[20-29jul2014_mondego-guimarães-amarela 15] A primeira vez que estive em Barca de Alva tinha ali chegado de comboio. Era a estação terminal da linha do Douro. Hoje tudo está abandonado. A cada regresso tudo está diferente, um pouco mais degradado, mesmo que com marcas de tentativas de travar a ruína, como seja o tapamento dos vãos de acesso ao interior dos edifícios.
Fotografar um território vasto. Procurar em Portugal as raízes de uma identidade coletiva que se perde num tempo longo. Construir um arquivo fotográfico. Reinventar uma paisagem humana, uma ideia de arquitetura, uma cidade nova.
domingo, 7 de setembro de 2014
sábado, 6 de setembro de 2014
Cachão
[Linha do Tua 47] O Cachão foi um dos maiores investimentos agroindustriais realizados na região transmontana na década de 1960, muito devido à ambição e risco do engenheiro Camilo Mendonça. Foi criada uma grande expectativa de desenvolvimento, que acabou por não se verificar. A proximidade da via-férrea foi determinante para a escolha do local, na esperança de escoar a produção agrícola através desse meio. O período conturbado que se seguiu ao 25 de Abril de 1974 levou a que o projeto perdesse a força que o tinha gerado. Alguns problemas de gestão terão estado também na origem do declínio do empreendimento, a que se pode juntar a perda de importância do caminho-de-ferro, em detrimento do transporte rodoviário. A construção do IP4, a via rápida de ligação do Porto e de Vila Real a Bragança, que passou a norte de Mirandela sem providenciar uma ligação rápida a este local, deixou o complexo do Cachão com evidentes problemas de acessibilidade. Agora, as estruturas industriais semi-abandonadas são visíveis da linha de caminho-de-ferro. Se por um lado o complexo traz consigo a imagem de um avanço tecnológico que não estava presente até este ponto do percurso, por outro lado não deixa de revelar, e mesmo acentuar, o forte carácter telúrico da região, onde a Natureza parece suplantar os mais ousados desejos humanos de a dominar. Visto à distância, este conjunto industrial representa uma pequena ilha urbana, situada no sopé de uma onda elevada da geomorfologia suave da paisagem transmontana.
sexta-feira, 5 de setembro de 2014
Rio Águeda fronteiro
[20-29jul2014_mondego-guimarães-amarela 14] O rio Águeda constitui, talvez, uma das mais inacessíveis paisagens do território português. O caminho de ferro que ligava a linha do Douro a Salamanca, Espanha, percorre uma parte do vale. É uma obra que impressiona pela sucessão de túneis e pontes. Fica o desejo de descer ao vale, de o fotografar num futuro breve.
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| Rio Águeda. 21 de julho de 2014 |
quinta-feira, 4 de setembro de 2014
Entre serras
[Linha do Tua 46] A via-férrea, por vezes escavada na encosta do vale, continua o seu itinerário por entre duas serras de baixa altitude. É a serra de Faro, a sul, cujo cume se eleva a 822 metros, e a serra do Cubo, a norte, que não ultrapassa os 554 metros de altitude. Este troço entre ambas as montanhas é relativamente curto, com direção de poente-nascente, até curvar de novo para norte. A paisagem mantém as características rurais que nos acompanham desde Ribeirinha. Mas agora deparamo-nos com aquele que foi um dos símbolos de esperança de prosperidade de toda a região transmontana, o sonho de uma povoação maior e de um centro dinamizador da atividade económica, centrada no que a região poderia oferecer de melhor: uma agricultura baseada na qualidade.
quarta-feira, 3 de setembro de 2014
Morte presente
terça-feira, 2 de setembro de 2014
Vilarinho, Valverde
[Linha do Tua 45] Depois deste pequeno desvio, prosseguimos a nossa viagem. Abandonada a estação de Vilarinho, passamos, um pouco à frente, por uma ponte rodoviária que atravessa o rio e segue para Valverde. É uma ponte de três arcos abatidos, construída no século xx. Do seu tabuleiro colhe-se uma vista interessante para montante e jusante do rio, que neste ponto se apresenta com águas muito calmas. Valverde é mais uma aldeia com estrutura urbana concentrada.
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| Ponte de ligação entre Vilarinho e Valverde. 2003 |
segunda-feira, 1 de setembro de 2014
Inquietação interrogativa
[20-29jul2014_mondego-guimarães-amarela 12] Num trabalho extenso de investigação de todo o espaço de um território é, muitas vezes, lugares como este que procuramos. São as descontinuidades na paisagem que nos transmitem alguma inquietação, que nos ‘questionam’ sobre a imensa diversidade dos lugares, sobre um apelo da terra, um chamamento que, nada tendo de místico, nos move na procura do belo, de lugares para habitar.
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