quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Codeçais

[Linha do Tua 35] A partir de agora, o vale apresenta-se mais suave. Já não observamos as encostas íngremes que existiam escassos quilómetros atrás. Após deixarmos a estação de Brunheda, o itinerário ferroviário faz uma curva relativamente apertada para a direita, na direção nascente, para, logo a seguir, voltar a curvar em sentido oposto. Seguir-se-á um longo trajeto, em curva de raio aberto, com quatro quilómetros de extensão. Neste percurso passamos ao apeadeiro de Codeçais. O edifício existente é de novo ligeiramente diferente dos anteriores. Com uma volumetria semelhante, tem pequenas variações na disposição dos vãos. Do conjunto fazem parte um depósito de água e um dispositivo que servia para o abastecimento de água às locomotivas a vapor. É uma peça de arqueologia industrial que nos remete para a memória de tempos recuados da história desta ferrovia.





quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Farol do Cabo Mondego

[20-29jul2014_mondego-guimarães-amarela 02] Um pouco acima existem as ruínas de um antigo farol; o atual segue uma tipologia arquitetónica comum noutros pontos do litoral português. O farol do Cabo Mondego está implantado na serra da Boa Viagem, a norte da Figueira da Foz.
Farol do Cabo Mondego. 20 de julho de 2014

Farol do Cabo Mondego. 20 de julho de 2014

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Brunheda

[Linha do Tua 34] Estamos agora no quilómetro 21, na estação da Brunheda, onde se encontra o conjunto arquitetónico habitual: o edifício da estação, a que se anexa um outro de instalações sanitárias, e o armazém de mercadorias, com uma volumetria de maiores dimensões. Tal como acontecia em Santa Luzia, a via foi duplicada para permitir o cruzamento de duas composições em movimentos opostos. Contíguo à estação existe um complexo agro industrial. A aldeia de Brunheda dista deste local cerca de um quilómetro, na estrada que se dirige para o Pinhal do Norte e que continua para Carrazeda de Ansiães. Do património arquitetónico destes pequenos povoados podemos destacar duas capelas, que, sem apresentarem traços de singularidade, são, no entanto, bons exemplos da arquitetura religiosa da região e contribuem para uma afirmação da sua identidade.





segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Partir de três pontos

[20-29jul2014_mondego-guimarães-amarela 01] Começaram por ser três pontos de paragem. Um exercício de liberdade. O primeiro local é em trânsito para Viseu. São fotografias da serra da Boa Viagem e do seu encontro com o mar, o cabo Mondego. Aproveitando uma folga na preparação de uma exposição para Guimarães, sigo para a serra da Marofa. Iria terminar não longe dessa montanha, na calçada de Alpajares, mas os dias que se seguiram, de Guimarães à serra Amarela, levaram-me a estender este breve diário para 10 dias.
 
Cabo Mondego, 20 de julho de 2014


Serra Amarela, 29 de julho de 2014

domingo, 3 de agosto de 2014

Ponte curva

[Linha do Tua 33] Em seguida passamos sob uma ponte rodoviária em betão, construída em curva, que liga as aldeias da Sobreira e da Brunheda pela Estrada Nacional n.º 314. Depois das duas pontes que existem na sua foz, este é o primeiro atravessamento rodoviário desnivelado do vale do Tua. Foi nas proximidades deste local, pouco depois da passagem do quilómetro 20, que se deu o segundo acidente mortal e que levou ao encerramento definitivo da via. Do tabuleiro da ponte colhe-se uma vista muito interessante, quer para jusante, quer para montante do rio. É um ponto de vista privilegiado para observar a integração da linha na paisagem e para verificar que a paisagem está em transformação. Deixamos para trás um vale profundo e assistimos agora a uma geomorfologia mais suave, que se faz acompanhar por uma maior utilização agrícola do solo. No entanto, o vale continua a surpreender-nos, pela diversidade e complexidade na sucessão de diferentes lugares e ambientes.

sábado, 2 de agosto de 2014

Tralhão

[Linha do Tua 32] Terá sido certamente a Quinta do Tralhão, situada perto deste sítio, que cedeu o topónimo ao pequeno apeadeiro que se localiza no quilómetro 18. É um dos edifícios mais curiosos e enigmáticos da Linha do Tua, o que faz dele uma peça muito interessante. De dimensões reduzidas, não tem uma escala que se aproxime de outras estações, mas as suas características morfológicas, dão-lhe um toque de singularidade. Uma escada lateral dá acesso a uma cobertura plana, um pequeno terraço, que aparentemente não tem qualquer função. Uma janela, com cantarias em pedra, está voltada para a linha, e sobre ela está um alpendre com estrutura em madeira. Nas traseiras do apeadeiro, num espaço escavado na encosta, existe um pequeno forno, que ajuda a conferir ao conjunto o seu carácter peculiar.
Apeadeiro do Tralhão. 2008


sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Mós

[Linha do Tua 31] A linha continua num cenário muito acidentado, de curvas e contracurvas, e o rio segue o seu curso no fundo do vale alcantilado, com raras zonas de espraiamento. Ainda que a linha siga a uma cota apenas 20 ou 30 metros acima do nível da água, é difícil o acesso às margens do rio, dada a pendente elevada e o terreno de geomorfologia muito irregular. Os marcos quilométricos marcam a passagem da distância, numa viagem lenta. Ao passar o quilómetro 17, acontece um dos raros depósitos de aluvião deste troço inicial do rio. Na margem esquerda, numa pequena praia pedregosa encontramos alguns vestígios de povoamento. Mós muito erodidas pela força das águas e de sucessivas cheias indicam-nos que ali existiram moinhos de água, embora já quase não sejam visíveis vestígios dessas construções.