domingo, 7 de abril de 2019

Partilhar (Terra 5/5)

[exp_fuga 16] Tocar, envolver, reunir, falar, errar, continuar. Experienciar mundos particulares. Cada momento de comunicação é um ensaio de diferentes soluções. Exposições, edições, palestras, são frentes ativas de um discurso aberto à introdução de novos conteúdos e elementos dinâmicos. Comunicar. Um dos objetivos maiores deste labor é o desenho de um projeto de comunicação em que cada peça é pensada ao detalhe e em articulação com uma teia de elementos diferentes, com uma complexidade diversa, tudo articulado de forma geométrica, sem uma regra que seja, à partida, definida. Voz. É a nossa mais profunda identidade. O timbre de um falar, de uma linguagem, a convergência das múltiplas dimensões de um ser. Dialogar, integrar num mundo próximo. Juntar a um conhecimento vasto e exponencial, que reúne toda a humanidade, todos os tempos da construção de uma condição e de uma civilização. Palavra. É a maior conquista da humanidade, a mais poderosa ferramenta evolutiva e aquela que abre mundos de conhecimento de outro modo inacessíveis. Constrói pensamento e cidades, aprendizagem coletiva, união e fuga. A palavra é o lugar onde converge o pensamento e onde confluem todos os fazeres.

Exposição/Fotografias: Manualidades, molduras, layouts de exposições, desenhos, fotografias de aproximação ao processo de comunicação. A evolução dos modos de expor ao longo do tempo. Permanência e variação.

Exposição Fuga. Ar.Co. Lisboa. 2019

Exposição Fuga. Ar.Co. Lisboa. 2019

Exposição Fuga. Ar.Co. Lisboa. 2019

sábado, 6 de abril de 2019

Seriar (Terra 4/5)

[exp_fuga 15] Uma ordem e uma geometria para um mundo pessoal. Pôr ordem, contrariar o movimento para a entropia e para o caos. É o fascinante desafio de desenhar uma cidade e uma ordem social para a liberdade, num brutal consumo de energia, mas é esse exercício que possibilita o desenvolvimento de ferramentas múltiplas para enfrentar um ambiente que muito raramente é favorável. Diálogo entre tempos diferentes. Desmaterializar espaço e tempo para o desenho de uma ordem inusitada, penetrante na fluidez da pedra. Esculpir um rio caudaloso.Arquivar. Guardar a informação para o desenvolvimento de projetos e conhecimento. Alimento e fonte para receber o desconhecido e o conquistar. Jogo de ludibriação da ignorância que nos toma. Ordem. A perfeição sem ter associado qualquer princípio de moral fechada. O passado que é futuro. O arquivo é um mundo de ordem em permanente construção e, nesse sentido, é futuro, domínio de um tempo próximo com um grau de previsibilidade que, de outro modo, não seria possível. Mas tudo é imponderável. Origem. Procuramos, para tudo, quase tudo, um ponto a partir do qual nada mais exista para trás. É a origem do tempo, da nossa existência, do universo. É a seta do tempo explicada. Local de encontro do espaço, tempo, matéria e energia.

Exposição/Fotografias: A exposição é descrição, com textos, do grande arquivo. Fotografias relacionadas com a construção do arquivo. Provas analógicas a secar, pilhas de fotografias, imagens do monitor do computador, discos externos. Quadros do arquivo fotográfico, síntese e total.

Exposição Fuga. Ar.Co. Lisboa. 2019

Exposição Fuga. Ar.Co. Lisboa. 2019

sexta-feira, 5 de abril de 2019

Fazer (Terra 3/5)

[exp_fuga 14] Construir uma identidade no tempo de uma vida. Construir uma Narrativa, linguagem para a descodificação de uma realidade percecionada. Construir é uma inevitabilidade num processo humano de sobrevivência em afastamento à natureza. Há a construção física de uma casa e há o edifício conceptual de um fazer. A Mão é a mais poderosa ferramenta de diálogo com a matéria, a construtora dos seus próprios duplicados, ferramentas para abarcar o universo. Maravilhoso instrumento que nos abre ao conhecimento do infinito. É uma extensão do corpo que deixou de ser o estrito elemento de locomoção. Estamos perante a Materialização do pensamento e do agir. É a construção de um habitat, que pode ser uma casa que nos protege das tempestades, como pode ser um dispositivo conceptual que dá o sentido transitório à existência, num movimento de permanente adição de novos elementos. Continuidade é seguir, sempre, uma linha, com atenção às bifurcações, não temendo o erro. Como com as fontes, o excessivo detalhe e enumeração pode impedir a perceção do todo. Mergulharmos num excessivo desgaste e consumo de energia. Ser um desvio forçado a um caminho de liberdade. Fechar as portas à interpretação poética do mundo.

Exposição/Fotografias: todos os trabalhos significativos em texto, imagem e alguns elementos gráficos. Uma sequência cronológica de atos que revela a construção de um saber e a produção de conhecimento.
Toda a história de um projeto desde a arrumação dos ficheiros no computador até ao produto final. Poderá ser o Portugal - Luz e Sombra
Procurar um país, um projeto que é um trabalho que relaciona todos os outros sobre Portugal.

Exposição Fuga. Ar.Co. Lisboa. 2019

Exposição Fuga. Ar.Co. Lisboa. 2019

Exposição Fuga. Ar.Co. Lisboa. 2019

Exposição Fuga. Ar.Co. Lisboa. 2019

quinta-feira, 4 de abril de 2019

Desenhar (Terra 2/5)

[exp_fuga 13] Aprendizagem do mundo pelo conhecimento interior. Depois dos primeiros passos, da conquista de um mundo mínimo, particular e próximo, apreendemos a realidade. Pelo desenho, seja ele real ou em sentido metafórico, tornamos nossa uma realidade que é fundamental para o nosso entendimento do mundo e para a construção das ferramentas operativas que desenvolvemos para o diálogo com ele mesmo. Uma das mais eficazes ferramentas de conhecimento. Pode ser pelo traço sobre o papel branco, pode ser com a forma da fotografia, das fotografias, pode ser pela arquitetura e pela construção do espaço do nosso habitar. É a elementar formas de projetar, de fazer, mesmo de sobreviver, de descobrir. É uma face da liberdade. Interpretar, medir, representar, fazer aproximações sucessivas à densidade, opacidade e transparência, das matérias do entorno. Registar, fixar, guardar em memória-matéria. É como a reserva de alimento para a travessia do inverno. Mas é também uma poderosa ferramenta para a interpretação da realidade. A imagem é aqui a unidade mínima de comunicação, mas também algo de que, de algum modo, desejamos fugir pela sua ilusão que transporta e nos desvia de algo mais essencial. São as peças de uma narrativa para a construção de um olhar e de um diálogo. As imagens são as palavras de um texto extenso, na sua infinidade está a passagem para dimensões que ainda não conhecemos. Capturar e apreender o visível, guardar, arquivar, reserva de “alimento” para o futuro. Liberdade para ensaiar caminhos antes não percorridos, estar disponível para seguir trilhos não imaginados. Admitir o erro e a morte.

Exposição/Fotografias: Desenhar, fotografar. Riscar, registar o universo visível. Fotografias de riscadores e câmaras fotográficas. Descrição dos processos metodológicos para a apreensão do real. Mostrar uma seleção de páginas de caderninhos com desenhos, esquemas, quadros, diagramas e textos.

Exposição Fuga. Ar.Co. Lisboa. 2019

quarta-feira, 3 de abril de 2019

Caminhar (Terra 1/5)

[exp_fuga 12] A mais elementar forma de relação com o mundo. O movimento base para o conhecimento. No caminhar, simbólica e objectivamente, está a nossa sobrevivência e a construção de nós próprios, com o leque de competências e ferramentas que se vão definindo ao longo da vida. Há um sentido objetivo e outro metafórico, apreender o universo conhecido, ciência, arte, todos os caminho. O movimento é relação física com o espaço, tempo, energia e matéria. É o partir para o campo aberto, para o ar livre, para a liberdade que nos dispõe a enfrentar todos os perigos que não conhecemos. É a ingenuidade da vontade. Viajar é a inevitável invenção do movimento perpétuo, a impossibilidade de parar como se esta fosse a mais evidente condição de sobrevivência. É uma das consequências da conquista do meio terrestre e de uma liberdade cada vez maior. O Corpo é a mais fascinante máquina que alguma vez poderemos conhecer. O nosso próprio crescimento, ao longo da vida, é a revelação de uma poderosa máquina que todos os dias nos revela as dimensões do ilimitado, do infinito, da construção da vida, de todo um planeta, ao longo de milhões de anos. Toda a evolução da vida na terra condensada no corpo que dialoga com o pensamento por si próprio aberto e condicionado. O espaço e o tempo de toda a humanidade. Ausência como que a desmaterialização de uma condição racional que, em todos os momentos, lê e interpreta a realidade. Viver uma ancestralidade que permanece latente nos nossos genes, na mais funda memória de transportamos dentro de nós e nos transporta para as mais eficazes formas de sobrevivência de que, num dado momento, podemos dispor.
Exposição/Fotografias: Todo o mundo da matéria contemporânea, os elementos da natureza, mas também os artefactos humanos. Poderá haver uma linha de progressiva complexificação dos objetos humanos representados, desde um artefacto em pedra, até um automóvel ou um computador. Câmaras fotográficas ou telemóveis. São todas as matérias e objetos deste fazer. Objetos inusitados, figuras cerâmicas, pedras do Álvaro Duarte de Almeida, livros, objetos de meus pais, Teresa e Ruy Belo; grandes penedos e pequenas pedras na paisagem; automóveis isolados; caixas perdidas; riscadores; fruta.

Exposição Fuga. Ar.Co. Lisboa. 2019

Exposição Fuga. Ar.Co. Lisboa. 2019

terça-feira, 2 de abril de 2019

Matéria (Universo 4/4)

[exp_fuga 11] Procuramos, continuamente, as formas e os objetos com que nos relacionamos, para desenhos de perfeição aproximada, que nos permitam a transmissão de uma mensagem com o mínimo ruído possível. Os objetos que manuseados para esse labor, deverão ser o espelho do produto final. Mas o produto final é o contínuo caminhar por um mundo novo. A escala de uma dimensão. As dimensões menos óbvias de um fazer, um mundo verdadeiro de trabalho, de pesquisa continuada, de procura de soluções que permitem o fluir de uma mensagem por diferentes meios e canais de comunicação. A própria matéria se transforma em objeto de comunicação que abre portas a novas dimensões do trabalho como um todo e que ajuda ao enriquecimento do seu sentido. São, também, novas relações topológicas que surgem no seio da cidade infinita. Utensílios. O design dos objetos que nos permitem desenvolver uma atividade cada vez mais fina, mais especializada, no sentido da rentabilidade do tempo disponível. Reflexo. Os nossos fazeres espelhados nos objetos que nos rodeiam. A relação com um mundo que nós próprio construímos. Forma. Matéria e matérias criadas por outros, em diálogo permanente com a própria natureza de onde, num passado mais ou menos remoto, se ergueram. Onde nos levam as fontes que escolhemos, ou que surgiram no nosso caminho?

Exposição/Fotografias: Todo o mundo da matéria contemporânea, os elementos da natureza, mas também os artefactos humanos. Poderá haver uma linha de progressiva complexificação dos objetos humanos representados, desde um artefacto em pedra, até um automóvel ou um computador. Câmaras fotográficas ou telemóveis. São todas as matérias e objetos deste fazer. Objetos inusitados, figuras cerâmicas, pedras do Álvaro Duarte de Almeida, livros, objetos de meus pais, Teresa e Ruy Belo; grandes penedos e pequenas pedras na paisagem; automóveis isolados; caixas perdidas; riscadores; Fruta.

Exposição Fuga. Ar.Co. Lisboa. 2019

Exposição Fuga. Ar.Co. Lisboa. 2019


segunda-feira, 1 de abril de 2019

Espaço (Universo 3/4)

[exp_fuga 10] Conhecimento do horizonte visível do nosso olhar. Uma geografia concreta. É o espaço que vamos conhecendo cada vez melhor e ao qual vamos adicionando sucessivas camadas de sabedoria. Portugal é a definição de um território para operar terá que ser o espaço da nossa língua. Há mundos infinitos irradiados, na escala definida das possibilidades de sobre ela caminharmos, na dimensão ilimitada do nosso pensamento. Aqui descobrimos o infinitamente pequeno, dimensão fratal da terra. Lugar é a reflexão sobre um olhar humano sobre a natureza e sobre a terra que acolhe o povoamento, a construção das cidades, sejam elas reais ou imaginárias. São todos os os lugares acessíveis. Conhecimento do horizonte visível do nosso olhar para percorrer todos os possíveis lugares na descrição do mundo visível, toda a sua imensa variabilidade. Admitir a passagem do tempo como a construção de diferentes lugares dentro de um mesmo espaço. Fronteira. A sedutora linha que separa mundos aparentemente diferentes.

Exposição/Fotografias: Um grande mapa com a implantação de todos os lugares fotografados. É a ideia da “conquista” o do domínio conceptual de um território. É o conhecimento da terra a partir do qual se elabora um discurso ou uma narrativa. É a descrição de um país por várias ordens possíveis, cronológica, geográfica, topológica. Haverá dois momentos, ou eventualmente mais, um gráfico, cartográfico, outro com as fotografias do território e os textos em desenvolvimento, textos de procura da sua própria forma, seja ela a tipologia de cada elemento representado, seja a descrição de uma linha ou viagem, sejam elementos soltos devidamente encadeados. São tudo as formas e os princípios de aproximação à imagem de um país.

Exposição Fuga. Ar.Co. Lisboa. 2019