terça-feira, 17 de setembro de 2013

Quantidades

Queluz. 2005

[suporte 08] As soluções aqui apresentadas partem de um número relativamente elevado de suportes. As quantidades são extremamente importantes, pois delas depende a racionalidade do processo. O planeamento deve ser levado ao extremo, para que se reduza substancialmente aquilo que não vai correr bem. As dimensões dos suportes são igualmente muito importantes. Delas decorre a possibilidade de empenos, que também têm uma relação com a cola utilizada. No entanto o problema maior que se coloca com suportes de maiores dimensões é o crescente peso do objeto e a decorrente necessidade de reforço da estrutura portante do suporte. Já para não falar do transporte para o local de exposição, que muitas vezes se torna num quebra-cabeças de difícil resolução, quando se opera com meios financeiros reduzidos.

Queluz. 2005

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Relação sensorial

Senhora do Almortão. Idanha-a-Nova. 2005

[suporte 07] Esta é a outra face das viagens, aqui deixada num pequeno ensaio de procura de soluções para exposição. Dentro de um espaço de baixo custo. Mas esta é a essência deste caminhar, desta existência de não desistência. De perseverança da tenacidade de um combate, de uma guerra que se quer manter, de uma afronta a todas as derrotas. Portugal está difícil e há uma generalizada desvalorização do trabalho, que transcende as nossas fronteiras. Há aspetos da relação sensorial com a realidade que parece estarem a perder sentido. Há que olhar de frente a solidão, as impossibilidades que não o podem ser.

Idanha-a-Velha. Idanha-a-Nova. 2005

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Contaminações

em trabalho de campo para Terras Templárias de Idanha. Idanha-a-Nova. 2005

[suporte 06] Estes textos são sobre as contaminações entre a vida quotidiana e o trabalho. Há uma fronteira que é muitas vezes difícil de definir. Há territórios exclusivamente privados, mas há também limites vagos, onde se opera um registo de elementos que vão estabelecendo pontes entre realidades que se interpenetram, dando origem a novas abordagens, novas formas livres do exercício da vida, da exploração do espaço e do tempo.

Queluz. 2005
Queluz. 2005

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Espaços de fotografia

Queluz. 2005

[suporte 05] Num mundo cada vez mais digital esta é a face da fotografia como matéria, é a construção de uma casa onde habitam as imagens partilhadas num espaço físico.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Princípio da mão

montagem da exposição Território em Espera. Faro. 2005

[suporte 04] No ano de 2005 desenvolvi dois projetos editoriais por ocasião de Faro Capital da Cultura. Um deles, Geografia do Caos, foi feito em co-autoria com Nuno Júdice, com poemas sobre peças de museus da região e paisagens urbanas; o outro projeto, Território em Espera, deu origem a duas exposições simultâneas, em Faro e São Brás de Alportel. Foi para estas duas exposições que elaborei, manualmente, as cinquenta molduras que receberiam as fotografias. Irei, assim, agora avançar sobre o modo de elaboração de suportes, molduras em papel e cartão. Serão reflexões sobre os fazeres da mão, por oposição ao trabalho de fotografia em campo. É uma viagem às manufaturas, às soluções relativamente baratas, com acabamento profissional e desenho específico. Há um mundo que se revela na delicadeza dos gestos manuais.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Primeira moldura

moldura-protótipo para Portugal - O Sabor da Terra, desenvolvido em 1996. Lisboa, 2013
[suporte 03] Em 1996 iniciava o projeto Portugal - O Sabor da Terra, com José Mattoso e Suzanne Daveau. Além da edição em 14 volumes, a ideia incluía a realização de 14 exposições simultâneas em todo o país, exceptuando os arquipélagos dos Açores e da Madeira. Na altura desenhei um modelo em cartão, em tamanho natural, que seria a base para um conjunto de 665 imagens que iriam ser mostradas nas exposições. Foi a minha primeira moldura em cartão. O modelo viria a ser executado em MDF, por Luís Romano, que depois também participou na montagem das exposições. O modelo em cartão prensado não tinha qualquer acabamento, sendo apenas pintado na espessura da moldura. As fotografias expostas seriam acabadas com uma pintura a tinta de água, em branco creme. A solução procurada era a de custos baixos. As fotografias foram coladas diretamente na face interior da moldura e não existia vidro. As molduras definiam como que um objeto de instalação.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

A possibilidade do erro

Queluz. 2005

[suporte 02] A parte mais desenvolvida das notas que se seguem será sobre a elaboração de suportes para a exposição de fotografias. Estes apontamentos consistirão numa tentativa de deixar clara uma forma de trabalho que permitirá a qualquer pessoa, com disponibilidade para a aprendizagem, elaborar as suas próprias molduras com desenho personalizado. Mas estes textos e fotografias abordarão também alguns aspetos da fotografia de objetos, trabalho de campo e planificação de uma edição, de um livro. No fundo pretende-se lançar alguma luz sobre um processo criativo específico que pode definir um conceito de sobrevivência e de sanidade mental, não deixando de correr o risco de ser o seu contrário. As coisas podem correr mal e a persistência no erro pode levar ao efeito contrário daquele que se pretende. De qualquer forma, em qualquer trabalho que parta de nós próprios, a adaptação a uma realidade mutante é a melhor solução para o sucesso evolutivo. Pode não ser fácil interpretar a realidade, aliás é quase sempre uma tarefa de elevada complexidade.