domingo, 21 de setembro de 2014

Estação de Mirandela

[Linha do Tua 55] Volvidos 54 quilómetros na linha ferroviária do Tua a estação de Mirandela é a maior e mais imponente da linha, e oferece um exemplo particular de arquitetura associada ao caminho-de-ferro em Portugal. O edifício é definido por um corpo central de três pisos (e um quarto já em água-furtada, no alinhamento da zona central deste corpo), com três alinhamentos de janelas, muito próximas entre si. Em cada lado do volume central do conjunto existem dois corpos simétricos, de dois pisos (e um terceiro em água-furtada). Estes dois corpos, como que torreões, são ligados ao corpo central por dois elementos mais baixos. O que confere singularidade ao conjunto é o facto de as coberturas dos corpos laterais e central terem uma pendente muito acentuada. Este é o único edifício significativo que resta do complexo ferroviário que aqui existiu.



sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Geopaisagem

[20-29jul2014_mondego-guimarães-amarela 22] O conjunto da calçada de Alpajares e da calçada de Sant’Ana percorrem uma das mais notáveis ‘paisagens geológicas’ do espaço português







quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Mirandela

[Linha do Tua 54] Depois de Mirandela a linha ferroviária abandona definitivamente as margens do rio Tua e segue junto à ribeira de Carvalhais. Mais à frente também irá deixar esta ribeira e prosseguir o seu itinerário pelo planalto do Norte Interior de Portugal. Estamos no coração da Terra Quente Transmontana, numa paisagem de aldeias marcadas por um povoamento concentrado, rodeadas de campos agrícolas de culturas diversificadas. Desde tempos remotos que o lugar onde viria a ser implantada a urbe de Mirandela era um importante ponto de atravessamento do rio Tua. Perto deste local situa-se o Monte de São Martinho, onde estava implantada a cividade romana de Caladunum. Enquadrada numa política de povoamento do reino de Portugal, expulsa que estava a ameaça moura, D. Afonso II deu ordem de construção de uma povoação nas proximidades do antigo lugar romano. Em 1250, D. Afonso III concedeu carta de foral ao burgo. Foi D. Dinis que deu ordem de construção da vila de Mirandela, na margem esquerda da confluência da ribeira de Carvalhais com o rio Tua, no cabeço de São Miguel, local onde ela se encontra atualmente implantada. Neste período foi erguido um perímetro amuralhado de que poucos vestígios são visíveis. A ponte existente foi determinante para a escolha do novo lugar. Esta imponente estrutura em pedra, que atravessa o vale espraiado, foi primitivamente construída pelos Romanos para a passagem de tropas e minério. Mais tarde, no século xvi, a ponte foi reconstruída quando uma nova carta de foral foi entregue, em 1512, pelo rei D. Manuel. O primeiro grande donatário da vila de Mirandela foi Pêro Lourenço de Távora, que aclamou o Mestre de Avis nas Cortes de Coimbra e foi seu defensor no confronto com Castela, em Aljubarrota, num dos períodos mais difíceis da História de Portugal. A família Távora manteve-se na vila por vários séculos e marcou a sua estrutura urbana. O palácio dos Távoras, atual Câmara Municipal, foi inicialmente construído por esta família e foi reedificado no século xvii. Após uma conspiração falhada contra D. José I, o Marquês de Pombal ordenou, numa perseguição impiedosa, a execução de todos os membros da família Távora, pondo fim a esta Casa. Em 1768, o edifício passou para os condes de São Vicente. Em 1863, o paço foi restaurado, sendo picado o antigo brasão dos Távoras e substituído pela pedra de armas dos condes de São Vicente. Desde então, o exterior do edifício, o mais notável da arquitetura de Mirandela, não voltou a ser objeto de transformações significativas.








quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Alpajares

[20-29jul2014_mondego-guimarães-amarela 21] A calçada de Alpajares que nunca, até hoje, tinha tido a oportunidade de percorrer, é um muito impressivo percurso pedestre. Em vários pontos do espaço hoje Portugal, particularmente nas serras do norte do país, permanecem caminhos antigos, calcetados, ora medievais, ora de origem romana, a que, não raras vezes, estão associadas pontes para a travessia de rios. Esta calçada tem a particularidade de serpentear por uma encosta íngreme, num cenário de xisto revolto que acontece como que numa ilha rodeada de cabeços arredondados. É uma paisagem única, claramente delimitada de todo o espaço envolvente, talvez por isso, também pela presença da água, o lugar teve um povoamento humano remoto. As calçadas são agora o que de mais visível permanece na terra.








terça-feira, 16 de setembro de 2014

Aproximação a Mirandela

[Linha do Tua 53] À passagem do quilómetro 50, a linha volta a tomar a direcção norte e, pouco depois, passa junto da Quinta do Choupim. Seguem-se troços de percurso bastante retilíneos, de onde podemos observar diferentes culturas agrícolas a bordejar a linha, com particular incidência no Olival. Mirandela já está muito próxima, mas ainda não encontramos qualquer sinal da sua malha urbana. Embora a cidade tenha um desenvolvimento para sul, na direção da foz do Tua, o ondulado do terreno encobre esse bairro mais meridional. Mas não tardará muito a encontrarmos as primeiras casas, muito próximas da linha de caminho-de-ferro. Estamos já a chegar à estação de Mirandela, ao centro da cidade e da vasta região da Terra Quente Transmontana.



segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Virar à esquerda

[20-29jul2014_mondego-guimarães-amarela 20] Quando nos dirigimos de Barca de Alva para o Freixo de Espada à Cinta, a certo momento, cerca de cinco quilómetros percorridos, encontramos uma estrada à esquerda que se dirige para Poiares. Entramos num território da características geológicas verdadeiramente únicas.






domingo, 14 de setembro de 2014

Latadas

[Linha do Tua 52] Antes de o comboio acompanhar a curva do rio, quando este torce da direção norte para noroeste, no ponto em que a estrada se afasta da via-férrea, existiu o apeadeiro de Latadas, de que hoje não existem vestígios. Não longe deste local fica a freguesia de São Salvador, onde, como em Frechas, encontramos algumas unidades de património construído que revelam bem o carácter e a história da região, como uma casa senhorial com capela ou uma fonte de mergulho, com abóbada em arco de volta perfeita a cobrir o tanque. Sensivelmente a igual distância, mas na margem direita do Tua, Marmelos apresenta uma igreja, São Gens, de cariz arcaico e provavelmente de origem românica, enquadrada numa povoação em que parte significativa das casas se encontra restaurada.