sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Verde

[Fogo 05] Há pés de videira sem outras marcas de povoamento humano ao seu redor. Essa planta é visitada, podada, cuidada. O verde intenso constrasta com o negrume da paisagem envolvente, onde, aparentemente a vida não seria possível.



quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Experiência primordial

[Guadiana 86-14_17] Muito se poderia dizer sobre o Guadiana, sobre múltiplos aspetos, da geologia da sua bacia, da sua formação, até à ocupação humana das suas margens. No entanto quando se percorrem a pé, demoradamente, as suas margens, fica gravado no nosso ser, indelevelmente, a experiência primordial de uma integração num mundo que nos transporta ao tempo imemorial, talvez, da consciência que começava a despertar de uma espécie que se libertava de uma série de constrangimentos e iniciava, paulatinamente, o povoamento de todos os lugares de um planeta fascinante. Teremos desenhado, bem no dealbar do percurso, uma terra desejada. Um projeto de habitar.



quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Cones

[Fogo 04] Chã das Caldeiras encontra-se 'povoada' de pequenos cones vulcânicos secundários, de tempos diferentes, que conferem à paisagem uma grande singularidade. Estes cones, quase todos de topos erodidos, de acesso fácil, são pontos privilegiados de observação da paisagem em redor. Por vezes a dificuldade em nos abeirarmos deles está no solo em seu redor, onde escoadas caóticas de lava apresentam uma superfície extremamente agreste. Mas sempre há um caminho, muitas vezes quase impercetível.

Paisagens desaparecidas

[Guadiana 86-14_16] Muitas das paisagens então percorridas desapareceram. Um grande lago, um, quase, mar interior, sobrepõe-se hoje às memórias de um rio liberto. A realidade é dinâmica e está em permanente mutação. Jogos de forças debatem-se. Os territórios humanos transformam-se, por vezes drasticamente. Olhamos serenamente o tempo que passou, o espaço que se transformou, diante de nós temos o reflexo da nossa condição, de todas as possibilidades, também dos passos que não demos. Construímos com as nossas mãos a possibilidade do futuro. Entre o céu e a terra, ao lado do imenso caudal do rio no inverno. Temos diante de nós todos os passos de uma humanidade que caminha no desconhecimento do futuro. A evolução, com todos os riscos associados, alietoriedade, constrói a vida.



terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Fogo

[Fogo 03] A ilha do Fogo, surge, aparentemente, de um único vulcão. A sua morfologia atual é a de um cone truncado, bastante regular. No topo da ilha localiza-se Chã das Caldeiras. É neste lugar de vulcões ativos, adormecidos aquando da minha visita, que são feitas as fotografias aqui apresentadas.


O silêncio do grande lago

[Guadiana 86-14_15] Estava habituado a acompanhar as mudanças na paisagem portuguesa, quase sempre pontuais, mas havia, de qualquer forma, um tempo marcado pelo acrescentar de desenho a tudo quanto se fazia, como se se quisesse apagar as marcas das paisagens naturais, ou mesmo de um certo sentimento de pobreza que as acompanhava, havia, de facto, um Portugal pobre e antigo que se procurava esquecer, suplantar, fazer desaparecer. Mas ali tudo era diferente. Em terras de secura evidente surgia um enorme mar interior. Havia um sentimento de estranheza para quem percorria agora aqueles lugares tendo-os conhecido no passado. No silêncio do grande lago, para quem no passado conheceu um rio livre sobre o seu leito, hoje continuará a ouvir as suas águas a correr na direção do mar.
 

 

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Aproximação

[Fogo 02] São cerca de quarenta quilómetros a partir do aeroporto de São Filipe e uma hora de viagem, para chegarmos a Chã das Caldeiras. Após áreas mais povoadas, nas imediações de São Filipe, curvas e mais curvas sobre um declive que se acentua progressivamente. A vista vai-se tornando cada vez mais abrangente, mas a paisagem é dominada pela secura e por terra que parece ser antiga, erodida seca e desolada. Quando atingimos o cone da abatimento do grande vulcão, tudo muda