quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Macedo de Cavaleiros

[Linha do Tua 70] A origem do topónimo Macedo de Cavaleiros não é consensual, ela poderá estar associada à lenda de dois nobres cavaleiros, então conhecidos por «Cavaleiros de Maça», justamente por usarem a maça, uma arma de guerra poderosa no combate corpo-a-corpo e que era constituída por um pau coberto por espinhos na extremidade mais grossa. Estes cavaleiros são representados num painel de azulejos de um fontanário da cidade. Uma outra origem possível para o nome do lugar está relacionada não só com o facto de a terra estar implantada em solo fértil para o cultivo da macieira, mas também com a circunstância de ser oriundo dela um cavaleiro, Martim Gonçalves de Macedo, que no dia 14 de Agosto de 1385, durante a Batalha de Aljubarrota, terá salvado a vida do Mestre de Avis. Este, mais tarde, já como rei D. João I, reconheceu e gratificou esse feito. O lugar manteve-se com o seu carácter acentuadamente rural durante vários séculos. Em 1853 foi criado o concelho de Macedo de Cavaleiros, depois de uma reforma administrativa que extinguiu outros municípios da região. Dez anos mais tarde, o povoado foi elevado à categoria de vila e, em 1999, passou a ser cidade. Macedo de Cavaleiros situa-se num ponto estratégico entre a serra de Bornes, a sul, e a serra da Nogueira, a norte, no limiar entre a Terra Quente e a Terra Fria Transmontana. Ao contrário do que acontece com as outras duas cidades por onde passa a Linha do Tua, Mirandela e Bragança, Macedo de Cavaleiros desenvolveu-se num terreno de horizontalidade acentuada. Neste ponto confluem duas importantes vias da região: a já referida, que liga o Porto a Bragança, e outra, que encontra esta estrada e que percorre o Portugal interior desde Castelo Branco, Covilhã, Guarda, atravessa o Douro no Pocinho e segue para norte até Macedo de Cavaleiros. A construção da estação ferroviária em 1905, a cerca de 800 metros do centro da então vila, levou à construção de uma avenida, que, prontamente, foi marginada por novas construções que levaram à expansão do espaço urbano. Foi este cruzamento de vias, particularmente pela presença do caminho-de-ferro, que levou a um maior desenvolvimento urbano, ao atrair pessoas de vários pontos da região.
Macedo de Cavaleiros, 2001 (todas as fotografias)




Louriça

[20-29jul2014_mondego-guimarães-amarela 37] O topo da serra Amarela é de acesso fácil, por um estradão de terra a partir do Lindoso. O motivo desta acessibilidade é o conjunto de antenas que estão implantadas no local, situação que se repete em várias outras serras, dando origem a uma imagem um pouco caótica, desordenada, sem um mínimo planeamento. No entanto a vista que daqui se colhe é muito interessante. A serra Amarela está localizada entre os maciços montanhosos do Gerês e da Peneda/Soajo. Está posição confere-lhe uma centralidade e um importante miradouro de todo o complexo montanhoso.




terça-feira, 7 de outubro de 2014

Chegar a Macedo de Cavaleiros

[Linha do Tua 69] Depois de passarmos as antigas Minas de Grijó, atravessamos mais alguns campos agrícolas e observamos um adensar das construções, algumas de feição industrial. No ponto em que a Estrada Nacional n.º 102, vinda de sul, atravessa a linha-férrea, encontramos uma pequena casa de apoio ao que foi uma passagem de nível. Finda a reta, a linha descreve uma curva à esquerda e, cerca de 300 metros depois, uma nova curva à direita. Estamos já com a estação de Macedo de Cavaleiros à nossa frente. Estão percorridos 82 quilómetros da Linha do Tua e estamos agora a uma altitude de 550 metros. Desde a foz do Tua, já foi vencido um desnível de mais de 400 metros, mas a subida vai acentuar-se em breve, sem que, no entanto, a paisagem nos dê claramente essa impressão. Chegamos a Macedo de Cavaleiros. Uma extensa avenida liga a estação ao centro da urbe.




Mata do Cabril

[20-29jul2014_mondego-guimarães-amarela 36] A mata do Cabril era um desejo de alguns anos. O seu acesso é difícil por estar muito encaixada no vale do rio Cabril. Vista da portela que fica no enfiamento do vale, põe em destaque uma série de árvores queimadas de um incêndio relativamente recente. Nas faldas da Louriça, até onde se prolonga a mata, nos seu pontos mais elevados, penetramos nessa densidade verde. Um fio de água fresca alimenta um universo de vida quase impenetrável.







segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Grijó

[Linha do Tua 68] O olival, e também alguns campos de cereais, domina a exploração agrícola do solo, entre algumas aldeias dispersas. A estação de Grijó localiza-se neste contexto. Encontramos, de novo, a trilogia habitual: estação, instalações sanitárias e armazém de mercadorias. Os carris já não existem. Prosseguimos viagem e passamos sob uma ponte rodoviária de construção recente que «sobrevoa» a ribeira de Carvalhais. Para trás ficaram as aldeias de Carrapatas, a norte, e Grijó de Vale Benfeito, a sul. A linha descreve uma curva pouco acentuada na direção nordeste e entra numa reta relativamente extensa. Apesar de não ultrapassar três quilómetros de extensão, esta é a maior recta da Linha do Tua e o reflexo, no terreno, da singularidade desta região de características planálticas.



Penedia inesperada

[20-29jul2014_mondego-guimarães-amarela 35] Caminhar sobre o imenso oceano granítico e ter a surpresa do encontro com essa enorme penedia inesperada. Associava a imagem da serra Amarela, de visitas anteriores, a um relevo mais suavizado, arredondado pelo erosão e coberto por uma camada de terra pouco profunda, revestida por um coberto vegetal raso, de tojo, carqueja e outras espécies. Mas a vertente poente da serra prolongava o granito aparente, presente no Gerês, mais a nascente, para lá do rio Homem.








domingo, 5 de outubro de 2014

A estrutura do território

[Linha do Tua 67] O traçado ferroviário continua a acompanhar a ribeira de Carvalhais, no entanto esta é já apenas uma pequena linha de água de reduzida pendente. Desde um pouco antes da estação de Cortiços que a Linha do Tua abandonou, definitivamente, os vales encaixados de declive acentuado. Este novo troço terá sido de construção mais fácil, já que o grande problema do caminho-de-ferro para Bragança era a penetração até este planalto elevado. O topónimo Trás-os-Montes designa uma extensa região bordejada a norte e a nascente pela fronteira com Espanha, a sul pelo vale do Douro, a poente por um conjunto de montanhas que estão na origem da designação desta região. As serras do Marão e do Alvão constituem, de facto, uma barreira que num passado não muito remoto era muito difícil de transpor, devido às suas elevadas pendentes. O vale do Douro era o oposto: um rio de acentuada horizontalidade. Em Barca de Alva, a cerca de 100 quilómetros do mar, a altitude do vale não ultrapassa os 120 metros. O Douro chama a si uma série de tributários, que dificultam ainda mais a escolha de itinerários de acesso a este território. O rio Tâmega antecede a cordilheira do Marão e do Alvão e, sucessivamente, os vales do Corgo, do Tua e do Sabor, todos sensivelmente com a direção nordeste-sudoeste – por curiosidade, em todos foi construída uma via-férrea para tentar resgatar Trás-os-Montes do seu isolamento. Esta situação geográfica foi uma condicionante do carácter e da cultura singular da população transmontana.