sobrevivência.

018. Bebedouro. Rosmaninhal. Idanha-a-Nova. 2005

Tarde

[procurar um país 033] O fim da tarde nas margens de um rio que é uma poderosa sequência de paisagens. As marcas do povoamento humano são aqui fruto de um labor de séculos continuados nas encostas acentuadas deste vale do rio Douro. Cada regresso é um reencontro com o verde e as variações cromáticas conferidas pelas estações do ano. Desenhos possíveis, linhas de continuidade.

017. Quinta dos Murças. Rio Douro. Peso da Régua. 2008