sábado, 17 de maio de 2014

Enxofre

[Pomarão-Mina de São Domingos 02] Poderá parecer estranho, mas impressiona, em início de caminhada, o cheiro a enxofre. As minas, e consequentemente a circulação ferroviária, deixaram de laborar há quase cinquenta anos. Permanecem muitos vestígios da atividade mineira nesta pequena aldeia, antigo porto fluvial de escoamento do minério da Mina, mas o cheiro surpreende pela permanência num tempo longo.
Pomarão. Mértola. 2014

Antigo edifício associado à via férrea. Pomarão. Mértola. 2014

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Pomarão

[Pomarão-Mina de São Domingos 01] Quando chegamos ao Pomarão, a uma pequena capela sobranceira à aldeia, impressiona a visão que temos do Guadiana, o grande rio do Sul. Aqui vamos iniciar uma curta viagem até à Mina de São Domingos, não pela estrada, mas pelo antigo itinerário ferroviário.
Pomarão. Mértola. 2014

terça-feira, 13 de maio de 2014

Tua de identidade

A Linha do Tua não representa apenas um simples trajeto ferroviário entre o Tua e Bragança. Pelos lugares que percorre, por toda a história da construção e exploração da via, a Linha do Tua simboliza um itinerário de identidade da terra transmontana e de Portugal. O seu percurso sintetiza a invulgar diversidade paisagística que atravessa e que, por sua vez, é singularidade do espaço português. Ao transporte ferroviário está associado um carácter único, uma forma verdadeiramente singular de experienciar a viagem e as paisagens que o trajecto atravessa. Em duas ou três horas de viagem entre o Tua e Bragança, podíamos observar, com perplexidade, o modo como foi possível construir uma linha ferroviária num vale profundo, ou constatar equilíbrios entre o mundo agrícola e a Natureza, ou deslumbrar-nos com paisagens fascinantes, ou percorrer pequenas aldeias com um património singular. Nessas horas, víamos coisas que nos falavam não apenas da identidade de uma região, mas do próprio carácter de Portugal.
Vale e Linha do Tua. 2008-2009. (Todas as fotografias)








segunda-feira, 12 de maio de 2014

Entrar em Bragança

A chegada à cidade grande de Trás-os-Montes representava o fim de um percurso rural e a entrada na civilização. Antes da construção da linha-férrea a viagem do Porto a Bragança fazia-se em cerca de dois dias de viagem, se a meteorologia assim o permitisse, e com condições de segurança precárias, num território muitas vezes inóspito e sujeito a emboscadas de criminosos. Com a construção do caminho-de-ferro, essa duração passa a pouco mais que meia dúzia de horas. Os comboios a vapor adicionaram a uma paisagem arcaica e profundamente isolada uma nova velocidade e a marca do progresso tecnológico. As principais cidades do território de Portugal Continental, na época ainda centro de um vasto império colonial, estavam finalmente ligadas com a velocidade, a segurança e o conforto do transporte ferroviário. Hoje, mais do que em qualquer momento do passado recente, a Linha do Tua confronta-se com o seu fim. A obra da barragem de Foz Tua vai submergir o seu troço mais notável e que lhe confere sentido.
Linha do Tua. Bragança. 2009. (Todas as fotografias)




sexta-feira, 9 de maio de 2014

A descrição da linha

Este itinerário tem início na Linha do Douro, na estação do Tua. Após um curto trajeto, o comboio faz uma curva apertada, para a direita, e entra no vale do rio Tua, que deu o nome à linha ferroviária. O comboio entrava num desfiladeiro extremamente cavado, naquela que foi uma obra notável da engenharia do final do século xix português, afirmação positiva de uma nação num momento em que o Ultimatum inglês fazia tremer a sua identidade. O comboio seguia viagem, numa linha sinuosa, através de uma paisagem grandiosa, até Mirandela, o ponto médio da sua construção e coração da Terra Quente Transmontana. À medida que subia até Santa Comba de Rossas, o ponto mais alto da Linha do Tua, a pendente da linha tornava-se mais acentuada. O comboio atravessava uma paisagem de carácter rural, imagem de uma relação de proximidade e compromisso com a própria Natureza. Por entre castanheiros de grande porte, nas faldas da serra Nogueira, acentuava-se ainda mais o carácter telúrico da viagem. Depois subir continuamente ao longo de 110 quilómetros – desde a estação do Tua, no Douro, a cerca de 80 metros de altitude, até Santa Comba de Rossas, a 849 metros de altitude –, o comboio iniciava a descida para Bragança, 23 quilómetros a norte.
Linha do Tua. 2008. (Todas as fotografias).





terça-feira, 6 de maio de 2014

Povoar

A Linha do Tua continua a ser um itinerário de extraordinária diversidade, que simboliza uma região. Embora os comboios já não circulem, este percurso ferroviário deixou uma marca indelével na paisagem. Este percurso continua a ser extremamente interessante para quem o percorrer, não apenas por lhe estar associado um traçado ferroviário, mas porque atravessa uma multiplicidade de lugares que, no seu conjunto, espelham o carácter de Trás-os-Montes. A construção desta linha de caminho-de-ferro foi uma grande obra da engenharia portuguesa e representou a capacidade de superar as adversidades de uma geomorfologia difícil. Independentemente de uma parte dele estar em vias de ser submerso, é um itinerário que, hoje, nos liga a uma história de povoamento duro e ao processo de união do espaço nacional, num período em que o Nordeste Transmontano vivia num profundo isolamento.
Linha do Tua. 2009 (Todas as fotografias)




segunda-feira, 5 de maio de 2014

Tua, em viagem antiga

No dia 17 de Setembro de 1987 partia do Porto rumo a Barca de Alva. Nesse dia iniciava uma longa caminhada pedestre, solitária, até Miranda do Douro, onde chegaria a 22 de Setembro. No dia seguinte, de madrugada, apanhava uma camioneta com destino a Bragança com o objectivo de aí apanhar o comboio e de fazer a Linha do Tua, um percurso que considerava quase mítico. Apanhava o comboio em Bragança com destino ao Tua e, ainda no dia 23, regressava ao Porto, o ponto de partida da viagem. É um itinerário que quem percorre não esquece.
Deste itinerário não tenho fotografias. Os tempos da película eram de maior contenção e todos os rolos que transportava nessa viagem tinham sido utilizados na viagem pedestre. Hoje apenas guardo na memória essa viagem.
Estação do Tua. Linha do Douro. 1997
Estação de Bragança. 2009