terça-feira, 12 de março de 2013

Livros, livros

[Ler, fazer, caminhar 30] Este é um processo de leitura do mundo, de uma realidade próxima e imediata, daqui se parte para os livros e aqui se chega dos livros, de todas as leituras infinitas, de todas as experiências. O livro tem um carácter seminal no arquivo do saber, no levar mais longe as possibilidades do conhecimento humano. Ele inaugura a democratização da sabedoria que evolui e não pode ser transportada dentro de cada ser. Uma biblioteca é uma memória imensa e acessível que existe no exterior de cada um de nós. Os meios atuais, digitais, de divulgação da palavra e do conhecimento, mais não fazem do que agarrar nesse lastro milenar, para projetarem para lugares mais distantes o humano desejo evolutivo.
Cabo da Roca. Sintra. 2012

sexta-feira, 8 de março de 2013

Sobre os trilhos da floresta

Portinho da Arrábida. 2012
[Ler, fazer, caminhar 29] Os anos passam. A aprendizagem de um oficio requer tempo. Nos meios científicos, há a evidência, e a tradição, de projetos que são desenvolvidos ao longo de muitos anos, muitas vezes por diferentes equipas, mesmo sem contacto entre si. Há a persecução de uma ideia, de uma intuição, que pode não dar em nada, mas que aprofunda metodologias e experiências que não se vão perder. Nas áreas criativas a realidade vai-se aproximando destes conceitos de trabalhos desenvolvidos no tempo. No entanto continuamos a associar à criatividade rasgos de genialidade acessíveis a poucos. Quando emerge o fulgor de um trabalho inovador, teremos que verificar como se comporta no tempo mais longo. Mais do que de inspiração, um trabalho criativo quer continuidade e persistência, há um jogo de maturidade que ilumina um caminho de escuridão, que revela formas antes não observadas, que liga realidades ocultas, muitas vezes opostas, que existem dentro de cada ser. Os anos passam, os passos evoluem sobre os trilhos de uma floresta densa, sobre a vastidão de um deserto.
Serra do Risco, prox.. 2013

quinta-feira, 7 de março de 2013

O que são as paisagens?

Portinho da Arrábida. 2012
[Ler, fazer, caminhar 28] O que são as paisagens? São os grandes lugares de encontro com a natureza funda das coisas e do nosso próprio ser. São a memória de vivências nossas, mas, eventualmente, das mais arcaicas vivências da espécie, codificadas nos nossos genes e que sobre os nossos desejos exerceram um movimento condicionado de procura. Há, também, muitas vezes, uma beleza difícil de objetivar, que se prenderá com o encontro desejado desse mesmo mundo arcaico, impoluto, ausente de marcas corruptivas, de todos os gestos humanos, que de imediato nos prendem ao processo civilizacional. Estaremos perante um equilíbrio entre todas as criaturas habitantes dos lugares, parece haver uma harmonia entre espaço e tempo. Os nossos sentidos não nos mostram as poderosas forças evolutivas que constantemente procuram esses equilíbrios pontuados, ou a adaptação a um meio que constantemente, impercetivelmente, muda, se transforma. A paisagem talvez represente esses ilusório ponto médio que alimenta os nossos desejos e nos projeta num movimento de procura que tem a duração das nossas vidas, algumas vezes de gerações, ou mesmo do que parecem ser alguns sonhos humanos imemoriais.
Litoral de Sintra, próximo do forte do Espinhaço. 2012

Praia de Alpertuche. 2012

Praia de Alpertuche. 2012

quarta-feira, 6 de março de 2013

Regresso a Viseu

Portinho da Arrábida. 2012
[Ler, fazer, caminhar 27] Regresso a Viseu para descarregar as fotografias feitas ao longo destes dias, alterar os números dos ficheiros, de acordo com um código de arquivo, fazer uma seleção sumária, para iniciar estas reflexões sobre o processo, e tratar do seu arquivamento, em duplicado, em discos externos, em diferentes locais. Fiz ainda, como sempre faço, fotografias em formato jpeg, com 900 px de lado e "provas de contacto" de todo o conjunto. Entre os primeiros registos da montagem dos suportes das imagens de leitura e 2 de janeiro, montagem da exposição, fiz pouco mais de oito mil fotografias.
Serra do Risco. 2013

terça-feira, 5 de março de 2013

Fim de processo

[Ler, fazer, caminhar 26] Amanhece o dia 2 de janeiro. As fotografias já estão embaladas, desde a noite do dia anterior. Seguir-se-à o transporte e montagem da exposição, para o que conto com a ajuda de Álvaro Duarte de Almeida. O processo de produção da exposição chega ao fim, o trabalho está concluído. Continuarei estas notas escritas por mais alguns dias.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Risco

Serra do Risco. 2013
[Ler, fazer, caminhar 25] A serra do Risco é interrompida abruptamente por uma escarpa de 380 metros de altitude. Trata-se mais alta escarpa continental da Europa. Uma serra cortada ao meio pela erosão. Uma soberba visão sobre a Arrábida e sobre estuário do Tejo, ao longe. Daqui se percebe a existência um lugar especial que foi ocupado por uma cidade milenar, numa finisterra que está rodeada de espaços de enorme significado e diversidade como a desembocadura do Tejo, as serras de Sintra e da Arrábida. Hoje, devido a uma intensa pressão demográfica estas paisagens apresentam um inquietante e, muitas vezes, descontrolado dinamismo.
Serra do Risco. 2013

Serra do Risco. 2013

sexta-feira, 1 de março de 2013

Pedreiras

Serra do Risco, prox. 2013

[Ler, fazer, caminhar 24] A caminho da serra do Risco encontro as paisagens das grandes pedreiras. A pedreira do Outão, é a maior, mais conhecida e mais polémica, por se situar em pleno Parque Natural da Arrábida. É nas paisagens cársicas que se escondem muitos mistérios da vida arcaica dos organismos vivos. Os trilhos de dinossauro, como os do cabo Espichel são disso um exemplo.