sexta-feira, 10 de maio de 2013

Acontecimentos sucessivos

Caneças. 1991
[Viagens. Paisagens 27] São os lugares que engendram histórias, que constituem um corpus definidor de paisagens, são eles que sintetizam uma postura humana perante a leitura do espaço, que contribuem decisivamente para a formação de uma identidade pessoal e coletiva. Neste contexto de representação a fotografia pode tornar-se um acto político. Não será, então, a fotografia nem o fotógrafo, o elemento mais significativo deste sistema, mas sim a câmara e a sua possibilidade de representar aquilo que lhe é pedido e expectado. Há a tradução e transformação conceptual do mundo material envolvente. A fotografia de paisagem, mais do que apenas um registo, é um processo de releitura das paisagens que se põe em movimento, é um acto que interfere com o futuro, que cria um lastro de acontecimentos sucessivos.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Ponte

Serra dos Candeeiros. 2013

[Viagens. Paisagens 26] Um trabalho que é uma ponte entre mundos, que liga espaços e tempos diferentes, eventualmente, inacessíveis.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Sobre cinco princípios da investigação cientifica e o trabalho criativo

Queluz. 1990

[Viagens. Paisagens 25] A exactidão preditiva não se pode aplicar a um trabalho criativo; coerência interna, sim, sem que, no entanto, se tenha essa coerência como um objetivo. Um trabalho deverá ser desenvolvido dentro de um determinado âmbito, talvez seja mesmo inevitável que o seja (poderemos posteriormente procurar traços de coerência onde ela aparentemente esteja ausente); consistência externa, tal como uma imagem de solidez conceptual que se pretende transmitir; capacidade unificadora, não, ou apenas dentro de um determinado corpus de trabalho, de projeto. Um trabalho criativo deve, de alguma forma, ser disruptivo; fertilidade ou fecundidade, sim, se constituir uma referencia para trabalhos futuros, como ponto de passagem para investigações criativas mais vastas.

terça-feira, 7 de maio de 2013

A forma discursiva

Serra dos Candeeiros. 2013
[Viagens. Paisagens 24] A fotografia é uma linguagem visual independente que se desvinculou o seu estrito carácter documental, como evidência de algo ou como ilustração. A fotografia é uma forma discursiva complexa que conquistou o seu espaço próprio. A comunicação, a capacidade de comunicar, é algo que se leva progressivamente mais longe e deve ser essa, também, a ambição de uma fotografia.
Serra de Montejunto. 2013

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Paisagem anterior

Queluz. 2000

[Viagens. Paisagens 23] Todos os passos destes trabalhos, que, no fundo, ajudam a definir uma paisagem interior, um universo laboral específico, e, em derradeira instância, um sentido de vida humana, num imponderável espaço-tempo de contemporaneidade. Na impossibilidade de aqui definir o conceito de paisagem, não apenas por não ser a minha área de reflexão teórica, mas por nesse conceito encontrar as mesmas dificuldades que encontro a tentar definir fotografia, deixo estas paisagens que vou construindo no tempo efémero da especificidade de alguns fazeres. Estas são as paisagens que habito, sempre dentro de um incontornável espaço-tempo de enorme e desconcertante dinamismo. Assim defino um espaço de habitar, uma paisagem interior.